União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Os conflitos internos da casa espírita estão lhe esgotando?

 
BICHINHOS (história de Irmão X) 

Você se declara esgotado pelos conflitos internos da instituição espírita de que se fez devotado servidor, e revela-se faminto de uma solução para os problemas que lhe atormentam a antiga casa de fé. 

Lutas entre companheiros e hostilidades constantes minaram o altar do templo, onde muitas vezes, você observou a manifestação da Providência Divina, através de abnegados mensageiros da luz, e hoje, ao invés da fraternidade e da confiança, do entusiasmo e da alegria, imperam no santuário a discórdia e a dúvida, o desânimo e a tristeza. 

Vocês nos pedem um esclarecimento, entretanto, a propósito do assunto, lembro-me de velha e valorosa árvore que conheci em minha primeira infância. Verde e forte, assemelhava-se a uma catedral na obra prodigiosa da Natureza. 
Cheia de ninhos, era o palácio predileto das aves canoras que, em suas frondes, trinavam felizes. Tropeiros exaustos encontravam à sua sombra, que protegia cristalina fonte, o reconforto e a paz, o repouso e o abrigo. 

Lenhadores, de quando em quando, furtavam-lhe pedaços vivos e peregrinos ingratos roubavam-lhe ramos preciosos para utilidades diversas. 

Tempestades terríveis caíam sobre ela, anualmente, oprimindo-a e dilacerando-a, mas parecia refazer-se, sempre mais bela. Coriscos alcançaram-na em muitas ocasiões, mas a árvore robusta ressurgia, sublime. 

Ventanias furiosas, periodicamente, inclinavam-lhe a copa, decepando-lhe galhos vigorosos; a canícula costumava rodeá-la de pesados detritos . . . 

O tronco, porém, sempre adornado de milhares e milhares de folhas seivosas, parecia, inabalável e invencível. 

Um dia, contudo, alguns bichinhos começaram a penetrá-la de modo imperceptível. 

Ninguém lhes conferia qualquer significação. 
Microscópicos, incolores, quase intangíveis, que mal poderiam trazer ao gigante do solo? 

Viajores e servos do campo não lhes identificaram a presença. 

Mas os bichinhos multiplicaram-se, indefinidamente, invadiram as raízes e ganharam o coração da árvore vigorosa, devorando-o, pouco a pouco . . . 

E o vegetal que superara as ameaças do céu e as tentações da Terra, em reduzido tempo, triste e emurchecido, transformava-se em lenho seco, destinado ao fogo. 

Assim também, meu caro, são muitas das associações respeitáveis, quando não se acautelam contra os perigos, aparentemente sem importância. 

São admiráveis na caridade e na resistência aos golpes do exterior. Suportam, com heroísmo e serenidade, estranhas provações e contundentes pedradas. 

Afrontam a calúnia e a maldade, a perseguição e o menosprezo público, dentro de inalterável paciência e indefinível força moral . . . 

Visitadas, entretanto, pelos vermes invisíveis da inveja ou do ciúme, da incompreensão ou da suspeita, depressa se perturbam e se desmantelam, incapazes de conhecer que os melindres pessoais são parasitos destruidores das melhores organizações do espírito. 

Quando o “disse-me-disse” invade uma instituição, o demônio da intriga se incumbe de toldar a água viva do entendimento e da harmonia, aniquilando todas as sementes divinas do trabalho digno e do aperfeiçoamento espiritual. 

- Que fazer? - pergunta você, assombrado. 
Dentro de minha nova condição, apenas conheço um remédio: 

- nossa adaptação individual e coletiva à pratica real do Evangelho do Cristo. 

Contra os corrosivos bichinhos do egoísmo degradante, usemos os anti-sépticos da Boa Nova. 

- “Se alguém quiser alcançar comigo a luz divina da ressurreição – disse o Senhor -, negue a si mesmo, tome a cruz dos próprios deveres, cada dia, e siga os meus passos.” 

Quando pudermos realizar essa caminhada, com esquecimento de nossas carunchosas suscetibilidade (melindres), estaremos fora do alcance dos sinistros micróbios da treva, imunizados e tranqüilos em nosso próprio coração. 

Do livro: Cartas e Crônicas – escrito pelo irmão X – psicografado por Chico Xavier