União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Sinceridade, um caminho para a evolução

J.Garcelan 

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

A Humanidade, impregnada com seus defeitos morais no estágio evolutivo em que se encontra, busca nas religiões uma resposta às suas angústias e frustrações. Isso acontece desde os primórdios dos tempos. Na atualidade essa procura é mais intensa na medida

em que o homem cria fundamentos e seitas às centenas em busca de prosélitos que possam lhes satisfazer os anseios materiais. Para estes, naturalmente, resgates dolorosos, para àqueles, devido principalmente a sua fé baseada na ingenuidade, a evolução, uma vez que a sinceridade é a base e o caminho para uma vida futura melhor.

Nós, espíritas, conhecedores do evangelho, ou Boa Nova, em sua pureza, temos a oportunidade de ser possuidores de um conhecimento que nos foi dado pelo Espírito de Verdade, através da codificação, cujo codificador foi Allan Kardec.

Lutamos todos os dias para sanearmos nossos defeitos morais, o orgulho e seus filhos diletos, o egoísmo, a vaidade etc., além do ódio, o rancor, a mágoa, a inveja e assim por diante. “Muito será pedido a quem muito foi dado”. Nessa luta diária, vamos adquirindo aos poucos, sem nos apercebermos, algumas virtudes que nos servirão para “engrossar nosso dossiê positivo”. E no momento cruciante, quando nossa consciência se organiza para um “julgamento” de nossos atos, em nossas reencarnações, essas virtudes adquiridas naturalmente, sem hipocrisia, serão nossos advogados de defesa e é será nesse momento que nos lembraremos do “A César o que é de César”.

Isso tudo nos faz lembrar de um escritor cujo pseudônimo é Malba Tahan, ou seja, Julio Cezar de Mello e Souza, nascido no Rio de Janeiro em 1895 e desencarnado em 1974. Trabalhou como jornalista e escreveu cerca de sessenta livros, o mais famoso o - Homem que Calculava. Embora desencarnado suas obras continuam a deleitar milhares de pessoas. É dele o artigo que vamos transcrever. “Sincera é uma palavra doce e confiável. Sincera é uma palavra que acolhe. É essa palavra que deveria estar no vocabulário de toda alma. Sincera foi uma palavra inventada pelos Romanos. Sincero vem do velho, do velhíssimo latim... Eis a poética viagem que fez sincero de Roma até aqui: Os romanos fabricavam certo vaso de uma cera especial. Essa cera era, às vezes, tão pura e perfeita que o vaso se tornava transparente. Em alguns casos chegava-se a distinguir um objeto – um colar, uma pulseira, ou um dado – que estivesse colocado no interior do vaso. Para o vaso, assim fino e límpido, dizia o romano vaidoso: - como é lindo... parece até que não tem cera! “Sine-cera” queria dizer: “Sem cera”, uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes. Da antiga cerâmica Romana, o vocábulo passou a ter um significado muito mais elevado. Sincero é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações. O sincero, à semelhança do vaso, deixa ver, através de suas palavras, os nobres sentimentos de seu coração”.

Os nobres sentimentos do coração, o encerramento de um artigo e o começo de uma nova era para quem, a exemplo dos romanos, começarem a moldar em seu imo o vaso de cera transparente que mostrará a verdadeira vocação do espírito reencarnado, ou seja, a evolução.

Naturalmente, existem outros predicados que o encarnado vai adquirindo ao longo de uma existência dedicada ao bem ou pelo menos no esforço de fazê-lo, entre eles a paciência, a humildade etc.; mas a Sinceridade é, provavelmente, o melhor sintoma para uma evolução feliz e sofrimentos minorados.

Ao consultarmos o Dicionário Aurélio, destacamos dois itens: adjetivo: 1. que se expressa sem artifício, sem intenção de enganar; franco, leal: 4. verdadeiro, autêntico, puro. A definição é longa e toda ela positiva.

Quando militamos na Seara Espírita temos a oportunidade de socorrer muitos espíritos que passam por transes trágicos devido a encarnações difíceis e que devido ao materialismo adquirido na “Porta Larga” desconhecem a sua verdadeira situação. Assim, podemos verificar que nenhum deles conhece a definição da palavra sinceridade, pois se a conhecessem não estariam naquela situação. Mesmo os espíritos mistificadores que se servem de médiuns não educados (ou orientados) e usam de todos os artifícios para enganar seus interlocutores e suas “vítimas”, podem ser facilmente detectados se as pessoas que ali estão trabalhando estão no caminho correto da sinceridade. E como um “radar”, vai detectando as imperfeições e dar a solução correta juntamente com os orientadores espirituais que agradecem essa qualidade, pois assim a facilidade de socorrer irmãos infelizes é muito mais simples e menos complicada.

Assim como o vaso romano, nos transformamos em pessoas transparentes fazendo com que nosso próximo ao olhar em nossos olhos confie em nossas boas intenções, mesmo quando essas intenções são de ajuda ou de subalternos no nosso ganha-pão do dia-a – dia e mesmo de patrões ou executivos e líderes nos mais diversos setores da sociedade.

As pessoas sinceras cativam seus semelhantes e interlocutores numa convivência às vezes momentânea, outras a médio e longo prazo.

Com a sinceridade atingiremos outros atributos morais que nos levarão a evolução espiritual e certamente conseguiremos cumprir o que planejamos ao reencarnarmos para resgatar débitos dolorosos do passado.


Publicado na RIE de novembro/2006.