União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

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Uma outra forma de ser sincero

A pretexto de sinceridade muitas pessoas magoam o semelhante. Por conta de autenticidade dizem o que pensam, sem pensar no que dizem. Tornam-se polêmicas. 

Quando famosas, são verdadeiras minas de ouro para jornais, revistas e mídia em geral, que exploram sua língua afiada e ganham milhões em cima da divulgação de suas bombásticas declarações. Quando anônimas, suscitam conversas acirradas sobre determinado assunto, ou então, sobre essa ou aquela pessoa. 

Adoradas por alguns. Odiadas por outros. 

Contudo, nos diz o bom senso que devemos guardar prudência nos comentários, porquanto há muitas formas de expressar a sinceridade. 

Lembro-me de amigo que se deparou com constrangedor obstáculo a ser resolvido. Os funcionários da fábrica que ele administrava se recusavam a trabalhar com uma pessoa que aqui chamaremos de João, o motivo: João não andava fazendo corretamente a sua higiene, como suava muito, obviamente que o cheiro nada agradável permanecia no ambiente, o que levou os colegas de trabalho a tomarem a drástica decisão de se recusarem a trabalhar com João, porém, alguns não tinham coragem suficiente de falar isso ao colega. E os que tinham coragem, eram os mais exaltados, e diziam que se tivessem de usar a sinceridade com João, ou seja, conversar com ele, fariam de forma nada amistosa. 

Conversaram entre si e resolveram levar o impasse para que o administrador resolvesse, afinal, isso era problema dele, ou resolvia, ou ninguém voltava mais às atividades. Saliento ao caro leitor que toda essa conversa não havia chegado até João. 

Pois sim, o administrador, ao saber do fato, ficou pensativo, afinal como abordar delicado assunto sem magoar um colaborador como João, homem honesto, bom colega e pessoa sempre disposta a colaborar. Pensou por alguns instantes e saiu, retornando após 1 hora com um belo pacote nas mãos. Foi até a linha de produção e chamou João para que viesse em sua sala. Quando ambos se sentaram, o administrador começou: 

-Sabe João, você sempre foi além de exemplar profissional um grande colega de trabalho, correto, disposto a colaborar, enfim, um verdadeiro amigo. Resolvi então lhe presentear. Como sabes, em virtude das atividades que desenvolvemos, nós suamos muito, e ao suar, muitas vezes o cheiro que exalamos não é dos melhores, por isso é necessário fazermos a adequada higiene. Há alguns dias minha esposa comprou uma cesta com perfumes e desodorantes excelentes, eu estou usando e gostando muito, se me faz bem, certamente pode fazer a você também, por isso gostaria que aceitasse essa cesta como um singelo, porém sincero presente. Aliás, se gostar farei questão de todo mês, ou quando precisar lhe presentear com uma cesta dessas. 

João, um tanto pensativo, agradeceu os elogios e o presente, e retornou a seu local de trabalho. Passaram-se alguns dias e o administrador percebeu que tudo estava normal, todos trabalhando, João também, e mais nenhuma reclamação quanto a partilhar o mesmo local de trabalho com João. 

Após um mês do ocorrido, João procurou o administrador e novamente lhe agradeceu, agora não pelo presente, mas sim pela forma coerente, respeitosa e sincera com que fora tratado diante de constrangedor entrave, que se mal direcionado, poderia inclusive virar motivo de chacota e ironia por todos os funcionários da fábrica. 

Há mesmo várias formas de ser sincero, a verdade não necessita de vir como uma espada que fere e machuca. Ela pode vir suave, macia, como um presente, ou mesmo como uma luz que nos clareia caminhos e instrui quando temos de modificar algum comportamento que está causando embaraço a quem nos rodeia. 

A postura do administrador foi de um autêntico líder, porque respeitou seu liderado, não usando de ironia, de palavras ásperas que poderiam lhe causar um impacto negativo. 

Por isso, reflitamos em nossa postura: usamos a sinceridade para ferir? Ou: A utilizamos com brandura, a fim de esclarecer? 

Pensemos então na forma que utilizamos a sinceridade nos mais variados campos de atuação que estamos inseridos, reflitamos na forma como convivemos com o próximo mais próximo, na maneira como lidamos com nosso semelhante, para que não façamos da sinceridade uma arma que causa dor, angustia e aflição. 

Wellington Balbo 
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