União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Importante - Fixação Mental ( in Estudando a Mediunidade )

 

Martins Peralva 

Podemos definir o estado de fixação mental de uma criatura, encarnada ou desencarnada com aquele em que ela nada vê, nada ouve, nada sente além de si mesma.

Explicar o mecanismo da fixação mental, tal qual se verifica, não é coisa fácil.

O próprio Hilário assim o diz, na consulta que faz ao esclarecimento Assistente Áulus:

“Sinceramente, por mais me enforce grande é a minha dificuldade para penetrar os enigmas da cristalização do Espírito em torno de certas situações e sentimentos. Como pode a mente deter-se em determinadas impressões, demorando-se nelas, como se o tempo para ela não caminhasse?”

Faremos, todavia, o que nos for possível para retransmitir, na pobreza de nossa linguagem e na indigência de nossas noções doutrinárias, as elucidações do venerável Áulus.

A FIXAÇÃO MENTAL PODE PERDURAR DURANTE SÉCULOS E ATÉ MILÊNIOS.

O Espírito isola-se do mundo externo, passando a vibrar, unicamente, ao redor do próprio desequilíbrio, cristalizando-se no Tempo.

É como se fosse, em tosca comparação, uma agulha que faz o disco repetir, indefinidamente, a mesma cantilena.

Se dissermos a um Espírito que se comunica com a mente fixa no pretérito, que nos achamos em 1957, dificilmente compreenderá ele as nossas explicações, uma vez que a sua mente, cristalizada no Tempo, reflete, tão só, fatos e acontecimentos, impressões e sentimentos do passado, os
quais lhe causaram profunda e indelével desarmonia interior.

UM ESPÍRITO NESSAS CONDIÇÕES PEDE TEMPO E PACIÊNCIA DOS COMPONENTES DE UM NÚCLEO MEDIÚNICO.

O seu esclarecimento exige carinho e compreensão, além de muita vibração fraterna que, envolvendo-o, o levem ao esforço renovativo.

A mente humana está simbolizada no soldado que luta pela conquista de posições.

Conforme o esforço, a perseverança, o adestramento, ou má vontade, o desânimo e a inexperiência, ficará ele na retaguarda, entre mutilados e vencidos, ou surgirá, vitorioso, na vanguarda.

O soldado luta por vencer e destruir os inimigos externos.

A MENTE LUTA POR VENCER OS INIMIGOS INTERNOS, REPRESENTADOS PELO EGOÍSMO, CRUELDADE, VINGANÇA, CIÚME, PREPOTÊNCIA, AMBIÇÃO.

O soldado empunhará a espada e o rifle, a granada e a metralhadora.
As armas da mente são a humildade, o espírito de serviço, a bondade com todos, a nobreza, a elegância moral, a disciplina.

Na retaguarda, para o soldado ou para a mente, o cenário é dantesco: amargura, aflição, humilhação, sofrimento.

É a resposta da Lei à preguiça e à negligência.

Na vanguarda ( dianteira), para o soldado ou para a mente, a paisagem é expressiva: - alegria, felicidade, glória.

É a resposta da lei ao trabalho e à boa vontade.

A retaguarda, para a mente ociosa, significará estacionamento nas zonas inferiores, após a desencarnação, ou reencarnações dolorosas no futuro.

A vanguarda podemos simbolizá-la no trabalho renovativo, no progresso, na iluminação, no enriquecimento moral e intelectual.

MUITA BONDADE, REPETIMOS, PEDE O SERVIÇO ASSISTENCIAL AO ESPÍRITO CUJA MENTE SE CRISTALIZOU NO TEMPO.

Assemelha-se, nas reuniões mediúnicas, a um louco, a quem falamos do Hoje, e ele vê, exclusivamente, o Ontem.
Nada vê, nada ouve, nada sente além de si mesmo.”


Os dramas conscienciais que viveu; os conflitos amargos em que se debate; os distúrbios psíquicos originados do abuso livre arbítrio, se expressam, na atualidade, em forma de alucinação e fixação mental.

COMO PODERÁ UM DIRIGENTE DE SESSÃO QUE APENAS SAIBA USAR O VERBO CULTO E ELOQÜENTE, SEM O MENOR SENTIDO DE FRATERNIDADE, AJUDAR UM ESPÍRITO NESSAS CONDIÇÕES?

Imprescindível se torna, pois, que os responsáveis pelos núcleos mediúnicos aprimorem os sentimentos e abrandem o coração, a fim de que, identificando-se, de fato, com a necessidade alheia, possam amparar com eficiência.

O conhecimento doutrinário e, especialmente, a assimilação do Evangelho à própria economia espiritual, são fatores indispensáveis àqueles que se consagram ao esforço mediúnico, no setor das desobsessões, como médiuns ou dirigentes.


Ainda sobre o mecanismo da fixação mental, ouçamos a palavra do Assistente Áulus:


“Qualquer grande perturbação interior, chama-se paixão ou desânimo, crueldade ou vingança, ciúme ou desespero, pode imobilizar-nos por tempo indefinível em suas malhas de sombra, quando nos rebelamos contra o imperativo da marcha incessante o Sumo Bem.”


A REENCARNAÇÃO, EM TAIS CIRCUNSTÂNCIAS, FUNCIONA À MANEIRA DE COMPULSÓRIO ESTIMULANTE AO REAJUSTE.

“Intimamente justaposta ao campo celular, a alma é a feliz prisioneira do equipamento físico, no qual influencia o mundo atômico e é o por ele influenciada, sofrendo os atritos que lhe objetivam a recuperação.”

Que seria da alma que fixou a mente no passado, não fosse a bênção da reencarnação?

Como reajustar-se no Além-Túmulo, se sabemos que, depois do decesso, leva o Espírito todas as impressões cultivadas durante a existência física?

Abençoado seja, pois, o Espiritismo pelos conhecimentos que revela e difunde.


Santificada seja a Doutrina dos Espíritos que “luariza de esperanças” as nossas vidas, fazendo-nos compreender que o Grande Porvir nos proporcionará recursos evolutivos que nos compelirão a deixar o sarcófago de nossas paixões inferiores e ascendermos a regiões onde, na condição de servidores de boa vontade, ser-nos-ão concedidas oportunidades de cooperação com Jesus-Cristo na sublime Causa da redenção dos outros e de nós mesmos.


As elucidações que, sobre o problema da fixação mental, nos traz o livro “Nos Domínios da Mediunidade”, levam-nos a grafar, nas linhas seguintes, uma nova subdivisão das formas obsessionais ou obsessivas: 

a) - Influência do desencarnado sobre o encarnado;
b) - Influência do encarnado sobre o desencarnado;
c) - Influência do Espírito sobre a si mesmo, provocando uma auto-obsessão.

As formas consignadas nas alíneas a e b são as mais conhecidas.

A da alínea c, menos freqüente, é uma decorrência da fixação do Espírito, encarnado ou não, em situações, fatos ou pessoas.

Pensar demais em si mesmo e nos próprios problemas, determina uma auto-obsessão.

O indivíduo passa a ser o “obsessor de si mesmo”.

Não haverá um perseguidor: - ele é, ao mesmo tempo, obsessor e obsidiado.

Obsessão sui generis - reconhecemos, mas que existe, sem dúvida alguma, quer entre encarnamos, quer entre desencarnados.

É muito difícil de ser removida...


João Cabral
Presidente da ADE-SERGIPE
Em: 11.09.2009
Website: www.ade-sergipe.com.br
Assessoria Internacional da ABRADE-Brasil