União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Vamos separar o joio do trigo

Desde minha mocidade que escuto dizer a seguinte frase: “o livro é bom apesar de ter algo que não condiz com a Codificação” quando nos referimos a uma determinada obra espírita. A resposta vem logo a seguir: “Aproveite o que é bom é o resto jogue fora.” É uma boa resposta para quem está vendendo Cultura Espírita, sejam elas, filosóficas, científicas ou religiosas, ou ainda romances onde está incluído o tripé do Espiritismo ou apenas uma das bases deste, com o fim de divulgação e lazer, além de lenitivo (para muitos) e muita curiosidade. Isso até poderia se justificar se em nosso País não houvesse analfabetos e o nível cultural fosse bastante razoável. Sabemos que o Pentateuco não é lido por todos os espíritas, daí a dificuldade de se entender como se deveriam muitas das obras espíritas e outras pseudo-espíritas. Surge então o misticismo entre nossos confrades, que chegam a fazer em searas espalhadas pelo interior do Brasil o sinal da cruz e a veneração de santos etc., continuando o sincretismo religioso nascido no Brasil colonial. 

Levará ainda muitos anos para que a lavagem cerebral a que a humanidade sofreu durante muitos séculos seja totalmente extirpada. Mas, para isso é necessária uma maior vigilância na edição de publicações de qualquer tipo para que os leitores de um modo geral não façam confusão, pois se não conhecem nem o joio e nem o trigo, como irão identificar o que está ou não está na Codificação, quando lerem um simples romance espírita? 

Não vamos aqui mencionar nenhuma editora e muito menos obra de quem quer que seja, porém, é necessário que tanto aquela como escritores espíritas se conscientizem da necessidade de não deixar o “joio” introduzir-se na leitura e ensinamentos espíritas, pois seria necessário muito mais tempo para se fazer a colheita, a não ser que façamos como os agricultores que colhem o trigo e depois queimam o joio pensando que assim estariam eliminando a praga de futuras plantações. A semente do joio pode ficar adormecida no solo durante muitos anos e depois voltar com toda a força que a natureza lhe concede, uma vez que elas podem ser contaminadas por animais que eventualmente dele se alimentam como forragem. 

Como o leitor pode verificar estamos metaforicamente estabelecendo o trigo como a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec em 1857 com a edição do Livro dos Espíritos e o joio como o sincretismo religioso, este, introduzido em muitas das obras pseudo - espíritas. 

O Evangelho, ou seja, o Segundo Testamento nos traz a parábola do trigo e do joio. 

Mateus 13: (24 -30). Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Porque tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro. 

A interpretação dessa parábola poderia sugerir algumas discussões, mas, de qualquer forma, vamos pensar pelo lado em que o joio da humanidade ainda é maioria e o trigo a minoria, tendo em vista os acontecimentos diários que nos rodeiam. 

Se assim é, nós espíritas de uma maneira geral devemos contribuir para que todos recebam informações corretas e desta forma os trigais nascerão com menos joio e será muito mais fácil para Jesus, nosso amado Mestre, arrebanhar as ovelhas perdidas de seu rebanho, ou seja, poderemos desta forma termos menos tempo de sofrimento. 

Kardec, quando da Codificação estabelecida pelo Espírito de Verdade nos deixa bem claro que “Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade”. 

Os espíritas ou os que desejam entender o que é Espiritismo em sua maioria, ou seja, aqueles freqüentadores das casas espíritas espalhadas pelo Rincão Brasileiro, na sua humildade ingênua cheios de esperança e fé ainda esperam ver “milagres”; outros com seu linguajar característico gostam de ver “espírito falar” e assim por diante. Não conseguem entender nem mesmo a frase criada por Kardec a respeito da razão face a face... 

Há muitas razões para que as publicações sejam vigiadas constantemente, honestamente e acima de tudo religiosamente, dentro dos princípios doutrinários que Jesus nos deixou e “ressuscitados” através da Codificação. 

Naturalmente, refiro-me a literatura espírita, pois nada tenho contra qualquer tipo de publicações, pois sou um adepto incondicional de livros sejam eles quais forem. Mas, quando se trata de publicações destinadas à divulgação do Espiritismo penso que estas devem estar corretamente dentro dos princípios divulgados pelo nosso querido irmão e Mestre Hippolyte Leon Denizard Rivail. Aliás, não devemos esquecer do aviso de Emmanuel, mentor espiritual de Francisco Cândido Xavier quando de seus primeiros encontros e que seria mais ou menos isto: “Se algum dia eu disser alguma coisa fora de Kardec, afaste-se de mim”. 

É certo que muitas pessoas necessitam de uma vela acesa, uma imagem, ou outro objeto qualquer para atingirem o ápice da fé; isso é psicológico. Mas, na medida em que forem assistindo boas palestras e lendo livros que explicam claramente o que é a Doutrina Espírita sem nenhuma deturpação, esses costumes adquiridos através dos milênios irão sendo diminuídos pouco a pouco até que, em meio a barulhos “infernais”, a concentração para uma oração será tão simples como beber um copo de água. E para isso é necessária a cooperação de todos os espíritas esclarecidos com as obras da Codificação – O livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, o Céu e o Inferno e a Gênese, além, claro, das publicações que surgiram após, dentro da doutrina inserida nos livros mencionados. 

Não nos esqueçamos que a Doutrina Cristã permaneceu pura por quase 300 anos, sendo deturpada na medida em que os homens começaram a modificá-la para atender desejos escusos. 

J.Garcelan 
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Matéria publicada no Jornal “O CLARIM” – janeiro de 2007 – número 6 – Página 8