União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Religião de Jesus

 

 

 

Felinto Elizio Duarte Campelo 

Espírito mais puro que pisou o chão do nosso planeta, Jesus foi a personificação do amor, da caridade, do perdão, do labor, da simplicidade e da humildade.

Desprendido das coisas materiais, Jesus falou: As raposas têm tocas e as aves dos céus têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça (Mateus 5:20).

Diante de Pilatos, afirmou: O meu reino não deste mundo (João 20:36).

Pregou o amor pela palavra articulada, quando disse: Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros (João 13: 34, 35).

Exemplificou o amor ao receber em seu regaço os sofredores e necessitados, consolando-os, orientando-os e exortando-os para uma vida melhor.

Ensinou a caridade ao sentenciar: Bem-aventurados os misericordiosos (Mateus 5:7).

Praticou a caridade tratando enfermos da alma e curando doentes do corpo, dando a luz dos olhos aos cegos e o dom de ouvir e falar aos surdos-mudos, limpando leprosos, fazendo andar os paralíticos.

Aconselhou o perdão ilimitado ao dizer a Simão Pedro: Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes (Mateus 18:22).

Exerceu a sublimidade do perdão ao indagar a mulher adúltera: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Ela respondeu: Não, Senhor. E Jesus lhe disse: Também eu não te condeno. Vai-te e de futuro não tornes a pecar (João 7:3 a 11).

Entretanto o mais significativo perdão ocorreu no Gólgata, por ocasião da crucificação do Cristo. Do alto da cruz, ladeado por dois malfeitores, entre as dores físicas e sofrimento moral por injúrias e zombarias, Jesus, num impulso de suprema piedade, clamou: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lucas 23:34).

Alertou-nos para a necessidade do trabalho construtivo em oposição à teoria do contemplativo descanso eterno, ao proferir: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também (João 5:17).

Na sua passagem pela Terra, mostrou-se simples e humilde, jamais aceitando pompas, nunca se deixando envolver com rituais que soariam estranhos à sua doutrina singela e de imaculada pureza.

Como foi dito em outro artigo já publicado, Jesus, por sua nobreza espiritual, poderia ter descendido de pais ricos e poderosos, mas quis ser filho de um humilde carpinteiro e de uma moça simples e modesta.

Poderia ter nascido em berço de ouro e habitar castelos encantados, porém, escolheu nascer na simplicidade de uma estrebaria, ter como primeiro leito as palhas sobre uma manjedoura, como testemunhas do seu nascimento animais domésticos. Poderia ter sido um ser alado, com asas douradas, a pairar na imensidão do espaço, todavia, optou por pisar o pó da terra, curando enfermos, consolando aflitos. Poderia ter convivido em luxuosos palácios com os que detinham nas mãos riquezas e poderes terrenos, contudo, decidiu acompanhar-se dos pobres e necessitados, nos montes, à beira mar, nas margens lagos e rios, pregando a palavra de Deus.

Poderia ter sido um grande rei, ter a terra aos seus pés, entretanto, afirmou que o seu reino não era este mundo. Jesus, por sua grandeza espiritual, poderia ter escrito compêndios só acessíveis aos sábios, no entanto, dedicou-se a instruir o povo simples por meio de singelas parábolas. Poderia vencer pela força os inimigos da Boa Nova, mesmo assim preferiu subjugar-se a rebelar-se.

Poderia ter-se despedido da Terra em suntuosos funerais, mas aceitou a obscuridade da cruz onde perdoou a todos indistintamente. Jesus foi simples e humilde, foi bom e justo, sua vida foi o exemplo para quem quer progredir espiritualmente.

Em sua estada terrena, Jesus foi tolerante e compassivo com tudo e com todos, compreendeu e relevou as fraquezas humanas.

Disciplinador austero e enérgico sem jamais empregar a violência, usou de sua força e superioridade moral para repreender os mercadores do templo e expulsar espíritos obsessores, ignorantes e perversos, que se impunham a criaturas frágeis, tornando-as infelizes.

Jesus não fundou nenhuma religião, deu-nos o roteiro para o crescimento o EVANGELHO, hino de amor e de bem-aventuranças,-espiritual da humanidade código de moral e de ética que precisa ser estudado, analisado, compreendido, seguido e vivido.

O Evangelho é o livro da vida, o companheiro ideal, o amigo prestimoso de todos os momentos. Quem com ele se identifica, vive e trabalha com Jesus, silencia e fala com Jesus, mas, sobretudo, AMA, PERDOA e SERVE com Jesus hoje, amanhã e sempre.

A recente morte de João Paulo II, a expectativa da eleição de um novo papa e a ênfase dada pela imprensa internacional aos fatos, reacendeu nos que professam o catolicismo a ideia de que Jesus foi o fundador da igreja católica, de que os papas são os substitutos do apóstolo Pedro e de que a igreja é a dona absoluta da verdade e do destino dos homens.

Para contestar a hipótese de detentora integral da verdade, basta lembrar o episódio de Galileu.

Ledo engano ou pura presunção. Jesus não fundou religião e muito menos nomeou papa.

Os primeiros anos do cristianismo foram vividos sem chefes, sem dogmas, sem fausto, sem pompas, sem imagens, sem incensos, sem rituais, na pureza e simplicidade ensinada por Jesus.

Com o passar dos séculos, os novos cristãos tocados pela vaidade, pelo orgulho e pela ambição e conveniências exclusivamente materiais, ao sabor de interesses pessoais e de grupos, promoveram cortes, enxertos e modificações de palavras no Evangelho, absorveram usos, costumes, rituais e pompas do farisaísmo e dos gentios, adotaram a idolatria dos cultos pagãos, amealharam ouro, edificaram suntuosos palácios, disputaram e conquistaram o poder temporal no mundo, desvirtuaram os princípios cristãos e até mudaram-lhe o nome, de cristianismo para catolicismo.

Olvidaram a recomendação contida em Marcos 12:17: Disse-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Optaram por César.

Os rituais materialistas, a ostentação de riquezas, as pompas são um acinte à memória de Jesus que foi simples, humilde e desprendido das coisas materiais e nos legou a maravilhosa lição:

- Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração. (Mateus 6:19 a 21).

A religião de Jesus é  o  AMOR, a CARIDADE, o PERDÃO.

Quem abraçar esses princípios será considerado discípulo de Jesus, independente do rótulo religioso com que se apresente.

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