União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Espiritismo, sociedade e hipocrisia

J.Garcelan 

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Para que possamos falar sobre esse tema, é necessário voltar-mos a um passado muito remoto, ou seja, quando o homem ainda na sua inocente ignorância, não conhecia esse mal da civilização que é a hipocrisia. É Verdade que o orgulho, o egoísmo, a inveja, etc. se instalaram provavelmente desde o início do “homo sapiens” devido principalmente a luta do dia-a-dia pelo alimento, procriação, etc. Na medida em que o homem ia se desenvolvendo e se civilizando, formando os primeiros grupos, tribos, vilas, cidades e assim por diante, A HIPOCRISIA foi se inserindo na moral de tal forma que o homem que detinha o poder de uma determinada comunidade usava de escravos para provarem seus alimentos antes que ele os digerisse. A História é rica em fatos dessa natureza. Assim, o ser humano, pensando em se defender do semelhante, não hesitou em usar desse mal moral com assiduidade em todas as atividades em que se faz presente.

Há 2000 anos, Jesus pregou uma moral que mudaria completamente as mentalidades da sociedade de então. O amor pregado pelo Mestre que ultrapassava os limites familiares, ou seja, toda a humanidade, era uma coisa estranha vindos de um judeu que julgavam ser o Messias tão esperado para livrá-los do jugo Romano. E, naturalmente, como mandava a tradição judaica, esse enviado de Deus, viria com a força dos Exércitos e expulsaria os invasores para bem longe, transformando a nação numa poderosa potência.

Durante mais de trezentos anos os cristãos foram perseguidos e sacrificados, mas não deixavam de fazer prosélitos até que, graças a sua fé e constância, transformaram Roma em uma nação Cristã. Constantino I foi o primeiro imperador cristão. Nessas alturas dos acontecimentos, surgiu com toda a sua pompa a Igreja Cristã que só se chamaria Católica durante o Concílio de Trento realizado entre os anos de 1545 e 1563, subordinada a autoridade Papal. Tudo isso em razão da Reforma provocada por Martinho Lutero em 1517 e da proliferação das Igrejas protestantes criadas a partir de então.

A partir dos ensinamentos de Jesus, os valores morais lentamente começaram a mudar, tanto que seus ensinamentos se espalharam rapidamente por toda a Região, chegando a Europa. Mas, as guerras não deixaram de existir, a ganância não diminuiu, o egoísmo, o orgulho, o preconceito, a vaidade, a falta de escrúpulo, a luxúria, etc. não deixaram de permanecer apesar das verdades Evangélicas pregadas pelo Mestre e reconhecidas mesmo por aqueles que não eram cristãos.

Muitas advertências foram feitas durante todos esses séculos por pessoas possuidoras de espíritos adiantados, ou seja, missionários que aqui vieram para dar continuidade ao trabalho de Jesus.

Templos religiosos foram erigidos por toda a parte e freqüentados por Governantes, nobres, plebeus, etc. Conheciam de certa forma a moral pregada pelo Mestre, principalmente os 10 Mandamentos, o “Amar o Próximo com a Ti Mesmo” “Amar vossos Inimigos”, etc.

Mas, era entrar e sair. Ao entrar, oravam mecanicamente como se estivessem fazendo um grande sacrifício e ao sair montavam em seus cavalos e partiam para a guerra ou tramas que geralmente eram a conquista de outros territórios e o domínio de outros povos. A plebe, nome dado ao populacho da época não era diferente. Apesar de espezinhados, discriminados, explorados não agiam de outro modo ressalvadas as devidas proporções.

E assim continuou por séculos e séculos. A Revolução Francesa abriu uma questão de liberdade e Igualdade para ser discutida por todos os povos. Mas a hipocrisia falava e fala mais alto quando se trata de salvar interesses nacionais e principalmente particulares.

O orgulho e o egoísmo, que consideramos males morais terríveis, se colocam na ala de frente juntamente com a hipocrisia que, acredito eu, será o último a ser extirpado da raça humana. Esse defeito moral está presente em todos os momentos de nossas vidas. Em nossos lares, no trabalho, ou seja, em qualquer lugar que nos colocamos vinte e quatro horas por dia, inclusive nos Centros Espíritas, pelos seus seguidores.

Vejamos o que diz o Dicionário Aurélio sobre a definição da palavra Hipocrisia. [do grego hipokrisia] – Substantivo feminino 1 – Afetação de uma virtude, dum sentimento louvável que não se tem. 2 – Impostura, fingimento, simulação, falsidade. 3 – Falsa devoção.

Pois bem, a partir do advento da Codificação Espírita, a Moral Cristã ficou clara como um copo de água límpida. Em seus primeiros momentos espalhou-se pela Europa, graças à divulgação do Pentateuco e, em seguida, através dos seguidores e propagadores da Doutrina como Leon Denis e tantos outros.

Com todas essas verdades, ou seja, esse código de moral, a hipocrisia continuou a campear com toda a sua energia. Mais guerras – Cuba, Primeira Guerra Mundial e tantas outras.

E tudo isso em nome de Deus proferido de uma maneira totalmente hipócrita. Mas isso não se limita ao Mundo Ocidental. Está em toda a parte. Em qualquer lugar do Planeta.

Mas é na individualidade das pessoas que esse terrível mal está inserido de forma quase indelével. Eu disse quase porque nós espíritas acreditamos que não há nada que não possa ser mudado, através das reencarnações e dia virá em que toda a humanidade poderá olhar francamente um nos olhos dos outros de maneira franca e sincera, sem usar de subterfúgios para driblar uma situação qualquer. Até quando sonhamos, usamos da hipocrisia para tentar inverter situações que tornem favoráveis os nossos desejos.

No romance psicografado por Divaldo Pereira Franco e ditado pelo espírito de Victor Hugo, “Párias em Redenção” – FEB – 3ª. Edição há um trecho que diz o seguinte: “Quando os homens se reconhecerem fracos e interdependentes uns dos outros; quando as nobres expressões da honestidade moral dirigirem os impulsos; quando os desejos grosseiros forem submetidos à reflexão e à competente disciplina; quando as máximas do Cristo se espraiarem além do Livro da Boa Nova para se incorporarem ao livro dos humanos de cada criatura; quando o amor deixar de ser uma utopia e for exercitado pelos indivíduos, a felicidade reinará sobre as vidas na Terra e o Reino dos Céus, estabelecido desde então, se alongará indefinidamente”.

Evidentemente não foram poucos os homens que tentaram destruir as Religiões da face da Terra. Entre os séculos 19 e 20 tivemos uma série de filósofos e pensadores materialistas que lançaram uma série de idéias, como o positivismo, o niilismo, etc., e esses movimentos conseguiram se infiltrar na sociedade e o meio espírita não foi exceção.

Mas foi em meio dessa torrente de idéias materialistas que surgiu a Terceira Revelação, refazendo o Cristianismo na sua pureza. Foi como “água fria na fervura”. O despertar para uma Nova Era se fez presente. E, não tenham dúvidas, o mundo progredirá incessantemente com os homens ou apesar deles e a hipocrisia se afogará em meio ao amor que, então, trará a felicidade eterna.



Matéria publicada na Revista Internacional de Espiritismo n. 05 junho de 2006, ano LXXXI, página 259 e 260.