União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Cartas de uma morta

Não são poucos os que na morte presumem o encontro inesperado de uma fonte 
inesgotável de onisciência e julgam, na sua inércia intelectual, que os 
espíritos são criaturas sobrenaturais, cuja zona lúcida já atingiu o zênite do conhecimento. 

Tais julgamentos são absolutamente falsos não só na sua base como 
na sua estrutura, porquanto supõem que o espírito encarnado representa outra 
individualidade, CONFERINDO À CARNE DETERMINADOS PODERES, que ela está muito longe de possuir na sua situação de elemento passivo e maleável. 

A matéria, 
com o seu complexo atômico, nada mais significa que um revestimento 
temporário, condição necessária à tangibilidade do ser. 

Todavia, somente quando as lesões orgânicas, dentro das provações 
individuais, geram obstáculos ao surto evolutivo da personalidade, tem ela 
uma zona de influência natural sobre o desenvolvimento moral dos indivíduos. 

Por exemplo, os loucos (não obsessos), os cegos de nascimento, os 
que surgem do berço com graves deslizes de ordem corporal, semelhantes 
espíritos têm a empecer-lhes o círculo do progresso na atuação do organismo. 

Mas, na generalidade dos homens, a matéria nada mais é que a veste 
temporária, que o fenômeno da morte nos faz trocar por outra, diferente em 
suas expressões estruturais, porém, sempre à mesma base de ordem material, 
de acordo com as necessidades do novo plano onde teremos de desenvolver as 
nossas atividades. 
É, portanto, natural que o nosso ambiente em grande parte 
ainda seja caracterizado pelas ideias e concepções da Terra. 

São inúmeros os que examinam as nossas descrições do espaço 
imbuídos de ideias preconcebidas, incapazes de nos criticar com isenção de ânimo. 

Contudo, isso não altera a nossa maneira especialíssima de viver 
aqui. As leis naturais são sempre as mesmas. A ordem, na sua expressão divina, não pode ser modificada. 

Se os núcleos humanos entrassem no 
torvelinho de uma conflagração universal e se todas as criaturas perdessem a 
vida em excessos, o sol não deixaria de fazer o seu percurso na imensidade; 
a luz prosseguiria com as suas mudanças, as correntes polares seriam as 
mesmas, a natureza continuaria criando sob o olhar misericordioso de Deus e 
as estrelas, entre os seus reflexos, sorririam, de longe, para a Terra silenciosa e desabitada. 

É inútil, portanto, revoltar-se ou sentir 
incompreensões em face das nossas exposições da vida real. 
A crítica não 
destrói as realidades, por mais judiciosa que nos pareça. 


Nossa vida aqui é o prolongamento da vida humana. Não existem 
vazios no Universo. Todas as zonas interplanetárias estão repletas de vida 
em suas manifestações multiformes. Uma gota d'água encerra um universo 
infinitesimal onde uma grande humanidade microscópica vive, trabalha e palpita. 

Se Deus se conserva inatingível ao nosso entendimento atual, 
porquanto não podemos concebê-lo segundo a nossa individualidade, único 
índice que possuímos para apreciar os outros, também a Vida como 
manifestação de sua divindade ainda não é compreendida por nós, em toda a 
intensidade de suas grandezas multiformes. 

Livro: Cartas de Uma Morta 

Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Maria João de Deus 

LAKE - Livraria Allan Kardec Editora 

Nota de Fernando Peron (setembro de 2010): 

Esta é a segunda obra psicografada por Chico Xavier e lançada em 1935, 
quando o médium estava com 25 anos de idade. 

Maria João de Deus é sua mãe, 
desencarnada quando ele contava 5 anos de idade. 

Entrevista com Chico Xavier: 

- De sua bibliografia mediúnica, quais as obras que você mais prazer teve em receber? 

-Pessoalmente, dedico imensa estima ao livro "Cartas de Uma Morta", por serem palavras de minha mãe Maria João de Deus, a quem devo uma abnegação sem limites, 

e o livro Paulo e Estevão", na psicografia do qual o nosso Emmanuel me trouxe lições e observações inesquecíveis."