União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

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Crianças perante o consumismo

Eugênio Bucci é professor de Ética Jornalística da Faculdade Cásper Líbero e escreve excelentes artigos para a revista Nova Escola. Na edição de junho/julho de 2002, ele mostra como nossas crianças são alfabetizadas para o consumo, antes de aprenderem a ler. 
Crianças em idade pré-escolar são alfabetizadas por imagens e reconhecem diversas das logomarcas mais famosas.

Qualquer pai ou mãe já deve ter observado isso. 

Segundo Bucci, ler imagens é um dos primeiros requisitos para um candidato a consumidor. Ensinar a criança a fazer isto é introduzi-la no mundo do consumismo generalizado, onde aprendem que consumir é “sinônimo de ser alguém e de ser feliz”. 

A principal questão a ser considerada, no meu entender, é quanto nós, pais, também acreditamos nisso: que os objetos podem nos fazer felizes e, mesmo, definir quem somos. 

Adquirir bens é questão de sobrevivência na sociedade em que vivemos. Quem pode comprar alimentos de qualidade tem melhor saúde; quem tem acesso a livros e a computador aumenta sua cultura... Mas não dá para viver em função disso. Pretender encontrar a realização íntima através da aquisição de bens mostra quanto estamos distantes de nossas buscas essenciais. Viver à espera do próximo DVD, do próximo carro, do próximo vestido é viver numa perene insatisfação, porque nada do que conseguimos obter acaba com o vazio dentro de nós. 

Se acreditamos que a felicidade vem das coisas, jamais seremos felizes. Se nossos filhos têm a mesma ilusão, viverão insatisfeitos também — o que não desejamos para eles! 

Quando olhamos para uma linda casa, um carro do ano, quase que automaticamente imaginamos que as pessoas a quem pertencem estão plenas e realizadas. Nem sempre é verdade. Mas cremos nisso a ponto de estabelecer para nós metas semelhantes. 

Olhando para essas metas, muitas vezes, esquecemos as possibilidades do presente. A alegria da convivência em família, da amizade, do estudo, de ver nossos filhos crescer. Afinal, o que é que realmente conta para nós? 

Podemos amargar a falta do que não temos ou reconhecer o que já é nosso e dizer, como ensina Calunga: 

— Eu estou cheia de vontade de viver! Eu estou cheia de vontade de fazer uma grande transformação na minha vida! Eu estou cheia de conhecimentos pra me servirem e pra passar aos outros! Não preciso me preencher de nada, nem de ninguém, porque eu estou plena de mim mesma e eu vou aproveitar cada chance que a vida me dá, de ter uma vida boa, de ter uma convivência boa com as pessoas, sem ficar usando as pessoas só pra não me sentir vazia. 

Eu não preciso desesperadamente das coisas. Se elas vierem é porque a vida está me trazendo, como resultado da minha melhoria. Mas eu não vou sofrer da falta de nada nem de ninguém. 

Como colocar esse ensinamento em prática na educação de nossos filhos? 

Talvez, ajudando nossos filhos a olhar criticamente a propaganda. É uma questão não só de exercício de autonomia intelectual e moral para o Espírito, mas de contribuir para a formação da consciência da cidadania. 

Talvez, apresentando a eles Deus, a caridade, a fé, o amor, o carinho, o conhecimento, enfim, tudo o que realmente nos preenche e nos traz felicidade. 

*Em Vamos Ficar Bem, Editora GIL. 

Rita Foelker 
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Fonte: https://www.candeianet.com.br/revista/artigos_conteudo.asp?mn=25&id=27 (14 de outubro 2005)