União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

O livro dos espíritos e as catástrofes naturais

 

 

 

Cap. VI (Pág.282)

V – Lei de destruição

“I. Destruição necessária e Destruição abusiva

728. A destruição é uma lei da Natureza?

- É necessário que tudo se destrua para renascer e se regenerar, porque isto a que chamais destruição não é mais que transformação, cujo objetivo é a renovação e o melhoramento dos seres vivos.

728. A) O instinto de destruição teria sido dado aos seres vivos com fins providenciais?

- As criaturas de Deus são os instrumentos de que ele se serve para atingir os seus fins. Para se nutrirem, os seres vivos se destroem entre si, e isso com o duplo objetivo de manter o equilíbrio da reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e de utilizar os restos do invólucro exterior. Mas é apenas o invólucro que é destruído e esse não é mais que acessório, não a parte essencial do ser pensante, pois este é o princípio inteligente indestrutível, que se elabora através das diferentes metamorfoses por que passa.

729. Se a destruição é necessária para a regeneração dos seres, por que a Natureza os certa de meios de preservação e conservação?

- Para evitar a destruição antes do tempo necessário. Toda destruição antecipada entrava o desenvolvimento do princípio inteligente. Foi por isso que Deus deu a cada ser a necessidade de viver e de se reproduzir.

730. Desde que a morte deve conduzir-nos a uma vida melhor, e que nos livra dos males deste mundo, sendo mais de se desejar do que de se temer, por que o homem tem por ela um horror instintivo que a torna motivo de apreensão?

- Já o dissemos. O Homem deve procurar prolongar a sua vida para cumprir a sua tarefa. Foi por isso que Deus lhe deu o insti8nto de conservação e esse instinto o sustenta nas suas provas; sem isso, muito frequentemente ele se entregaria ao desânimo. A voz secreta que o faz repelir a morte lhe diz que ainda pode fazer alguma coisa pelo seu adiantamento. Quando um perigo o ameaça, ela o adverte de que deve aproveitar o tempo que Deus lhe concede, mas o ingrato rende geralmente graças à sua estrela, em lugar do Criador.

731. Porque ao lado dos meios de conservação, a Natureza colocou ao mesmo tempo os agentes destruidores?

- O remédio ao lado do mal; já o dissemos, para manter o equilíbrio e servir de contrapeso.

732. A necessidade de destruição é a mesma em todos os mundos?

- É proporcional ao estado mais ou menos material dos mundos e desaparece num estado físico e moral mais apurado. Nos mundos mais avançados que o vosso, as condições de existência são muito diferentes.

733. A necessidade de destruição existirá sempre entre os homens na Terra?

- A necessidade de destruição diminui entre os homens à medida que o Espírito supera a matéria; é por isso que ao horror da destruição vedes seguir-se o desenvolvimento intelectual e moral.

734. No seu estado atual, o homem tem direito ilimitado de destruição sobre os animais?

- Esse direito é regulado pela necessidade de prover à sua alimentação e à segurança; o abuso jamais foi um direito.

735. Que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança; da caça, por exemplo, quando não tem por objetivo senão o prazer de destruir, sem utilidade?

- Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem mais do que necessitam, mas o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois nesses casos ele cede aos maus instintos.

736. Os povos que levam ao excesso o escrúpulo no tocante à destruição dos animais têm mérito especial?

É um excesso, num sentimento que em si mesmo é louvável, mas que se torna abusivo e cujo mérito acaba neutralizado por abusos de toda espécie. Eles têm mais temor supersticioso do que verdadeiramente bondade.

II. Flagelos destruidores

737. Com que fim Deus castiga a Humanidade com flagelos destruidores?

- Para fazê-la avançar mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É necessário ver o fim para apreciar os resultados. Só julgais essas coisas do vosso ponto de vista pessoal, e as chamais de flagelos por causa dos prejuízos que vos causam; mas esses transtornos são freqüentemente necessários para fazer com que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.

738. Deus não poderia empregar, para melhorar a Humanidade, outros meios que não os flagelos destruidores?

- Sim, e diariamente os emprega, pois deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É o homem que não os aproveita; então, é necessário castiga-lo em seu orgulho e faze-lo sentir a própria fraqueza.

738. A) Nesses flagelos, porém, o homem de bem sucumbe com os perversos; isso é justo?

- Durante a vida, o homem relaciona tudo a seu corpo, mas, após a morte, pensa de outra maneira. Como já dissemos, a vida do corpo é um quase nada; um século de vosso mundo é um relâmpago na Eternidade. Os sofrimentos que duram alguns dos vossos meses ou dias, nada são. Apenas um ensinamento que vos servirá no futuro. Os Espíritos que preexistem e sobrevivem a tudo, eis o mundo real. (Ver item 85) São eles os filhos de Deus e o objeto de sua solicitude. Nas grandes calamidades que dizimam os homens, eles são como um exército que, durante a guerra vê os seus uniformes estragados, rotos ou perdidos. O general tem mais cuidado com os soldados do que com as vestes.

