União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

A mídia e o Cristianismo

J. Garcelan 

Na Revista época de número 396 – 19 de dezembro de 2005 há uma matéria denominada “A Construção de Cristo” assinada por Ivan Padilla, aliás, com uma chamada na capa intitulada “JESUS desde o Início”. Foi uma agradável surpresa, pois raramente se vê uma reportagem, artigo, crônica, ou seja, lá o que for retratando fatos históricos religiosos que chegam muito perto da verdade.

O que se vê sempre sobre o assunto são inverdades que partem de uma só fonte, não se dando o jornalista o trabalho de verificar junto aos documentos históricos que estão ao alcance de qualquer um se realmente aquilo que ele colheu como dados de fonte parcial são verdadeiros ou não. Quando eu disse que estão ao alcance de qualquer um, me refiro a enciclopédia Britânica, Delta Larousse, etc. como meios mais simples, pois existem centenas de livros históricos de autores nacionais e internacionais sobre o assunto Religião além de documentos muito antigos que podem ser consultados em Museus e Arquivos históricos.

O passado recente tem-nos mostrado a má-fé da mídia controlada por grupos contrários a filosofia Espírita. Ao lermos as biografias de espíritas que se destacaram como Eurípedes Barsanulfo, Cairbar Schutel, Chico Xavier e tantos outros vemos a luta que eles empreenderam contra a religião local. Venceu a bondade, a paciência e a perseverança, além, naturalmente das verdades incontestes inseridas na Terceira Revelação.

Mas, vamos muito mais além, sempre que havia ou há algum problema com indivíduos ligados a religiões do Sincretismo-Religioso, os jornalistas ou apresentadores de televisão não hesitam em mencionar a palavra Espiritismo, como se todas as religiões que lidam com espíritos fossem “Espíritas”, aliás, só para lembrar, este vocábulo foi criado por Kardec exatamente para se evitar confusões. Além disso, por ignorância ou para confundir eles se esquecem que todas as religiões são espiritualistas ou para melhor entender todas aquelas que acreditam na vida após a morte.

Em passados recente, espíritas eram convidados para proferirem esclarecimentos sobre a Doutrina nas emissoras de televisão. Não rejeitavam o convite pensando que iriam realmente cumprir uma nobre missão. Em ali chegando eram surpreendidos com uma “armadilha sensacionalista”, pois ali estavam pessoas de outras religiões e entre elas o Padre Quevedo. Interessante que nunca vi esse sacerdote se confrontar com Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco ou Waldo Vieira. Porque Será?

Na verdade é o seguinte, os que tentaram fazer com o Espitismo (que venho reavivar o Cristianismo na sua essência) fizeram com a Doutrina de Jesus, ou seja, deturparam-na para atingir objetivos escusos e materialistas. Isso está na História, para quem querer consultá-la.



VULGATA



Para melhor entender como se deu essa deturpação vamos recorrer a Leon Denis, no seu livro Cristianismo e Espiritismo em sua 9ª. Edição, publicação FEB.

“... A fim de pôr termo a essas divergências de opinião, no próprio momento em que vários concílios acabam de discutir acerca da natureza de Jesus, uns admitindo, outros rejeitando a sua divindade, o papa Damaso confia a São Jerônimo, em 384, a missão de redigir uma tradução latina do Antigo e o Novo Testamento. Essa Tradução deverá ser, daí por diante, a única reputada ortodoxa e tornar-se-á a norma das doutrinas da Igreja: foi o que se denominou a VULGATA.

