União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Ódios, rancores & Cia, dificuldade a serem vencidas.

 

 

J. Garcelan – email – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.  



Começo este artigo transcrevendo um trecho de uma crônica do famoso escritor português Fernando Pessoa (1888/1935) “A INGRATIDÃO DOS FILHOS” (basta acessar na internet esse título e o terão na íntegra ou www.jlocal.com.br/artigos.php?pesquisa=2630):

“Sob frondoso castanheiro, na vizinhança da carriça transmontana, a velhinha fia. Tem o rosto sulcado pela goiva do tempo, olhos sumidos, lábios finos e boca desdentada.


Fia; e o fuso: gira... gira... e gira... pressionado pelos descarnados dedos. Foi moça fagueira: esbelta, de farta cabeleira calamistrada e de belas faces róseas. Casou, foi mãe. Criou filhos, que abalaram. Todos partiram: uns para o Céu; outros, em busca de vida melhor.



Ficou; mergulhada em saudade e nos cuidados de quem a deixou.


De tempo a tempo, telefonam, escrevem. Prometem interná-la num lar. Daqueles onde se guardam pais e mães que deixaram de ser prestáveis.


“Cuidou dos filhos com amor: ensinou-os a caminhar, a comer, a portarem-se à mesa; aparou a baba que lhes escorregava do beiço; enxugou-lhes o úmido nariz;” (...).


“A genialidade de Pessoa era tamanha que não cabia em só homem”, assim se expressa um de seus biógrafos. 

A partir de 1864 com a publicação do Evangelho Segundo o Espiritismo, a terceira obra da Codificação, os interessados na Doutrina dos Espíritos puderam

ter uma explicação a respeito dos ódios, rancores, antipatias, etc. entre familiares, principalmente entre pais e filhos

– Capítulo XIV – HONRAI A VOSSO PAI E A VOSSA MÃE - item 9 – A Ingratidão dos Filhos e os Laços de Família (edição IDE/1984), destacando-se o seguinte trecho:

“Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior; é a estudá-los que é preciso se aplicar; todos os males têm seu princípio no egoísmo e no orgulho; espreitai, pois, os menores sinais que revelem os germens desses vícios, e empenhai-vos em combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas; fazei como o bom jardineiro, que arranca os maus brotos à medida que os vê despontar sobre a árvore.

Se deixais se desenvolverem o egoísmo e o orgulho, não vos espanteis de ser mais tarde pagos pela ingratidão. Quando os pais fizeram tudo o que deviam para o adiantamento moral dos filhos, se não se saem bem, não têm censuras a se fazer, a sua consciência pode estar tranqüila; mas, aos desgosto muito natural que experimentam do insucesso dos seus esforços, Deus reserva uma imensa consolação, pela certeza que não é senão um atraso, e que lhes será dado acabar em outra existência a obra começada nesta, e que um dia o filho ingrato os recompensará com seu amor (Cap. XIII, nº 19)”.

Acredito que este intróito dá uma ideia das causas de desavenças e porque não dizer de muitas tragédias entre famílias, não importa qual seja a classe social ou o nível cultural de cada integrante.


O surgimento do Espiritismo a partir de 1857, codificado por Allan Kardec nos dá respostas lógicas e convincentes sobre os problemas familiares.

As antipatias, os ódios, rancores, mágoas e afins tem sua origem em muitas existências e só serão sanadas com outras vidas e conseqüente evolução moral e espiritual. Não existe outra resposta. Cabe a cada ser humano encurtar ou alongar a estrada cheia de sofrimentos. Para isso, aí está o Código Divino, independente de qualquer religião para ser ou não seguido.


Os choques coloquiais entre pais e filhos ou entre cônjuges é comum em todas as famílias. A não concordância de atos de uns e outros são resquícios de pretéritos conturbados. Daí, a importância da família; um palco onde todos os personagens se reúnem para tentarem colocar em prática aquilo que foi planejado minuciosamente quando na erraticidade. 

Crimes, vinganças, vaidades, ciúmes, traições, ódios, rancores e principalmente a ingratidão deverão ser sanados por todos os participantes. A tolerância + condescendência + caridade + paciência + humildade etc. = PERDÃO.

Com esse fator, o AMOR refulgirá e um dia todos poderão usufruir das benesses prometidas por Jesus: “Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão a Deus. (São Mateus,cap. V, v, 8)” (vide Cap.VIII, item 1 Evangelho Segundo o Espiritismo-Edição IDE/1984).


Infelizmente, o mau uso do livre-arbítrio fará com que um ou outro integrante do drama repita a cena incessantemente se no decorrer da existência espiritual (ou drama) não houver um mínimo de boa-vontade de crescer.

(...) “Agora é a mãe que carece de mão amiga: quem a ampare; quem cuide; quem lave a veste enodoada; quem apare as unhas endurecidas; quem desvele para que nada falte.” (...). Este é mais um trecho da crônica de Pessoa.

Encerrando este artigo vamos recorrer a Emmanuel através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier no título “HERANÇA” (pag.49- 6º parágrafo) inserida no livro Religião dos Espíritos, edição FEB/1988:

“Nos filhos ingratos, encontras, de novo, aquelas mesmas criaturas que atiraste ao precipício da irreflexão e da violência, a exigirem-te, em sacrifício incessante, a escada do reajuste”. (...)