União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Clonagem e Espiritismo

G) Clonagem 

É a reprodução de dois ou mais indivíduos geneticamente idênticos. Pode ser obtida por dois método diferentes: pela fissão gemelar e pela transferência de núcleo. 

"A fissão gemelar é o processo pelo qual um único óvulo fecundado, ou seja, o embrião no estágio de uma célula nas primeiríssimas fases de desenvolvimento, parte para uma divi­são especial e, portanto, para a geração de dois embriões idên­ticos, que dão origem a dois indivíduos idênticos. Os gêmeos idênticos uniovulares são exatamente o resultado de uma clonagem natural. A possibilidade de manipulação precoce do embrião, com a reprodução assistida, torna possível a realiza­ção artificial dessa clonagem. Dos dois embriões obtidos por clonagem artificial, um poderia ser congelado para ser utiliza­do posteriormente em caso de morte do gêmeo ou, hipótese horrível, como reserva de tecidos e de órgãos, em caso de ne­cessidade. Realmente, os órgãos presentes nesse embrião teri­am uma caracterização idêntica à dos órgãos do gêmeo e não estariam sujeitos à rejeição. 

Na transferência de núcleo, retira-se o núcleo da célula fe­cundada, antes mesmo de ter sido formado o zigoto, substitu­indo-se depois esse núcleo haplóide pelo núcleo diplóide reti­rado de uma célula somática do adulto da mesma espécie. Esse núcleo, posto no ambiente do citoplasma do óvulo fecundado, torna-se totipotente, isto é, perde as inibições por que passara no decurso da diferenciação, dando origem a um indivíduo perfeitamente idêntico". (8) 

Esse foi o método usado pelo cientista Ian Wilmut que, em fevereiro deste ano, publicou artigo na revista Nature sobre a primeira cópia genética de um animal adulto, a o~lha Dolly, que foi clonada usando-se célula da mama de uma ovelha adul­ta cujo núcleo foi "fundido" com um óvulo (já sem o núcleo) de outra ovelha doadora e, então, implantado no útero de uma terceira ovelha (revista Veja, 5/3/97). 

Os cientistas, no mundo inteiro, acreditam que dentro de um período que varia de dez a trinta anos o método já estará à disposição para uso em seres humanos. 

A questão ética voltou a ser amplamente debatida em todos os níveis. O uso da clonagem em animais passa a ser aceito pelos cientistas, pela perspectiva futuras que traz, como: salvar animais em extinção; uso na pecuária para melhoria dos reba­nhos; criação de animais transgênicos, com implantações de porções ~umano, para produzir medicamentos para o homem etc. . 

Em relação ao ser humano, a discussão sobre a ética tor­nou-se inevitável. Uma onda de reações ocorreu em todo o mundo. O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, criou uma comissão de estudiosos para criar mecanismos legais e impedir a clonagem de pessoas. O Observatório Romano, jornal oficial da Santa Sé católica, logo publicou um apelo dramático solicitando aos governos o banimento de quaisquer tentativas de clonagem humana. Recentemente, um comitê da Assembléia Mundial de Saúde, composta de 191 países, declarou que a clonagem de seres humanos seria "eticamente inaceitável" e recomendou a sua proibição. 

Qual a finalidade da donagem de seres humanos? Podería­mos citar algumas situações que já foram aventadas: produzir dones de pessoas ilustres, de cientistas brilhantes, autoridades etc. para que suas cópias os substituíssem no caso de sua mor­te; produzir cópias idênticas para o fornecimento de órgãos para transplantes; maquinações no campo da eugenia, como criar cópias de um indivíduo considerado geneticamente "puro" e saudável para melhorar a raça. Trata-se portanto de hipóteses totalmente inaceitáveis do ponto de vista ético, que desrespei­tam o maior direito do homem que é a vida e a sua prerrogativa de vivê-Ia dignamente. 

CONCLUSÃO 

Toda descoberta científica gera ansiedade e temor na socie­dade, em relação ao que possa ocorrer no futuro. Quando o objetivo da descoberta científica é proporcionar a felicidade dos seres humanos e melhorar a sua qualidade de vida não se impõe nenhum questionamento ético, pois a sua finalidade é obter o bem. 

A reprodução assistida na busca de oferecer aos casais a possibilidade de gerar filhos, biologicamente próprios ou não, resolvendo conflitos e melhorando relacionamentos que esta­vam na eminência da deterioração, vem em muito contribuir para a felicidade de várias famílias terrenas. 

Não podemos olvidar, porém, que nesse jogo da vida, o principal personagem é o embrião, que deve ter os seus direi­tos respeitados desde a fecundação, pois entendemos como sendo ela o início de uma nova vida. 

Nos Estados Unidos, em meados dos anos 80, uma criança nascida através do útero de empréstimo, apresentando sérios problemas cerebrais, foi recusada pelos pais "oficiais" e pela mulher que a gerou. Fatos como esse mostram que a preocupa­ção com a ética, no campo da RA, é de importância fundamen­tal, e que se devem assegurar meios para coibir terríveis aconte­cimentos. 

Sabemos como é difícil o controle dos avanços científicos nessa área. Segundo o pesquisador francês Jaques Testart, um dos maiores especialistas franceses em reprodução assistida, é necessário parar de "inventar". Ele pediu uma moratória nas pesquisas na área. "Não há Ciência neutra. Não é possível con­trolar o desejo de aplicar uma técnica já desenvolvida e os avan­ços da genética e da reprodução artificial podem levar àeugenia", disse Testart. (Folha de S. Paulo, 23/1/1994) 

Medidas como a Resolução do CFM, com normas que defi­nem e limitam o uso das técnicas de RA são bem-vindas e de­vem ser revistas, periodicamente, acompanhando os resulta­dos obtidos ao largo dos anos, para assegurar, tanto quanto possível, o princípio da beneficência e o da não maleficência.

A reprodução assistida como método para assegurar a gra­videz em casais infértis é plenamente aceitável, do ponto de vista ético, quando não interfere na evolução natural do óvulo concebido. O direito da criança a ser gerada deve ser o mesmo do que o de uma gravidez normal. A manipulação no embrião com fins terapêuticos é admitida desde que comprovada sua eficácia e não como método experimental que levará ao des­carte da individualidade. O uso de tais técnicas para produzir superbebês, crianças com características físicas predetermina­das, livres dos riscos de doenças genéticas e superdotadas, ca­racterizam a interferência do homem nos desígnios de Deus e devem ser rechaçadas pela sociedade. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 32a edição. RJ: Federa­ ção Espírita Brasileira, 1972. 

2. RIZZINI, Carlos Toledo. Evolução para o Terceiro Milênio. lOaedição. DF: Editora Cultural Espírita Edicel, 1993. 

3. NOBRE, Marlene Rossi Severino. Reprodução Assistida e a Doutrina Espírita. Boletim Médico Espírita n° 9. SP: Associação Médico-Espírita de São Paulo, 1994.

4. VEGA, M e outros. Regulacion de Ia Reproduccion Asistida en el Ámbito Europeo. Derecho Comparado. Cuadernos de 
Bioética 1995/1°. Madrid,1995. 

5. KÜHL, Eurípedes. Genética e Espiritismo.DF: Federação Espí­rita Brasileira, 1996. 6. Vide nota 3. 7. FERRAZ, Sergio. Manipulações Biológicas e Princípios Consti­tucionais: Uma Introdução. Porto Alegre: Sergio Antonio Fa­bris Editor, 1991. 

8. SGRECCIA, Elio. Manual de Bioética: Fundamentos e Ética Biomédica. São Paulo: Loyola, 1996.