União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Cairbar Schutel se comunica logo após seu desenlace em 1.938

 

 

Há exatos setenta anos o patrono da Casa Editora O Clarim partia para a pátria espiritual. 

Tendo criado um jornal e uma revista de forte repercussão no início do século 20 na pequena cidade de Matão (SP) e publicado livros que aprofundam o conhecimento do Espiritismo, sua obra continua gerando frutos e propagando a imortalidade pelos quatro cantos do mundo.

Para marcar esta data, selecionamos para o leitor dois episódios que relembram a desencarnação daquele que é considerado o Bandeirante do Espiritismo.

CAIRBAR SCHUTEL SE COMUNICA LOGO APÓS SEU DESENLACE EM 1.938

Naquele dia 30 de janeiro de 1938, poucas horas após o falecimento de Cairbar Schutel, cumprindo a promessa de provar a imortalidade da alma, ele próprio se comunicou através do médium Urbano de Assis Xavier. Cairbar chamou seus amigos e deu instruções a cada um deles.
O trecho abaixo foi extraído do livro “Cairbar Schutel – O Bandeirante do Espiritismo” (Eduardo Carvalho Monteiro e Wilson Garcia – Edições O Clarim), que relata o episódio:

Eram aproximadamente 21 horas do domingo quando junto aos pobres que lamentavam a morte de Cairbar estava uma menina de 4 a 5 anos chorando com dor de dente.

O já farmacêutico João José Aguiar vai levá-la até a farmácia para um curativo, quando é interpelado por Urbano de Assis Xavier:

“O que tem a menina, João?”
“Dor de dente. Vou levá-la até a farmácia para medicá-la.”
“Então, deixe comigo. Você é farmacêutico, mas eu sou dentista e sou eu quem deve tratá-la.” 

Já na farmácia, Urbano colocou-a no balcão, pediu instrumentos e ácido fênico, tratou-a e dispensou-a. Aí, foi lavar a mão e quando João foi entregar-lhe a toalha, ele virou-se e, num tom de voz diferente do normal, disse:

“Joãozinho, vá lá em cima na Redação e chame o Pitta, o Campello, o Zeca, a Zélia e o Dias, e diga para eles virem aqui.”
“Mas, por que Dr. Urbano, se já vamos fechar a farmácia e ir para lá?”
“Não teime, João, é o Schutel quem está falando!”
“Sim senhor. O senhor está bem, ‘seo’ Schutel?”
“Muito bem, João.”

Então sente-se na minha cama enquanto vou chamá-los” – e levou o médium incorporado até seu quarto que ficava no fundo da farmácia.
Os convocados foram rapidamente até o local e Schutel, através do médium inconsciente e de excelentes recursos, Urbano abraçou um por um emocionado e se expressou:

“A misericórdia Divina é tão grande que me deu o privilégio de abraçar vocês neste momento de partida para a Verdadeira Pátria. Eu estou muito contente e sendo recebido com um banquete que não mereço, mas o Pai é tão bondoso que, na minha alegria e êxtase, não poderia partir sem comunicar isso a vocês”.

E dirigiu palavras íntimas a cada um dos participantes da reunião, como se a querer provar ser ele mesmo quem lhes falava. Mas não precisava, pois todos aqueles que ali estavam souberam reconhecer imediatamente a presença do amigo e irmão de ideal. Completou então a reunião expressando-se a todos:

“Só que tem um detalhe. Vocês podem ficar zangados comigo, mas eu preciso falar-lhes o que sinto. Ainda há pouco, vocês conversavam na redação sobre o túmulo que vão erguer para mim. Nada disso. Espírita não precisa de túmulo. Quero uma coisa simples, uma lápide apenas, e se vocês quiserem escrever algo nela, escrevam isto: ‘Vivi, vivo e viverei porque sou imortal’.”

E assim foi feito.
No cemitério de Matão encontra-se materializada a lápide encomendada do além.

O SEPULTAMENTO DE CAIRBAR SCHUTEL

Outro momento marcante foi o enterro de Cairbar, no dia seguinte ao seu passamento, que mobilizou espíritas de todas as localidades. Centenas de telegramas e cartas de todo o Brasil lotaram a redação de O Clarim.
A cidade de Matão parou para reverenciar aquele que foi considerado o Pai da Pobreza de Matão.
Da narrativa de Ítalo Ferreira, outro continuador da obra de Cairbar, extraímos o seguinte trecho do livro acima referido.

“MORREU O PAI DA POBREZA DESTA CIDADE”.

Não poderia haver definição mais completa e sucinta do que se passava naquela segunda-feira na pacata cidade.
Carros de todas as procedências, milhares de pessoas andando de um lado para outro, buscando informações aqui e ali.

Partia o féretro. Tremeluziam lágrimas nos olhos de ricos, pobres, intelectuais, analfabetos, enfim, gente de todo jaez que para Matão se deslocou a fim de prestar a última homenagem ao “Bandeirante do Espiritismo”. Como não o acompanhasse somente espíritas, não se pode dizer que não houvesse burburinho das lamentações ou as cenas de choro convulsivo, mas o fato é que a vibração mantida no ambiente pelos grandes companheiros de Cairbar era tal, que rompantes extemporâneos de desespero eram logo ofuscados pela lembrança de que ali estava se enterrando apenas o corpo daquele que prodigalizara toda sua vida à imortalidade da alma.

Desde que Cairbar Schutel retornou ao Plano Espiritual, a editora e o centro espírita iniciados por ele são administrados por voluntários que trabalham por idealismo, com a firme proposta de seguir os seus passos. A casa de Cairbar e o centro espírita criado em 1905 permanecem como referências históricas da cidade de Matão.

Este patrimônio, que já dura 102 anos, nasceu para ser imortal – igual ao seu fundador.