União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

O espiritismo e o carnaval

 

 

Wellington Balbo - Bauru - SP. 

Todos os anos, no mês de fevereiro ou março, o carnaval chega até nós, por isso, falemos um pouco sobre ele.

Historiadores não têm como precisar quando se iniciaram as festas carnavalescas, os estudiosos do assunto falam que seu início aproximado foi no IV milênio a.C., quando no Egito foram criados os cultos agrários.

Nessa época, dançava-se com máscaras e adereços em torno de fogueiras.

Tempos depois surge o carnaval pagão, que se inicia no séc VII a.C., na Grécia. No reinado de Pisistrato foi oficializado o culto a Dionísio, onde camponeses e lavradores participavam das procissões dionisíadas levando a imagem do deus Dionísio em embarcações com rodas, os chamados, carrum navalis. Nessa época a sociedade já está dividida, escravos para um lado, nobreza para outro, a pesada hierarquia mostra a faceta discriminatória do ser humano. Bebidas, orgias, sexo e permissividade ganham mais e mais espaço naquele primitivo carnaval.

E assim caminha a humanidade, mais alguns séculos se passam e a igreja católica, cansada de ver suas intenções de proibir os cultos pagãos fracassarem, porquanto já estavam consagrados pelo costume dos povos, resolve em 590 d.C., oficializar o carnaval. As células desse carnaval estão nas cidades de Veneza e Nice, nessa época o carnaval já começa a ganhar um desenho mais parecido com os dias atuais; carros alegóricos, pessoas mascaradas e fantasiadas começam a participar do já tradicional desfile.

A igreja encontrara a libertinagem e permissividade do carnaval pagão enraizadas na cultura dos povos. Mesmo oficializando o carnaval , muitos cristãos o combateram, inclusive com Inocêncio II, Papa – Roma 1130 - 1140, que se mostrou contra as idéias carnavalescas.

A igreja e o Estado feudal tentaram combater o caráter libertino do carnaval e colocar alguma solenidade nos desfiles, todavia, frustrada foi a tentativa, porquanto o povo respondia de maneira irônica, pouco se importando com as proibições de caráter moral.

E chegamos nos dias atuais, onde o carnaval, principalmente em nosso país, ganhou status de grande indústria, sendo um dos maiores divulgadores de nossa cultura, promovendo assim o Brasil ao patamar de “O País do carnaval”.

É verdade, caro leitor, o carnaval é uma indústria que proporciona milhares de empregos diretos e indiretos, movimenta nossa economia, agita o turismo, remexe nas indústrias de bebidas...

É uma festa de origem pagã e que por motivos políticos foi trazida ao cristianismo.

E ainda por motivos políticos o carnaval permanece nos dias atuais com força em nosso país, gozando de simpatia de grande parcela da população.

Dizem alguns que é uma necessidade do povo brasileiro, um povo sofrido, batalhador, portanto, merece se esbaldar, esquecer os problemas , festejar... e o carnaval é o presente tão esperado.

Por alguns dias o povo se esquece das dificuldades, dos entraves de relacionamento, dos arrochos financeiros.

São momentos libertários a todos os cidadãos, afinal, na avenida pobres e ricos se encontram em perfeita sincronia... negros, brancos, mulatos sentem que fazem parte da mesma família.

É a tão sonhada igualdade; igualdade tão almejada pelos negros discriminados de nosso país, igualdade que os pobres querem, igualdade que as mulheres sonham...

Porém, em minha opinião o carnaval apenas vende ilusão!

Há um paradigma que teima em permanecer: a de que o carnaval, a avenida e as minúsculas fantasias, são algo necessário à nossa cultura.

Como se o Brasil, nessa incomensurável imensidão de valores, de pessoas, de habilidades, de regiões, de costumes, ficasse refém dos festejos carnavalescos para ser melhor, mais feliz, mais forte.

Lamentavelmente, alguns brasileiros não compreendem a grandeza de nosso país e o limitam apenas a carnaval e futebol.

Precisamos quebrar essa idéia de que o Brasil é apenas o país do carnaval e do futebol. O Brasil pode ser o país da honestidade, da cultura, da educação, da saúde, da tecnologia, isso só depende de nós, de uma conscientização em massa de que é necessário romper com a mesmice.

O Brasil é o país onde há a maior e mais avançada rede de captação de leite humano.

O Brasil é exemplo no combate à AIDS.
• Somos o único país do hemisfério sul a participar do projeto genoma.
• Nosso processo eleitoral está todo informatizado, dando em tempo recorde o resultado das eleições em um país de dimensões continentais.
• Nossos internautas representam 40% do mercado latino americano.
• Somos o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.
Todos esses predicados e mais tantos outros não enumerados aqui, são motivos de orgulho para nosso país, pois nos mostram efetivamente que somos muito mais do que apenas o país do carnaval e futebol.

Também não quero aqui censurar quem se compraz com os festejos do rei momo, cada um sabe a melhor forma de aproveitar a vida, todavia, quero apenas apresentar um outro ponto da questão.

É ilusão julgarmos que seremos mais ou menos felizes em conseqüência dos festejos carnavalescos, é ilusão considerar que alguns dias de folia irão compensar o povo brasileiro por lhe faltar educação, saúde, lazer de qualidade e acesso à cultura.

O carnaval vende a ilusão de que aqueles dias não mais se acabarão, que são eternos, por isso mesmo começam antes da data oficial e estendem-se depois de seu término oficial....

Vende a ilusão de que aproveitar a vida é se intoxicar com exageros, passando noites insones em homéricas bebedeiras, onde não raro, o sexo sem compromisso com o coração tem lugar cativo.

Nessa libertinagem confundida com liberdade, onde tudo pode, tudo é belo, tudo é alto astral, promovemos em nós mesmos desordens físicas e psíquicas, que ao longo dos anos vão minando nossa resistência física e comprometendo-nos espiritualmente, porquanto sintonizam-nos com espíritos que guardam afinidade com esses ideais de desregramento. O resultado não é difícil de prever, esses espíritos exercem em nós nefasta influência e acabam por maximizar cada vez mais nossas tendências menos felizes.

Se não lutamos por nos desvencilhar desses grilhões de desatinos, somos facilmente manipulados por esses espíritos desencarnados, que saliento ao caro leitor, estão a nos influenciar apenas porque lhes deixamos as portas abertas ao nos deleitarmos com o vício e o desregramento.

Nesse particular, para que não sejamos influenciados por espíritos infelizes, se faz mister que observemos a sublime frase cunhada por Allan Kardec: “Fora da caridade não há salvação”.

O amigo leitor poderá perguntar: mas o que tem a ver a caridade com carnaval, com influência de espíritos menos ajustados, com aproveitar bem a vida?

A caridade, caro leitor, tem tudo a ver com aproveitar bem a vida, com se livrar da influência de espíritos menos felizes que nos estimulam a cair nos excessos de todos os matizes.

A caridade que fazemos a nós mesmos nos livra dos vícios, dos desregramentos, das noites sem proveito, onde surramos nosso corpo físico a pretexto de prazer. Onde nos equivocamos na melhor maneira de aproveitar a vida, porque aproveitar a vida é viver seus momentos com o melhor dos prazeres: o da consciência em paz na certeza que fizemos o melhor por nós mesmos e pelo semelhante.

A caridade nos proporciona ver também as virtudes e habilidades de nosso povo, não reduzindo-nos a considerar que somos apenas o país do carnaval e do futebol.

Por isso, em minha opinião, o carnaval apenas vende ilusão!
Pensemos nisso

Wellington Balbo
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