União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Responsabilidade filial

J. Garcelan 
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"Quantos pais são infelizes com seus filhos porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles...".
Esse texto é um trecho do item 4 (Causas atuais das aflições) do Capítulo V do Evangelho Segundo o Espiritismo-edição FEB/1988-BEM AVENTURADOS OS AFLITOS.
Em 1864 quando foi editada pela primeira vez, essa obra da Codificação já se preocupava com os desvios da educação filial, chamando a atenção dos pais para a responsabilidade de educar e preparar para o mundo material e espiritual as crianças que um dia se tornariam adultos.
Os Espíritos que ditaram a obra, conhecedores da história da humanidade em seus mínimos detalhes, não poderiam deixar de chamar a atenção desse primordial ponto para a evolução dos homens.
Romancistas e filósofos já descreviam através de suas obras a miséria reinante naquele século e anteriores. A falta de escrúpulos, os castigos corporais, descritos em os "Miseráveis"e "O Corcunda de Notre Dame", de Vitor Hugo, entre outros. A história é rica em fatos em que os pais, por excesso, seja de liberdade ou de tirania, acabaram tornando-se infelizes, vendo o desvio de seus filhos para caminhos desonestos e vícios nefandos, quando não, a intransigência. Como arquétipo deste último, temos o romance escrito por William Shakespeare, "Romeu e Julieta", no século XVI.
Esses exemplos são apenas o "ontem" da humanidade. O "anteontem" vai mais longe e os excessos cometidos em nome do orgulho ou da honra, da vaidade e da ganância sempre trouxeram inúmeros desgostos a pais despreparados e inconseqüentes.
Nos dias de hoje, com todos os recursos de que dispomos: religiões várias, a mídia: escrita, falada, palestras constantes na televisão, livros escritos por entendidos no assunto, sejam de caráter científico ou religioso e, o mais doloroso, as notícias policiais diárias, envolvendo adolescentes embriagados, drogados ou simplesmente revoltados.
Lembro-me de garotos, filhos de famílias ricas e influentes, na década de 60 serem detidos por furtarem calotas de veículos. Os pais raivosos compareciam nas delegacias com advogados e ameaçavam os policiais de demissão por terem ousado cometer "tamanha disparidade".
Neste artigo não há nenhuma pretensão de se mostrar uma nova fórmula para a educação filial, pois ela já existe na consciência de cada um. Basta parar por alguns instantes e fazer uma auto-análise com isenção total e certamente, se houver boa vontade, chegar-se-á a uma resposta positiva.
Em outro trecho do mesmo Capítulo e item do Evangelho Segundo o Espiritismo (página 103), de que estamos tratando, diz: "A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.
Os males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável contingente ao cômputo das vicissitudes da vida. O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto intelectualmente".
Nossa responsabilidade perante de progredir, perante o Criador, é a meta mais importante que existe. Não há outra. AMOR é o nome da "estrada" a seguir. Nesse caminho há muitas paradas para reabastecimento e, em cada uma delas, prometemos a nós e aos que nos recebem e ensinam o caminho, melhorar e cumprir a programação de nossa viagem.
Portanto, meus irmãos, vamos olhar nossos filhos, netos e bisnetos não só como herdeiros diletos, mas também como alunos que necessitam aprender e disciplinar-se para que possam progredir sem traumas e conhecer o mundo com suas diferenças sociais e as causas destas. Feito isso, certamente a discriminação e os atos anti-sociais diminuirão sensivelmente e teremos um mundo melhor e bem mais próximo da próxima etapa evolutiva.

Publicado no Jornal O CLARIM n.06- janeiro/2008.