738. B) Mas as vítimas desses flagelos, apesar disso, não são vítimas?

Se considerássemos a vida no que ela é, e quanto é insignificante em relação ao infinito, menos importância lhe daríamos. Estas vidas terão noutra existência uma larga compensação para os seus sofrimentos, se souberem suporta-los sem lamentar.

739. Esses flagelos destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam?

- Sim, eles modificam algumas vezes o estado de uma região; mas o bem que deles resulta só é geralmente sentido pelas gerações futuras.

TSUNAMI: UM ANO DEPOIS


Segunda, 26 de dezembro de 2005, 12h15

Sobreviventes do tsunami formam novas famílias

Ilana Rehavia
Enviada especial a Banda Aceh

Sidik e Normaiati se conheceram quatro meses depois do tsunami que devastou seus vilarejos na província de Aceh, na ilha Indonésia de Sumatra. Sidik perdeu a esposa e três dos quatro filhos para a onda gigante, que matou mais de 290 mil pessoas na costa do oceano Índico.

Normaiati perdeu os quatro filhos e o marido e foi encontrada nua, com uma cobra enrolada no corpo, a centenas quilômetros de distância de onde estava quando o tsunami chegou. Como muitas outras pessoas, Sidik nunca pode enterrar os corpos de seus familiares, jamais encontrados. Outros milhares de corpos foram achados, mas ainda não puderam ser identificados.

Um ano depois, os dois planejam se casar em novembro. "Eu espero que nosso casamento nos ajude a superar o trauma que sofremos", disse Normaiati, sentada ao lado do noivo no que costumava ser uma vila de pescadores e hoje não passa de alguns alojamentos e barracas no meio de um campo inundado.

"Foi o destino que nos aproximou", afirmou o pescador Sidik. Mas Sidik teve sorte de encontrar uma nova parceira, já que 80% das vítimas do tsunami foram mulheres, de acordo com a ONG Oxfam. Isso aconteceu porque enquanto os homens estavam no mar pescando ou trabalhando em vilas no interior na hora do tsunami, as mulheres estavam nos vilarejos costeiros cuidando da casa e das crianças.

A falta de novas esposas está sendo resolvida com uma migração de jovens mulheres de vilarejos vizinhos. E os líderes comunitários prevêem um "baby boom" nos próximos anos, ou seja, uma onda de nascimentos de bebês.

Volta à normalidade
Para muitos locais, a formação de uma nova família representa o retorno ao cotidiano, um importante passo para superar o trauma do tsunami. "Os traumas mais sérios requerem acompanhamento psicológico. Mas para os traumas menos sérios, o melhor remédio é a volta à normalidade", disse Dicky Pelupessy, diretor do Centro para Recuperação de Trauma e Intervenção Psico-Social, ou Pulih.

"Hoje em dia, um ano após o tsunami, a maioria das pessoas já passou o pior do trauma e por isso nos estamos concentrando nossos esforços em restabelecer um cotidiano para elas", afirmou. A dificuldade é estabelecer esta normalidade, já que 160 mil pessoas continuam vivendo em barracas ou alojamentos temporários em Banda Aceh, as maiorias sem emprego.

No campo de Neuhen, localizado ao pé de colinas que eram usadas pelas guerrilhas separatistas antes do processo de paz, a falta de trabalho foi apontada como o maior problema pelos moradores com quem eu conversei. Em tom de brincadeira, mas com uma ponta de desespero, três mulheres vieram me pedir emprego.

Órfãos
A religião também tem um papel importante na recuperação da população de Banda Aceh, segundo o centro Pulih. De acordo com Pelupessy, os muçulmanos encaram tragédias naturais, como o tsunami, como um ato de Deus, e por isso, aceitam o que aconteceu sem revolta.

A revolta vem com as conseqüências da tragédia, como a falta de casas e empregos. Para as crianças, a volta ao cotidiano também é extremamente importante. Mas para as mais de duas mil crianças que ficaram órfãs de pai e mãe em Aceh, esse cotidiano normal parece não chegar.

No campo de abrigo temporário Lhk Nga, três meninas de seis anos de idade pararam para conversar comigo no caminho de volta da escola, vestidas com seus uniformes vinho e laranja.

"Eu gosto de viver aqui, tenho muitas amiguinhas e gosto muito de livros", disse uma delas sorridente. Mas o tom mudou quando ela me contou da saudade que sente do pai, morto no tsunami.

Para essas crianças, a vida escolar traz um pouco de normalidade ao caos. Mas para os adultos, é difícil voltar à normalidade quando grande parte da economia de toda essa região foi levada pelas águas do tsunami.

Mesmo assim, os acenenses são um povo sorridente. No caminho do aeroporto, eu comentava com meu colega essa impressão que tive das pessoas que encontrei. "Nós sorrimos porque as coisas ficam mais fáceis quando se sorri", disse minha intérprete,

 

Vocut Istriani. BBC Brasil

 

Material retirado da Internet para estudo e interpretação do LIVRO DOS ESPÍRITOS, por Célio Heli de Amorim Filgueiras