União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Promessas, por Leda M. Flaborea

Leda Maria Flaborea 

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Neste momento de transição pelo qual a humanidade passa, buscando respostas a tanto desequilíbrio e desatinos, surgem impostores se apresentando como enviados de Deus que criaturas ingênuas e desavisadas se deixam explorar por eles. É contra eles que devemos sempre estar em guarda, e é dever de todo homem honesto desmascará-los.

Tudo isso vale, também, para o cuidado que devemos ter no trato com os Espíritos. O evangelista João nos adverte para não acreditarmos em todos os Espíritos, mas verificarmos se são Espíritos de Deus e somente poderemos realizar essa tarefa se não pedirmos ao Espiritismo o que ele não tem para dar. A Doutrina Espírita não realiza milagres e nem faz predições, isto é, não adivinha o futuro. O fenômeno espírita nada prova por si mesmo, pois a missão dos bons Espíritos e dos trabalhadores encarnados sérios se prova por efeitos morais, que nem todos podem produzir.

A profecia de Jesus de que surgiriam homens encarnados e Espíritos farsantes se cumpre nesse nosso tempo e por isso vemos tantos mistificadores prometendo o Reino dos Céus àqueles que puderem pagar, incutindo nessas mentes falsas noções de favores gratuitos da divindade. Triste daquele que julga não precisar se esforçar para conquistar sua elevação. Ninguém se furtará impune à percentagem de esforço próprio que lhe cabe na obra de seu aperfeiçoamento. O trabalho material e o trabalho íntimo para renovação dos sentimentos, dos pensamentos, das atitudes ainda são a chave para o progresso evolutivo.

Por nos acharmos menores do que realmente somos e incapazes de realizar essa tarefa é que nos tornamos alvos desses salteadores que se aproveitam de nossas dúvidas e da nossa fragilidade. Mas, como reconhecê-los? Existem sinais que, se quisermos enxergar, nos darão a resposta: 1 - Deus só confiaria missões importantes a quem fosse realmente capaz de cumpri-las, porque o fardo é pesado demais; 2 - o mestre, como em todas as coisas, deve saber mais que o aluno, caso contrário ele não progride. Assim também é nas tarefas missionárias. Para fazer progredir a humanidade são necessários homens superiores em inteligência e moralidade. Se não forem superiores ao meio em que vão agir, nada poderão fazer. O verdadeiro profeta ou missionário de Deus, deve provar que de fato o é pela superioridade em virtudes, grandeza, pelos resultados e pela influência moralizadora de suas obras. Se estiver abaixo do papel que diz ter, seja pelo caráter, pelas virtudes ou inteligência, não passa de um farsante; 3 – a maior parte dos missionários de Deus ignoram que o sejam. Realizam seu trabalho sem se darem conta do bem que fazem, porque não premeditam suas atitudes. Os verdadeiros profetas se revelam pelos seus atos e são descobertos pelos outros. Os falsos profetas se apresentam por si mesmos como enviados de Deus. Os primeiros são humildes e modestos. Os segundos, orgulhosos e cheios de si, falam com arrogância e, como todo mentiroso, parecem sempre receosos de não serem aceitos.

Mas, por qual razão nos deixamos enganar? E não falamos aqui apenas do aspecto religioso. Falamos da nossa vida, do nosso dia a dia, das pessoas que têm acesso às nossas mentes, das promessas vãs que aceitamos como se fossem verdadeiras, desde que venham ao encontro dos interesses imediatistas que abraçamos. Referimo-nos a tudo aquilo que pode atender aos nossos caprichos e desejos mais egoístas. Estamos dizendo do atendimento às nossas necessidades materiais, mais supérfluas. Somos tantas vezes enganados e tantas vezes nos deixamos enganar que nos esquecemos de prestar atenção às obras daqueles que nos falam e nos guiam.

Jesus estava certo em nos alertar, pois ainda aceitamos lobos em peles de cordeiros dirigindo nossas vidas. É preciso verificar se há humildade e caridade no lugar do orgulho e da ganância, desconfiando daqueles que buscam a vaidosa satisfação sobre a Terra. Mas, também, tenhamos a certeza de que a Justiça Divina os espera mesmo que não sejam punidos pela justiça dos homens.

Bibliografia

Kardec, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXI



Artigo publicado no jornal O Semeador , Outubro 2005, p.3.