União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

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MORTE PREMATURA – ENTENDER PARA ACEITAR

 

 

 

Dr. Sérgio Vencio, Conferencista, membro da associação médica espirita – Goiás.

 

No dia a dia da prática médica, o tema que mais impressiona a todos provavelmente é o da morte prematura. Conviver diariamente com pacientes acima dos 80 anos de idade que apresentam problemas crônicos de saúde e caminham para o desencarne soa, a todos nós, como algo absolutamente fisiológico, por maior que seja a dor dos familiares na hora da despedida.

Porém quando o assunto é o desencarne de crianças, adolescentes e adultos jovens que se dirigem ao plano espiritual antes dos pais, nem sempre a racionalidade que o espiritismo traz pode ser suficiente para acalentar a alma dos que ficam.

 

O termo “morte prematura” talvez não seja adequado, pois não podemos pensar em uma espiritualidade superior onde as coisas são feitas de improviso.

Evidentemente nos referimos aqui à prematuridade do ponto de vista temporal pra nós, ou seja, desencarnar jovem e não desencarnar antes do tempo programado.

 

Jesus foi um exemplo de morte prematura, desencarnando antes de sua mãe. Mas durante todo o seu apostolado, ele deu mostras de sobra que sabia antecipadamente o que aconteceria.

Mateus 26, João 2:19, aliás esse fato foi narrado várias vezes no velho testamento, em especial por Isaias. Saber por antecipação não o impediu de levar a cabo sua missão, pois várias vezes ele afirmou que o que lhe interessava acima de tudo era realizar a vontade do Pai.

 

Para os pais que enxergam na morte do filho o fim de tudo, o sofrimento parece mesmo não ter fim, porém outro caminho, de mais amor e paz interior, pode existir. Entender o mecanismo pelo qual as doenças ocorrem é fundamental para se libertar da tristeza imensa que invade a vida dos familiares.

 

Enquanto houver a crença de que Deus levou, que Deus quis, como se houvesse um Senhor de barbas brancas sentado em uma mesa apertando botões coloridos escolhendo quem vai e quem fica, distribuindo benesses e concessões, castigos e punições, não vamos conseguir sair do lugar.

A mesmice atávica do benefício para quem é bonzinho e castigo pra quem é mal não aplaca mais as nossas dúvidas e incertezas. Até porque se olharmos com cuidado, quem de nós pode ser classificado como evoluído ou inferior?

Todos sem exceção temos qualidades e defeitos. Como escolheria então Deus?

 

Como explicar que uma criança de dois anos de idade, que nem teve tempo de fazer coisas boas ou ruins tenha um câncer com metástases e desencarne após 6 meses de tratamento?

Punição para os pais? Resgate de um carma familiar? Acreditar nessa hipóteses é diminuir Deus a um tirano despótico sem sentimento, que castiga um inocente para punir os pais.

Que tipo de amor é esse? Pois João evangelista nos define Deus da única forma que podemos compreender. “Deus é amor!”

 

A RESPOSTA É UMA SÓ.

Cada um responde por atos praticados em outras vidas,

resgatando, pelo amor, as dívidas do passado e caminhando com passos cada vez mais sólidos em direção ao Pai.

Não há punição, mas oportunidade.

Não há fim, mas continuidade da vida, e vida plena, vida espiritual. É muito mais lógico pensar que,

SE EM OUTRA VIDA, EU LESEI TANTO MEU CORPO ESPIRITUAL POR ATITUDES E VÍCIOS, NESSA VIDA EU LIMPO MEU CORPO ESPIRITUAL, DRENANDO PARA A CARNE, PARA O CORPO FÍSICO AQUILO QUE ME FAZ MAL.

 

Se você vivenciou essa situação, a primeira coisa a fazer é parar de se questionar o que você fez de errado. Não há nada de errado. Está tudo certo.

Jesus nos dizia que quem quisesse segui-lo deveria pegar sua cruz e ir. Bom, chegou o momento. É a sua chance de mostrar a ele (Jesus) que você entendeu a lição.

Creia que seu filho, seu familiar, seu amigo que desencarnou continua mais vivo do que nunca, e com certeza mais feliz, porque drenou para o corpo físico algo que o impedia de crescer.

Veja, a lição é clara, Deus não puniu ninguém, foi uma cobrança automática imposta por compromissos do passado.

Não houve castigo, houve libertação.

 

No processo de aceitação e entendimento que ocorre após a morte prematura, o primeiro item é não remar contra a maré. Não lute contra a correnteza. Não se desespere, não aja como se a vida tivesse acabado. Aceite suas limitações, chore, mas sem desespero.

Procure ajuda. Abra seu coração com pessoas que estão ao seu redor, consulte um psicólogo, reuniões de terapia de grupo, e deixe a ferida ir cicatrizando aos poucos.

E acima de tudo, não faça disso uma desculpa para deixar de viver. Você não precisa se matar aos poucos como se dissesse para a pessoa querida que desencarnou “olhe, gosto tanto de você que eu também vou morrer”.

 

A isso chamamos de suicídio e não amor.

 

Confie e se entregue nas mãos desse Pai amoroso, que nos acolhe e alivia.

 

E lembre-se, o melhor remédio para as nossas dores é aliviar a dor do próximo.

 Resultado de imagem para ajudar a dor do proximo

Converta esse sentimento de dor em algo sublime como a ajuda aos necessitados.

Em prol daquele que desencarnou primeiro e da sua própria evolução espiritual, transmute o sentimento e passe a ser um seareiro do Cristo.

Dia virá que você será capaz de olhar pra trás e entender tudo que a vida queria lhe ensinar com esse fato.

 

Paz e luz!

 

(Sérgio Vencio, endocrinologista. vice-presidente eleito da Sociedade Brasileira de Diabetes. )