União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Índios Reencarnados

 

 

 

Richard Simonetti 

Um vizinho procurou Chico.

Eufórico, anunciou:

– Chico, venho comunicar que lá em casa nasceu mais uma criadinha às suas ordens! É uma menina. Dizem que é o espírito de uma índia que reencarnou!

O médium, a sorrir, proclamou:

– Graças a Deus! Finalmente nasceu uma índia!
***

Princípio milenar cultivado desde as culturas mais remotas, a reencarnação é um dos pilares da Doutrina Espírita.

Podemos situá-la como um dogma científico, suficientemente demonstrado pela pesquisa em torno do assunto, tanto na área espírita quanto fora dela.

Dentre outras evidências, a reminiscência espontânea, pessoas que recordam existências anteriores, exaustivamente examinada por pesquisadores idôneos, seria suficiente para transformar a reencarnação em princípio universal, um paradigma científico, filosófico e religioso.

Aliás, principalmente como princípio filosófico, se acreditamos num Criador que é um pai de infinito amor, justiça e misericórdia, como ensinava Jesus, forçoso admitir a reencarnação para explicar as aparentes injustiças sociais, envolvendo ricos e pobres, sãos e doentes, bons e maus, atletas e paralíticos, gênios e deficientes mentais...
*** 

Diante de tão grandiosa realidade, que nos dá consciência dos porquês da vida, é preciso apenas o cuidado de não perder o senso crítico, no bom sentido, de exercício da razão, como ensinava Kardec, para não cairmos na fantasia, como ocorre na Índia, por exemplo.

Os indianos adotam a metempsicose, a ideia de que podemos reencarnar como um animal ou vegetal, por castigo, quando nos comprometemos no erro e no vício. 

Ideia até interessante, considerando que muita gente, ou quem sabe nós mesmos, está a merecer tal experiência, mas é algo que a Doutrina Espírita situa sem fundamento, já que ninguém retrograda. 

Muitos estacionam, acomodam-se, marcam passo, comprometem-se sempre que renunciam ao esforço do Bem, ao aprendizado incessante, e mais cedo ou mais tarde lamentarão o tempo perdido.

Não obstante, por disposição misericordiosa do Senhor, não perdemos os patrimônios culturais, morais e espirituais acumulados. São inalienáveis, favorecendo nossa evolução e tenderão a ampliar-se à medida que a mestra dor venha nos estimular a deixar a inércia.
*** 

Aqui, no Brasil, a velha vaidade humana, em associação com a ignorância, favorece fantasias sobre nosso passado, com as perspectivas de que fomos gente importante no pretérito. 

Disso se valem médiuns e guias, nas reuniões mediúnicas voltadas para o imediatismo, para ganhar a confiança de consulentes desavisados, encantados com a revelação de que foram figuras de destaque em ricas sociedades européias, nos círculos da nobreza. 

Daí Chico festejar quando alguém lhe disse que reencarnara em seu lar uma índia.

Por falar nisso, amigo leitor, uma pergunta:


Por onde andarão os perto de 5 milhões de índios que viviam em nosso país quando Cabral por aqui aportou?

A população indígena está reduzida a perto de 200 mil.

Se você imagina que reencarnaram entre nós, acertou. Talvez nós mesmos sejamos um deles.

As culturas indígenas são formadas por espíritos em estágios primários de evolução. O simples fato de constituírem culturas mais ou menos estacionárias evidencia esse princípio.

Digamos que servem às experiências reencarnatórias de espíritos que vivem uma infância espiritual.

Em face de suas limitações, sempre que se vejam em situação de necessidade ou de risco, tenderão a prevalecer em seu comportamento impulsos de agressividade. Poderão agir no meio civilizado como se estivessem na selva, sem senso moral e sem respeito pela vida humana.

Assim considerando, podemos explicar os problemas de violência que afligem nossa sociedade. Convivemos com espíritos imaturos que, quando reencarnam no seio de classes pobres, revivem o comportamento do selvagem.

Sua presença entre nós situa-se como um carma coletivo, já que lhes subtraímos o hábitat natural.

Não vale a truculência policial para eliminá-los, o que apenas agrava a responsabilidade social.

Estão entre nós para serem orientados, ajudados, educados, como um compromisso não apenas do governo, mas de toda a sociedade.

Imperioso que os ajudemos a superar os impulsos da taba para que não sejamos flechados por eles.