União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

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Aborto: Um ato inconsequente

No dia 26 de fevereiro de 2008, estava eu comodamente sentado em minha poltrona predileta assistindo o jornal da TV Bandeirante, quando foi apresentada uma reportagem que me deixou muito triste, abordando um assunto que ainda me surpreende apesar de minha avançada idade e conseqüente experiência. 

Sei que nos encontramos ainda na infância de nosso aprendizado, daí o sofrimento e a ignorância que impera em nosso Planeta de Expiação e Provas, mas não podemos deixar de nos esforçarmos para levar conhecimento para aqueles que menos sabem.

O aborto tem sido o assunto constante em pauta nos meios de comunicação existentes. Os pontos de vista dos que são a favor e dos que são contra são mostrados a todos. Naturalmente há os que tentam ignorar o que se passa a seu redor e por conveniência praticam o aborto sem medir o que lhe poderá acontecer no futuro.

Na reportagem aludida, foi mostrado o comércio ilegal de remédios químicos e naturais proibidos por lei. O endereço de médicos e os preços cobrados por esse procedimento.
O local, uma feira em Salvador na Bahia, mostra vendedores de ervas, agenciadores ou intermediários desse comércio nefando. Digo nefando para nós, que sabemos das conseqüências para quem o pratica. Para essas pessoas que ignoram ou fingem ignorar a imoralidade dessa ação, apesar de se declararem religiosas, apenas o imediatismo. Pobres irmãos!

A ciência não chega a um acordo quanto ao início da vida no feto. A religião (católica) diz que é na hora da concepção. Outras mais liberais, divergem quanto ao assunto, mas não vamos aqui tecer pormenores a esse problema no que diz respeito ao ponto de vista religioso e muito menos médico, mas sim no campo da moralidade.

Para isso, vamos abrir uma exceção e nos ater ao Espiritismo, codificado por Allan Kardec a partir de 1857 com a publicação do Livro dos Espíritos.

A questão 372 do Livro dos Espíritos é esclarecedora: “A opinião de que os cretinos e os idiotas teriam uma alma de natureza inferior, tem fundamento?

– Não. Eles têm uma alma humana, freqüentemente mais inteligente do que pensais, e que sofre com a insuficiência dos meios de que dispõe para se comunicar, como o mudo sofre por não poder falar.

As perguntas e respostas seguintes esclarecerão o leitor meticulosamente sobre o assunto.
Como meus irmãos podem notar, estou rodeando o tema para chegar ao cerne desse problema grave que a humanidade ainda não consegue assimilar tendo em vista o excesso de materialismo em que vivemos.

No aborto em que a mãe sofreu estupro, por exemplo, a pergunta é a seguinte: a criança deve nascer? A lei dos homens diz que não há crime nesses casos e autoriza a prática. Pergunto novamente: O ser que foi gerado é culpado do crime? Respondo: é evidente que não!

Emmanuel em psicografia de Francisco Cândido Xavier no livro VIDA E SEXO, capítulo 17, edição FEB, trás um esclarecimento bem elucidativo:

“Admitimos seja suficiente breve meditação em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões”.

Em outra manifestação de Emmanuel, inserida no livro RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS, edição FEB/1988, página 17 Aborto Delituoso,

“Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que agitam a opinião. Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam largas equipes policiais... Furtos espetaculares que inspiram vastas medidas de vigilância... Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos de todo jaez criam guerra de nervos em toda parte; e, para coibir semelhantes fecundações de ignorância e delinqüência...(...) Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da natureza...
Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação.

REFERIMO-NOS AO ABORTO DELITUOSO,

em que pais inconscientes determinam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a benção da luz.

Homens da Terra, e sobretudo vós, corações maternos chamados à exaltação do amor e da vida, abstende-vos de semelhante ação que vos desequilibra a alma e entenebrece o caminho!

Fugi do satânico propósito de sufocar os rebentos do próprio seio, porque os anjos tenros que rechaçais são mensageiros da Providência, assomantes no lar em vosso próprio socorro, e, se não há legislação humana que vos assinale a torpitude do infanticídio nos recintos familiares ou na sombra da noite, OS OLHOS DIVINOS DE NOSSO PAI VOS CONTEMPLAM DO CÉU, CHAMANDO-VOS, EM SILÊNCIO, AS PROVAS DE REAJUSTE, A FIM DE QUE SE VOS EXPURGUE DA CONSCIÊNCIA A FALTA INDESCULPÁVEL QUE PERPETRASTES”.

A literatura espírita tem abordado incansavelmente o assunto “aborto”. Romances que tem com fundo esse tema são publicados para que as pessoas através do entretenimento possam assimilar as conseqüências que advirão em sucessivas reencarnações.

Os meios de comunicação abordam quase que diariamente o assunto no aspecto moral é médico, mas, infelizmente, as pessoas parecem não querer acordar para uma realidade palpável no dia-a-dia. Nosso sofrimento físico e interior e o que nos rodeia seria suficiente para perguntarmos “Meu Deus, o que foi que eu Fiz”?

Mas, fazendo como o avestruz que esconde a cabeça em um buraco e deixa o restante do corpo para fora para não ver o seu inimigo, o ser humano visando seu bem estar finge ignorar o sofrimento culpando a “má sorte” pelas suas desditas.

O Espiritismo é concorde com a religião católica no que diz respeito ao momento em que alma se une ao corpo. A resposta da questão número 344 do Livro dos Espíritos diz:

“A união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para tomar determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico, que se vai encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à luz; o grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou para o número dos vivos e dos servos de Deus”.

Mas nos sabemos que antes da concepção existe todo um planejamento para a reencarnação do Espírito. Um desvio de conduta, um mau uso do livre-arbítrio certamente ocasionará o retardo da oportunidade que um espírito terá para se reajustar e avançar na sua evolução. Mas isso é assunto para outro artigo...

“E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles acusadores? Ninguém te condenou?
E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais. (João,8: 10 e 11.).


Autor: J. Garcelan
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Bibliografia:- Livro dos Espíritos:- Editora e Encadernadora Lumen Ltda./Edição/1966- Tradução de J. Herculano Pires. 
Encaminhado a Editora O CLARIM em 29 de fevereiro de 2008, as 11:44h. 
Aprovado para publicação
Publicado na RIE- Revista Internacional de Espiritismo – abril/2008