União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Protegendo a natureza

Aylton Paiva – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.  

Viajávamos, eu e a esposa, de retorno ao lar, quando, à hora do almoço, paramos em um restaurante, ao lado da rodovia.
Entramos e nos dirigimos a uma mesa, onde descansaríamos algum tempo e aproveitaríamos para a necessária refeição.
Sentei-me ante uma parede de vidro que deixava ver o majestoso cenário.

Ao sopé de uma montanha, a bela cachoeira, cujas águas, após a queda, formavam lindo lago, era emoldurada por exuberante vegetação nativa da serra do mar.
Após alguns instantes de contemplação e embevecimento com o natural espetáculo da natureza, imperceptivelmente, pelos caminhos do pensamento, dirigi-me à reflexão sobre a grandiosidade da vida neste planeta maravilhoso.

Na cachoeira de pensamentos que começaram a fluir em meu ego consciente, as primeiras gotículas foram: a preservação do meio ambiente, não só como espetáculo do belo, como, e principalmente, fundamento para a continuidade da Vida.
Na viagem havíamos passado por outras montanhas, montes e vales em que a vegetação natural havia sido totalmente destruída. Rios secados pela gana da produção sem limites, cachoeiras haviam perdido a sua cabeleira de vida pelo assoreamento dos rios.
Ali a vida resistia heroicamente, na triste beleza de um oásis.

Pensando nas exigências, muitas vezes, não éticas do progresso material, assim indagou Allan Kardec, na questão nº. 733 de O Livro dos Espíritos: “ Entre os homens da Terra existirá sempre a necessidade da destruição?” Ao que responderam os Mentores Espirituais: “ Essa necessidade se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria. Assim é que, como podeis observar, o horror à destruição cresce com o desenvolvimento intelectual e moral”.

Um pouco mais adiante, ele apresenta dúvidas, que naquele momento, também eram minhas:

- “ Que se deve pensar da destruição, quando ultrapassa os limites que as necessidades e a segurança traçam?

Os iluminados instrutores espirituais assim responderam:

- “ Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais só destroem para a satisfação das suas necessidades; enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Terá que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa que cede aos maus instintos.”

Rememorei as notícias ouvidas e vistas no Jornal da televisão, na noite anterior, sobre as criminosas queimadas nas reservas amazônicas e as estúpidas derrubadas de centenárias árvores que compõem a floresta, denominada “pulmão do mundo” e” patrimônio da humanidade”.

Continuei olhando para as águas que deslizavam incessantemente sobre as pedras estruturadas em milhões de anos.

Em um suspiro mental, pensei: a Vida triunfará.

Iniciamos a refeição, após algumas palavras para expressar à esposa a grandiosidade daquele cenário, passamos ao trivial do dia a dia.

Quase ao final do almoço, olhei para a mesa ao lado.

Dois senhores, de terno e gravata, aspecto sério; um deles, pelo celular, passava informações, possivelmente à secretária ou a um subordinado, quem sabe sediados em um dos confortáveis e luxuosos escritórios de internacionais empresas, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Ao seu lado, a senhora discreta em seu terninho escuro, digitava e confirmava informações pelo notebook.

Pensei... para esses o progresso é dinheiro e o que tiver que ser feito para ganhar dinheiro será feito! Não descansam nem na hora do almoço.

É... pensamos muito rápido para julgar os outros.
Terminada a refeição dirigimo-nos para a fila de pagamento das despesas.

Por coincidência, à frente estava o trio.

Próximo, pude ouvir o diálogo que tramavam:

- Estou muito preocupada com a minha cachorrinha. Ela não está bem!
O sisudo senhor, agora com uma fisionomia humana, procurava consolar e orientar a sua companheira.

E a conversa prosseguiu com os interlocutores revelando suas preocupações com animais e com a Natureza.

Lembrei-me das águas despencando da milenar formação rochosa e a minha confiança: A Vida triunfará!

Façamos a nossa parte... por pequena que ela seja!