União das Sociedades Espíritas
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Se teus olhos forem bons...

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Os amigos Divaldinho e Luiz Antonio, conhecidos tarefeiros espíritas da cidade paulista de Votuporanga-SP, presentearam-me com o mais recente lançamento da Editora Didier, cujo nome usamos para título desta abordagem. A autoria é de Irmão José, lúcido autor espiritual que tem se utilizado da mediunidade de Carlos Baccelli.

Irmão José tem uma maneira muito peculiar de escrever. Seus textos são muito claros, objetivos, esclarecedores, sendo muito agradável ler e acompanhar seu raciocínio nos inúmeros livros que já ofereceu para nossas reflexões.

Com belíssima capa estampando os olhos de bonita estampa de Jesus, o livro possui 52 capítulos. Impossível comentar num único artigo o conteúdo do livro, todo ele repleto de valiosos esclarecimentos. Todavia, detenho-me no capítulo 6, foco desta abordagem. Trata-se do capítulo Luta e Evolução.

Há uma frase, constante da página 34 (da 1ª edição), que não posso deixar de trazer à reflexão dos leitores: O Espírito que não cresce sofre para crescer; o espírito que cresce paga o tributo de sua ousadia, antecipando-se àqueles que, no comodismo, se sentem compelidos por ele a caminhar...

Notemos a profundidade da frase. Assemelha-se a um “preço da evolução”, pois que é o que realmente ocorre. Todos deveremos atingir patamares de felicidade e progresso, a custo do próprio esforço, o que é coerente com a justiça. Para crescer (considere-se aqui em todos os sentidos), é preciso esforço, sacrifício, renúncia, dedicação. E que, obviamente, traz o mérito das próprias conquistas.

Quem se acomoda, adia a felicidade. Quem tem iniciativa, atitude de busca e dedicação ao próprio aperfeiçoamento, igualmente enfrentará as dificuldades próprias de tais esforços, oriundas de si mesmo e externamente, dos inconformados com as conquistas alheias e indiferentes à necessidade permanente de progresso.

É o que encontramos na realidade de nossos relacionamentos. Os dedicados, ousados, criativos, muitas vezes são chamados de fanáticos, são criticados, perseguidos, caluniados. E “pagam o preço” da própria ousadia de avançar, mas igualmente alcançam os méritos do esforço empreendido.

Ao mesmo tempo, acomodados e indiferentes também vivem no círculo próprio dos que resistem, encontrando os reveses inerentes ao estado que alimentam.

É que o progresso é Lei Divina, não há como impedir. E ele, o progresso, impulsiona-nos a prosseguir. E resistir ao progresso é lutar contra uma Lei Natural, o que naturalmente gera aflições. Entregar-se a ele também, pois que constitui desafio de crescimento, mas com os méritos decorrentes.

E completa o Espírito autor: Os Espíritos Superiores não têm a mesma visão do mal que os homens possuem; com as luzes que acendem em seu interior, desenvolvem mais ampla compreensão da dor e do sofrimento, entendendo a lágrima como processo indispensável. Por este motivo, não se afligem e não se angustiam contemplando, de Mais Alto, os pesares do homem que se arrasta com seu fardo; compadecem-se, mas, conforme se encontra exarado nas luminosas páginas de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, consideram que a dor “é uma benção que Deus envia a seus eleitos”... A verdade é que, sem verter o suor do sacrifício, desde os primórdios da Criação até que se redima na Cruz de suas mais altas aspirações, o espírito não progride. Cada dia, para ser proveitoso, há de significar para o homem na Terra um desafio a ser superado. Deus não nos criou para o ócio eterno (...); individualmente, somos chamados a cooperar no aperfeiçoamento da Obra Divina, e ninguém nos substituirá na parte que nos cabe.

E esta notável conclusão no capítulo em referência:

Ao passo em que avança, o espírito passa a exigir muito mais de si mesmo e se torna inquieto por realizar em si o Reino de Deus. O que nos parece fanatismo e excessivo desprendimento das coisas do mundo material é incontido anseio de evolução que, em certas circunstâncias, o espírito experimenta, anelando o seu rompimento definitivo com as trevas da ignorância milenar em que se acomoda.

Notável a expressão: inquieto por realizar em si o Reino de Deus!

Ou ainda a outra seguinte: incontido anseio de evolução!

Indicadoras, sem dúvida, do caminho a percorrer, sob a luz do esforço próprio.

O próprio título da obra, extraído das anotações de Mateus (cap. 6, v.22) e completado na 4ª capa, , com ...todo o teu corpo terá luz, já é uma indicação clara do esforço que nos cabe para avançar continuamente, a começar pela maneira como vemos tudo que nos rodeia, com o mérito decorrente da nova forma de enxergar...

Parabéns à DIDIER pelo excelente lançamento.

Quanto aos demais capítulos, entrego aos leitores para que apreciem a notável obra.

Com esta abordagem, cremos que temos substancioso estímulo para início e construção de um ano novo em parâmetros de equilíbrio e serenidade, principalmente se nossos “olhos forem bons”



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