União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Drogas e o espiritismo: A sociedade moderna

 

Por Francisco Aranda Gabilan

 

Cada século tem indubitavelmente o seu mal. O passado, segundo os próprios Espíritos que se manifestaram na época, era marcado pelo orgulho e pelo egoísmo, apesar do avanço extraordinário do conhecimento humano de então. O século presente, tem sido marcado, no lado bom, pelo avanço tecnológico, mas no lado deficiente está cada vez mais crescentemente às voltas com incontáveis conflitos materiais e morais. Mas, ao lado da fome, da corrupção, da incredulidade, há um mal se enraizando de maneira insidiosa e veloz; mais que um mal, um flagelo: as drogas.

É, sem dúvida, um dos maiores e dos piores flagelos de que a Humanidade tem notícia!

Os vícios, de um modo geral, estão alterando o curso da história da criatura humana, degradando o ser, aniquilando sua personalidade, levando-o ao desequilíbrio total, à loucura, à violência e, não raro, ao suicídio.

A base da culpa da sua disseminação está, sem dúvida, na ausência de valores morais da sociedade dita moderna, na busca imediatista de prazeres desconhecidos, num desejo de preencher o vazio interior mediante métodos que efetivamente não conduzem aos efeitos desejados.

Uso e abuso


A indução inicial ao uso das drogas decorre, quase sempre, da influência ou convivência com outros viciados, que acabam por despertar, inicialmente, a curiosidade dos inexperientes, ou então, da “venda da idéia” (falsa) de que devem defender-se da insatisfação com o mundo, mediante o ganho de uma pretensa euforia, disposição e coragem.

Mas, num plano mais amplo, o incentivo ao uso não se evidencia simplesmente nos núcleos de insatisfeitos, mas está fortemente influenciado por um gigantesco comércio ilegal, de poderosas organizações multinacionais em busca de vultosos lucros, de ganhos fáceis e de manutenção de “presas” vivas (os viciados), as quais, escravizadas, são impulsionadas a alimentar o vício. É uma verdadeira “ação de guerra” traçada e dimensionada por mercadores, traficantes e simples passadores das drogas, nos pontos mais estratégicos da atividade humana.

Não são poupadas criaturas de nenhuma idade, sexo, raça, profissão ou situação social, as quais, depois de enredadas no uso constante, no exercício da dependência, para satisfazer suas necessidades são levadas à mentira, à venda de bens pessoais, e, num grau mais avançado, ao roubo, ao assalto, ao seqüestro, chegando mesmo ao homicídio.

Passa a ser um flagelo sem limites e sem fronteiras!

A experimentação leva ao uso; o uso leva ao abuso; o abuso leva à dependência; a dependência leva à morte -- moral e também física.

Ação da família


Lastimavelmente, tem-se presenciado o esfacelamento da célula familiar, seja em razão de pressões econômicas, seja pelo materialismo arraigado, seja pela degradação de valores morais e ausência de valores espirituais, e seja, até mesmo, pelo enfraquecimento da personalidade das criaturas eternamente insatisfeitas com sua real posição no mundo e na sociedade.

Esse cenário familiar é o caldo de cultura propício para empurrar os filhos para as drogas: um pouco de facilidade, muito de desregrada liberdade, bastante de desamor e um imenso NADA nas vidas.

Mas, ainda assim, competirá exatamente à própria família a tarefa de resgatar o jovem dos braços dos tóxicos. Somente ela poderá, com perspicácia, com coragem e com muito amor, sobretudo, avaliar a situação, mudar o quadro do comportamento familiar, e, afinal, buscar o caminho do tratamento médico adequado, que, muitas vezes, exigirá o sacrifício doloroso (mas redentor) do isolamento do viciado do convívio social.

Cuidados


Como Espíritas, temos o dever de lutar, com todas as armas, para combater os vícios de toda a sorte, fortalecendo a fé, implantando princípios de reta moral, tudo conseguido à custa do fortalecimento dos laços familiares, alertando para os compromissos que todos têm uns para com os outros, visando um futuro mais venturoso e menos penoso.

Jamais poderemos pactuar com as falsas “teses libertárias” que grassam por aí, tal como a da descriminação (descaracterização criminal) do uso das drogas. Liberar não é combater; combater é tratar quem já precisa e conscientizar quem ainda não entrou em tal triste caminho.

Fazemos nossas as judiciosas e ponderadas palavras de Emmanuel (Lições de Sabedoria, pg. 132):

“Mesadas grandes que não são acompanhadas de carinho e de calor humano paterno e materno geram conflitos muito grandes. Muitas vezes a privação do dinheiro, o trabalho digno e o afeto vão construir uma vida feliz.” E arremata, quanto ao movimento de descriminação das drogas: “Se elas sempre foram prejudiciais até agora, será com palavras que vamos torná-las úteis?”