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OBSESSÃO SUTIL E PERIGOSA

Uma forma de obsessão perigosa é aquela que passa quase despercebida e se instala vagarosa e firmemente nos painéis mentais, estabelecendo comportamentos equivocados com aparência respeitável. Apresenta-se em pessoas que denotam grave postura e sabem conquistar outras pela facilidade de comunicação verbal, tornando-as afáveis e gentis, desde que não tenham os seus caprichos e interesses contrariados. Dão impressões sociais que não correspondem ao seu estado real, porquanto adotam comportamentos parasitas que os credenciam a supor-se méritos que não possuem. Interiormente, vivem sob conflitos que disfarçam com habilidade, daí nascendo, dessa dupla atitude para com a vida, situações neurotizantes que desarticulam o equilíbrio emocional, igualmente sob o bombardeio das farpas mentais destrutivas dos seus inimigos espirituais.

São galantes, em grupo, e a sós, taciturnos; idealistas, na comunidade, aplicando teorias verbais, que não demonstram em atos, porque não creem nelas; cordiais exteriormente, todavia, arrogantes e sem resistências para as lutas morais. Nesse clima psíquico, que ressuma das experiências de vidas passadas, hospeda-se o agressor desencarnado que insufla maior dose de indiferença pelos problemas alheios, desbordando o egocentrismo que termina por aliená-los enquanto agasalham e vitalizam as paixões dissolventes. Esse tipo de perturbação espiritual é mais difícil de erradicá-la, em razão de o paciente negar a sua situação de enfermo, antes comprazendo-se nela, porque o narcisismo a que se entrega, converte-se em autofascinação por valores que se atribui e está longe de os possuir, anulando qualquer contribuição que lhe é oferecida.

Somente a humildade, que dá a dimensão da pequenez e fraqueza humana ante a grandiosidade da vida, faculta uma visão legítima, através da qual se pode fazer uma justa avaliação de recursos, recorrendo-se à Divindade pela prece ungida de amor, antídoto eficaz para os distúrbios obsessivos. A prece liberta a mente viciada dos seus clichês perniciosos e abre a mente para a captação das energias inspiradoras, que fomentam o entusiasmo pelo bem e a conquista da paz através do amor. Entretanto, a fim de que se revista de força desalienante, ela necessita do combustível da fé, sem a qual não passa de palavras destituídas de compromisso emocional entre aquele que as enuncia e a Quem são dirigidas. Ainda, nesse capítulo, impõe uma atitude de recolhimento e concentração para que se exteriorize a potencialidade pela vontade que anela, dirigida pela certeza de que alcançará o destino.

Uma das primeiras atitudes do obsidiado com as características a que nos reportamos, é o desdém à oração por acreditar que não a necessita, outrossim, duvidando da sua eficácia ou menosprezando-lhe a utilidade. Exacerbado nos seus sentimentos infelizes, o paciente auto-realiza-se, adotando uma atitude de falsa superioridade com a qual anestesia os centros da razão e deleita-se no estado em que se encontra. A largo prazo, porém, perde o controle sobre a vontade, que deixa de dirigir, sob a injunção pertinaz, tornando-se ostensivamente agressivo e desfazendo a aparência, que cede lugar ao desequilíbrio que se lhe instalou com forte penetração nos mecanismos nervosos. Nesse quadro de obsessão constritora, encontram-se inumeráveis indivíduos hospedando adversários que os vampirizam demoradamente, até culminarem o desforço com os golpes largos das quedas na loucura, no crime ou no suicídio.

Referências Bibliográficas:

Pelo Espírito Manoel P. de Miranda, extraído da obra "Painéis da Obsessão", psicografado por Divaldo Pereira Franco.