União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

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O RETORNO DE JESUS - Richard Simonetti

 

 

João, 21:18-23

Prosseguindo o diálogo com os discípulos, Jesus dirigiu-se a Pedro:

– Em verdade, em verdade, te digo: quando eras mais moço, tu te cingias e andavas por onde querias.

Mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde tu não queres.

 

Trata-se de um aforismo, relacionado com a mocidade e a velhice.


O jovem se cuida; o velho é cuidado.


O jovem tem a iniciativa; o velho, a dependência.
No contexto evangélico Jesus queria dizer que o apóstolo teria uma morte não desejável, como de fato aconteceu, martirizado em Roma.

 

***

Acrescenta Jesus ao apóstolo:

– Segue-me.

Essa expressão tem sido empregada em todos os tempos, como um forte apelo aos que se afinam com o Evangelho.


Aquele que realmente sente a grandeza e o significado dos ensinamentos de Jesus, é convocado a acompanhar o Mestre, a partir da suprema orientação

 

–  FAZER AO SEMELHANTE O BEM QUE GOSTARÍAMOS NOS FOSSE FEITO.


Virando-se, Pedro viu que João também os acompanhava. Perguntou:

 

– Senhor, e este?

 

Era como se perguntasse se João também passaria pelos seus testemunhos.

Recebeu enigmática resposta:

– Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa?

Segue-me tu.

Aparentemente, João não teria o mesmo destino.


Imaginou-se que ele não morreria enquanto Jesus não voltasse para suposto juízo final.


Quando o apóstolo morreu, em idade avançada, houve grande decepção na comunidade cristã.


Jesus não viera.


Não obstante, permaneceu a convicção de seu retorno em remoto futuro.


O tempo passou e ele não chegou, contrariando datações que se sucediam.


Na virada do primeiro século…
Ao completar-se o primeiro milênio…


Ao final do segundo, a expectativa era grande. Havia até um vaticínio supostamente contido nos Evangelhos:

 

De mil passou, a dois mil não chegará.

 

Algumas seitas pretenderam definir datas, frustrando-se quando elas chegaram e nada aconteceu.


Apesar desse fracasso, ainda hoje se cultiva, intensamente, a ideia de que o Mestre está para chegar.


Em fachadas de casas, em decalques em automóveis, em pára-choques de caminhões, frases enfatizam:

 

Jesus está chegando!

 

E alguns, no afã de se dizerem merecedores do Mestre, adotam afirmativas assim:

 

Eu sou de Jesus!

 

E tudo passa a ser de Jesus.
Em alguns automóveis, a expressão:

 

Propriedade de Jesus.

 

Um ladrão preso após roubar um carro que estampava essa frase, justificou:


– Ganhei de Jesus!

 


***

 

Jesus virá, realmente?


Fazer o quê?


A mensagem maior, já nos ensinou:-   O AMOR.   


É a essência do Universo, o hausto criador de Deus, a força suprema que preside o equilíbrio dos astros.


Dizem alguns:


Haverá o julgamento!


Danação eterna para os maus!


Eternas benesses para os bons!


E onde fica a infinita misericórdia de Deus, que pressupõe oportunidades infinitas de reabilitação para os transgressores das leis divinas?!


Pior – estaria comprometida a Justiça perfeita de Deus, já que não há crimes, por mais tenebrosos, que justifiquem o castigo sem fim, partindo de elementar princípio:

 

 -  a extensão da pena não pode ultrapassar a natureza do crime.
Seria o mesmo que condenar alguém à prisão perpétua pelo roubo de um pão.


Uma vida de crimes, muitas vidas de crimes, representam mera gota-d’água no oceano da eternidade!

 

***

Não há por que esperar pelo Cristo.


Compete-nos ir até ele no Reino de Deus, que, conforme ensina o Mestre, está dentro de nós.


ENTÃO,

 

ESSE ENCONTRO SAGRADO OCORRERÁ,

NA INTIMIDADE DE NOSSO PRÓPRIO CORAÇÃO,  

 

QUANDO NOS DISPUSERMOS, COM TODAS AS FORÇAS DE NOSSA ALMA, A ATENDER ÀQUELE SEGUE-ME, COM QUE O MESTRE NOS CONVOCA DESDE SEMPRE.

 

Livro Antes que o Galo Cante