Esse trabalho oferecia enormes dificuldades. São Jerônimo achava-se como ele próprio o disse, em presença de tantos exemplares quantas cópias. Essa variedade infinita de textos o obrigava a uma escolha e retoques profundos. É o que, assustado com as responsabilidades incorridas, ele expõe nos prefácios da sua obra, prefácios reunidos em um livro célebre. Eis aqui, por exemplo, o que ele dirigiu ao papa Damaso, encabeçando a sua tradução latina dos Evangelhos:

“Da velha obra me obrigais a fazer obra nova”. “Quereis que, de alguma sorte, me coloque como árbitro entre os exemplares das Escrituras que estão dispersos por todo o mundo, e, como diferem entre si, que eu distinga os que estão de acordo com o verdadeiro texto grego. É um piedoso trabalho, mas é também um perigoso arrojo, da parte de quem deve ser por todos julgados, julgar ele mesmo os outros, querer mudar a língua de um velho e conduzir à infância o mundo já envelhecido”.

“Qual de fato, o sábio e mesmo o ignorante que, desde que tiver nas mãos um exemplar (novo), depois de o haver percorrido apenas uma vez, vendo que se acha em desacordo com o que está habituado a ler, não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrílego, um falsário, porque, terei a audácia de acrescentar, substituir, corrigir alguma coisa nos antigos livros? (meclamitans esse sacrilegum qui audeam aliquid in veteribus libris addere, mutare, corrigere)” (8).

“Um duplo motivo me consola desta acusação”. “O primeiro é que vós, que sois o soberano pontífice me ordenais que o faça; o segundo é que a verdade não poderia existir em coisas que divergem, mesmo quando tivessem elas a aprovação dos maus”.



Deturpações através do tempo



O texto de Leon Denis prossegue relatando toda a história das alterações havidas dando uma visão geral do que realmente houve com os evangelhos e o manuseio destes em mãos de pessoas inescrupulosas, alterando textos, palavras, fatos históricos, tudo em nome do poder e do materialismo. Para isso, foi usada a mídia da época; proclamas, sermões, etc. Para poderem proceder a uma lavagem cerebral na população de então usaram de todos os meios, criando mitos e os tais dogmas.

O medo era usado como arma para dominar a população de então. A Idade Média, o período mais escuro da história serviu como palco para o desvario e a mentira. Só os privilegiados poderiam aprender a ler e escrever e essa casta era a eclesiástica. O primeiro cisma se deu por volta de 1054 d.C. quando a Igreja Grega separou-se da Romana, depois em l5l7 a Reforma por Martinho Lutero e daí por diante as inúmeras religiões ocidentais oriundas do Luteranismo. A mídia sempre funcionando. Nessas alturas os livros já proliferavam e cada uma das religiões criadas dava uma mãozinha para alterar aqui e ali alguma coisa no Novo Testamento para “puxar a sardinha para o seu lado”. Por essa razão o bom cristão busca sempre um Novo Testamento que tenha origem da tradução grega. Até onde houve alterações nesses velhos manuscritos não sabemos. O que temos com a Graça de Deus nosso Pai e O Evangelho Segundo O Espiritismo e desse nos servimos com entusiasmo para aprender sempre. Não que não houvesse pessoas que desejassem alterá-lo, mas, estão aí os bons espíritas que não deixarão fazê-lo.

Mas a mídia também é responsável pela divulgação da Terceira Revelação. Assim, quando foi publicado o Livro dos Espíritos em 1857, gerando uma intensa polêmica, a doutrina se espalhou rapidamente pela imprensa e assim que os outros livros do Pentateuco foram publicados novas polêmicas e mais avanços. Até quando da queima de livros espíritas pela tal da Santa Inquisição na Espanha, a Doutrina avançou.

Depois vieram os livros e as conferências de Léon Denis, cognominado o “Apóstolo do Espiritismo” que dedicou praticamente quase toda a sua vida na divulgação da Doutrina dos Espíritos. Foram vários os propagadores da Doutrina na época; podemos citar alguns deles como Gabriel Delanne, Camille flamarion, grande astrônomo e líder espírita francês, etc.

E para finalizar lembramos que o Livro de Léon Denis “Depois da Morte”, despertou Eurípedes Barsanulfo para o Espiritismo e o Livro dos Espíritos serviu de despertador para o Dr. Bezerra de Menezes.



J.Garcelan – e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. – Artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo n.2 – março/2006.