União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Atualizações Células-tronco: A medicina do futuro

Antonio Carlos Campos de Carvalho
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, Universidade Federal do Rio de Janeiro 

Atualização
Desde o artigo escrito para a Ciência Hoje, em junho de 2001, nosso trabalho avançou muito, tanto na parte da pesquisa básica como da aplicação média dos conhecimentos gerados. Assim, resolvi escrever este breve relato para dar conta dos avanços mais recentes.

Lembrando o final do artigo, eu dizia que, se nosso Laboratório tivesse o apoio financeiro necessário, poderíamos oferecer aos pacientes brasileiros o recurso das Terapias Celulares. O apoio financeiro veio na forma de um programa especial do Ministério de Ciência e Tecnologia, denominado "Institutos do Milênio". Nós participamos do "Instituto do Milênio de Bioengenharia Tecidual" (www.imbt.org.br) e tivemos, também, apoio da FAPERJ, através do programa "Cientista de Nosso Estado". Com isso, aprofundamos nossos estudos de transplante de células da medula óssea para os corações de ratos infartados, nos quais obtivemos resultados excelentes. Monitorando o desempenho cardíaco por eletrocardiografia e ecocardiografia, pudemos demonstrar que, duas semanas após as injeções de células de medula óssea nos corações infartados, já havia melhora significativa na performance cardíaca dos ratos.

Esses resultados nos animaram a propor à Comissão de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde um projeto de terapia celular em pacientes com cardiopatia grave pós-infarto. O responsável por toda a parte clínica do projeto é o Dr. Hans Fernando Dohmann, do Hospital Pró-Cardíaco. O primeiro paciente foi submetido ao transplante de células de medula óssea em dezembro de 2001. A partir de então, mais 13 pacientes se submeteram à terapia celular, todos com quadros gravíssimos de insuficiência cardíaca, e ainda há vários esperando em filas de transplante por um novo coração.

No último dia 16, tive o privilégio de participar de uma reunião no Hospital Pró-Cardíaco, com 12 pacientes que se submeteram à terapia celular. Os relatos sobre a melhoria do estado de saúde e da qualidade de vida desses pacientes nos deram a certeza de que o trabalho de investigação deve continuar e se ampliar para outras doenças crônico-degenerativas.

É óbvio que um trabalho desta envergadura envolve muitas pessoas, tanto na área científica, como da clínica médica. Não é o caso de enumerá-las nesta oportunidade, mas agradecemos o empenho e a dedicação de toda a equipe ao projeto, e, como disse o Dr. Hans Dohmann, não podemos deixar de agradecer, também, aos pacientes que confiaram em nosso trabalho e aceitaram o risco inerente de se submeterem a um tratamento ainda experimental. A eles, o nosso muito obrigado.