União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Moradas

Leda M. Flaborea 

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Alguns de nós ainda têm na mente a idéia arraigada, pretensiosa mesmo, de que somos os únicos seres humanos no Universo, e que todas as estrelas e astros que estão no firmamento foram criados, por Deus, para alegrar nossos olhos. Mas, de um modo geral, todos nós ficamos a imaginar, desde pequenos, talvez por conta dessa idéia, para onde vão as pessoas que desencarnam. Por exemplo: aquelas que fizeram somente o bem; as que insistiram, pela dureza de seus corações, em praticar o mal; as pessoas que fizeram o bem que foi possível; e aquelas que poderiam ter feito muito mais, mas que, mergulhadas no egoísmo e preocupadas somente com seus próprios problemas, esqueceram -se de olhar ao redor e verificar que existem dores muito maiores. Como a idéia de um Céu ou de um inferno localizados em lugar definido não satisfaz mais nossa inteligência, permanecemos com as mesmas dúvidas.

Será, então, que Jesus gostaria que entendêssemos, nesse ensinamento, que existem outros mundos onde cada um de nós poderá habitar, segundo o que houver feito de Bem e de bom? Se nossa suposição for verdadeira, e os Espíritos Superiores, através de Kardec, nos mostram que somente assim a Justiça e a Misericórdia Divinas fariam sentido, então, essas palavras de Jesus nos trazem um imenso consolo; renovam nossas esperanças e nos fortalecem para continuarmos lutando para sermos melhores a cada dia, na busca de transformarmos nossos sentimentos, trocando pensamentos negativos - de doenças, de baixa-estima, de vítimas eternas da vida – por pensamentos de alegria pelo simples fato de se estar vivo, por pensamentos de agradecimento ao Pai por podermos realizar pequenas ou grandes coisas, não importa; por sermos sementes divinas que Deus espalhou pelo Universo, a fim de crescermos em amor e no entendimento de Suas Leis. Afinal, Jesus não disse que somos deuses e luzes?

Na Terra, cumprimos, até este dia, incontáveis progressos. Os homens, pela sua inteligência, chegaram a resultados surpreendentes em todos os ramos de atividade, sejam nas Ciências, nas artes ou no bem-estar material. Mas temos ainda um imenso progresso a realizar, ou seja, o de fazer reinar entre todos a caridade, a fraternidade e a solidariedade para assegurar o bem-estar moral. Assim, na medida em que a Humanidade está evoluindo moralmente, modifica-se, também, a atmosfera psíquica que envolve o planeta onde essa humanidade vive, permitindo que gerações mais adiantadas em inteligência e moralidade possam vir habitá-lo.

As grandes transformações pelas quais passou, hoje, não são mais necessárias; entretanto, continuam a ocorrer, de forma isolada, pequenos abalos, modificando inclusive a geografia dos países. Porém, como nos diz Kardec em A Gênese, capítulo XVIII, item 7: “Hoje, já não são mais as entranhas do planeta que se agitam: são as da Humanidade.” Nosso planeta está em franco processo de modificação, não só das inteligências, mas também, dos sentimentos. A mudança de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração está aí, acontecendo ao nosso redor. Nós próprios somos testemunhos disso na medida em que, tendo consciência de que tudo é harmonia na criação, que tudo revela a Misericórdia Divina, não conseguimos mais pensar, agir ou falar como fazíamos há alguns anos.

Mas, parece-nos que é possível haver, ainda, uma outra forma de entender as palavras do Cristo. Convida-nos o Mestre, através de várias passagens evangélicas, a estabelecermos em nós o Reino de Deus, isto é, a atendermos à Lei de Amor, lei maior que governa todo o Universo e todas as criaturas existentes, sejam homens, sejam estrelas. É um chamamento para que estabeleçamos, em nossos corações, a harmonia com tudo que existe ao nosso redor, pois tudo emana do Pai, começando por nós mesmos, ampliando essa atmosfera de paz aos nossos familiares e estendendo-a, por fim, a toda a Humanidade. É certo que até atingirmos essa consciência plena de Filhos de Deus, passaremos por vários estágios evolutivos, pois o progresso espiritual se faz lento, e cada uma dessas etapas será uma morada provisória onde permaneceremos durante algum tempo. Podemos, então, entender que, ao estabelecermos o Reino de Deus em nós, teremos encontrado nossa morada definitiva: um local de luz, de paz, de fraternidade – ingredientes da felicidade plena – porque teremos tudo isso em nossos corações para sempre.

Assim, não importa sob qual forma venhamos a compreender o ensinamento de Jesus de que “Há muitas moradas na casa do Pai”. O importante é sabermos que vai depender de nós encontrarmos ou não essa morada. Se hoje vivenciamos atitudes íntimas de equilíbrio, de harmonia conosco e com os outros, com certeza, estaremos espalhando essa mesma atmosfera no meio em que estivermos. E se muitos de nós já vivem assim, certamente, unidos, criaremos um mundo melhor, não importa onde estejamos.

Bibliografia

Kardec, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap 4

____________ A Gênese, Cap.XVIII.

Revista Internacional de Espiritismo – Editora O Clarim, Matão - SP fevereiro de 2004 – pág 17.



Publicado originalmente na Revista Internacional de Espiritismo – Editora O Clarim, Matão - SP maio de 2005.