União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Amar sem amarrar (amor excessivo)

 

 

 

 

Richard Simonetti

Perguntam-me, freqüentemente,
o que podemos fazer
por familiares desencarnados,
que saibamos não preparados
para enfrentar o retorno
à vida espiritual.

Três iniciativas são básicas.

• ORAÇÃO.

É um refrigério para as almas
penadas, aquelas que se situam
perplexas ante as realidades espirituais
que insistiram em ignorar
no desdobramento de suas experiências.

Quando oramos pelos desencarnados,
não só os beneficiamos
com vibrações balsamizantes,
como evocamos, em favor
deles, a assistência dos amigos
espirituais.

• SERENIDADE.

Os recém-desencarnados permanecem
em estreita sintonia
com os familiares e são muito
sensíveis às suas vibrações.

O desespero, a revolta, a inconformação,
não apenas colocam
em cheque nossa crença, como
atingem os que partiram, exacerbando
suas perplexidades e sofrimentos.

• NORMALIDADE.

Se sofro um acidente e
perco um membro, devo
aprender a viver sem ele,
adaptando-me à nova situação.

Caso contrário, cairei em
depressão e desequilíbrio, que
apenas vão exacerbar
o problema.

A morte de um ente
querido é uma amputação
psicológica.

Sentiremos falta, tanto
maior quanto mais fortes os
elos do amor,
mas é preciso
que nos habituemos
a viver
sem ele, conscientes
de que devemos
seguir em frente,
em nosso próprio benefício.

Sem esse empenho, fatalmente
nos desajustaremos,
com reflexos
negativos no ânimo
daquele que partiu.

Não raro, ao invés
do desencarnado perturbar
o encarnado,
de quem se aproxima,
carente, sofrido, ocorre
o contrário.

Pode parecer inusitado, amigo
leitor,mas a Doutrina Espírita nos
fala de obsessões de encarnados
sobre desencarnados.

Lembro de Roberval, modesto
servidor público, pai de três filhos,
casado com Ifigênia, 

Mulher de bons princípios, preocupada
com a família, mas extremamente
apegada ao marido,
amor possessivo.

Era Roberval pra cá, Roberval
pra lá, em efusões amorosas extremadas
que acabavam por aborrecê-
lo, tirando-lhe a liberdade. 

Não fosse a sua índole pacata, 
haveria sérios conflitos entre eles.

Mel demais sempre enjoa.

Quando Roberval desencarnou,
repentinamente, vitimado
por um enfarto, foi um transtorno
para Ifigênia.

Não se conformava com a morte
do bem-amado, razão de sua
existência.

Lamuriava-se em oração, questionando
os desígnios divinos. 

E chamava pelo marido. 

– Ah! Roberval, onde anda
você, minha
vida?

E, dia e noite,
continuava a história
do Roberval pra cá,
Roberval pra lá!

Não dava sossego para o
pobre marido, mesmo depois
de morto, porquanto suas
vibrações o atingiam em cheio,
reclamando sua presença, aprisionando-
o ao lar.

Tanto se perturbou que os benfeitores
espirituais decidiram interná-
lo em nova encarnação.

Foi a solução para livrá-lo da
pressão desajustada da esposa inconformada.

Por uma questão de afinidade e
disponibilidade, ele reencarnou
como filho de sua filha.

Por sugestão insistente de Ifigênia,
deram o nome do avô à
criança.

Roberval reencarnado recebeu
o mesmo nome.

Como a jovem mãe tinha compromissos
profissionais o dia inteiro,
decidiu confiar a criança à
sua mãe.

Pobre Roberval!

O dia todo se via às voltas com
os excessivos zelos de Ifigênia,
agora sua avó. 

Roberval pra cá, Roberval pra lá! 
Amor que amarra é egoísmo.

É preciso amar sem prender.

Ótimo quando agimos assim.

Nossos amados partem em paz.

Em paz ficamos nós.

Agosto 2008 • Reformador 295