União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

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A função da dor e o Espírito

 
 
 
 
 
 
 
Pois se os animais têm uma inteligência que lhes dá certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria? 

Sim, e que sobrevive ao corpo. 

(O Livro dos Espíritos”, questão 597) 

O Sofrimento, a se traduzir por obstáculos ao bem-estar, constitui-se em estímulo ao progresso do princípio inteligente, que inicia a sua longa trajetória evolutiva, desde os reinos considerados inferiores da Criação. 

Os embaraços levam o ser ao exercício de suas faculdades intelectuais, com o propósito de superá-los, criando alternativas e caminhos. 

Ninguém sofre, pois, tão-somente para resgatar determinado débito adquirido em vidas anteriores. Sofre-se, igualmente, pela maior expansão de si mesmo diante da Vida! 

Em outras palavras, a dor não é somente determinada pelo carma que se esboçou a partir de uma ação... Ela é natural conseqüência da imperfeição do espírito, a sofrer pelo passado e pelo futuro. 

Não possuindo livre arbítrio, é natural que os animais sejam despojados de carma. Por que, então, sofreriam? – pergunta-se. É que neles, se assim podemos nos expressar, o princípio inteligente encontra-se em franca expansão, objetivando a conquista da razão e, com ela, a faculdade de discernir. 

Teria Jesus sofrido por si mesmo? - questiona-se. É evidente que, sendo um Espírito Puro, já em perfeita identidade com o Pai, não havia nele a necessidade de sofrer. O seu sofrimento foi devido a causas externas, e não internas. 

O Cristo padeceu as circunstâncias do meio onde viera viver, entre as criaturas encarnadas, assim como, por exemplo, alguém que delibere viver num ambiente insalubre estará exposto a consequências conhecidas. 

Voltando à questão da dor nos animais e nos homens comuns, saliente-se que a intensidade da dor é relativa à consciência gradativa que dela se possui. 

Nos seres racionais, à dor física acrescenta-se a dor de natureza moral, que costuma ser, inclusive, desencadeante da primeira. 

Uma dor moral lancinante pode repercutir no somático, ou seja, no corpo físico, dando origem a processos enfermiços de grande complexidade. Do mesmo modo, uma dor eminentemente material pode induzir o espírito a reflexões que terminarão por operar a sua renovação... 

O Espírito Superior possuiu anticorpos naturais em seu perispírito, que o impedem de sofrer, qual o comum dos homens, a agressão do meio no qual é chamado a reencarnar. Não se trata somente das defesas orgânicas herdadas daqueles que se lhe fazem genitores. 

Caso Jesus não tivesse sido morto pelos homens, o seu desenlace ocorreria pela exaustão natural das forças vitalizadoras do organismo, destituído de qualquer fragilidade em seu sistema imunológico. Tanto é assim, que o seu próprio corpo não esteve sujeito à degradação em acometimento aos corpos que, com a morte, se putrefazem e se decompõem. 

Existe enorme diferença entre o cinzel com que o artista transforma o mármore em obra de arte e o martelo que, manejado por mãos inconsequentes, sobre a pedra se abate. 


Sem procurá-la voluntariamente, urge que o homem compreenda a função da dor na Vida e se torne dócil aos seus alvitres, para, em deixando de lhe ser luz ao espírito, ela não se transformar em fogo destruidor. 


(Página extraída do livro-Segundo O Livro dos Espíritos, editora Didier, Carlos A. Baccelli /Irmão José) www.editoradidier.com.br