União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Advertência oportuna

 

 

 

 

 

Um Espírito Amigo, através da mediunidade de Vera Cohin, lamenta a degradação dos costumes que se instala na sociedade, que terá desdobramentos preocupantes, na medida em que passa a ser o modelo sob o qual são constituídos novos núcleos familiares, de hábitos doentios, expressando-se através da linguagem de baixo teor vibratório e de atos que se não coadunam com uma equilibrada moral social e com os bons costumes que deveriam caracterizá-la. 

Há muito nos preocupamos com o avanço dessa corrente dissolvente dos valores mais elevados, que deveriam constituir herança de inapreciável valor para as novas gerações. Mas quem manifesta esse tipo de preocupação corre o risco de parecer ultrapassado e pouco inteligente, porque os manipuladores da modernidade dissoluta apresentam-na com um certo charme, que garante destaque àqueles que a ela se associam. O resultado é que as pessoas ponderadas acabam omitindo-se, buscando uma forma compassiva de convivência. 

Preocupa-se o Espírito com a fronteira, que se faz cada vez mais imprecisa, entre o que representa um simples excesso e o que passa a ser permissividade, a começar pelo próprio linguajar característico de uma boa fração da sociedade atual, sobretudo dos jovens. 

É preciso fique claro que pouco se pode inventar nessa área. Falamos do que está cheio o nosso coração. O Mestre Jesus já se referia à mácula impressa na alma pelo que sai de nossa boca, certamente porque é o produto de nossos pensamentos e dá a sua verdadeira dimensão. 

Procurando explorar a etiologia desse fenômeno, o Espírito vai direto ao problema da televisão que, hoje, aliás, já faz parte das cogitações de bom número de pessoas e instituições. 
A permissividade observada na linguagem dos moderninhos e liberados está na periferia de outras anomalias sociais, inclusive a violência. Que é a violência, senão o fruto da falta de respeito pelo outro? 

É evidente que este espaço é muito pequeno para comportar a discussão da violência que hoje se observa nas ruas e nos lares de nossa sofrida sociedade. Ela tem origem na complexa questão social que vivemos, caracterizada pela falta de oportunidades para os jovens, pela baixa escolaridade de camadas cada vez mais expressivas da população mais carente, pelas penosas condições de habitação, transporte, segurança, saúde etc. Mas é preciso considerar que a violência está presente também nas camadas privilegiadas da sociedade. E, nestas, o remédio parece estar na correção de rumos que uma boa educação, alicerçada nos valores do espírito, poderia imprimir. 

O Espírito preocupa-se com os programas apelativos da televisão, naturalmente atribuindo a ela uma parte da culpa pelo estado de coisas que hoje se observa. Admite a dificuldade de pais que têm de sair para o trabalho fora de casa. Mas não abre mão do conselho de que as crianças devem ter outras opções de lazer e entretenimento, ou, pelo menos, devem ser educadas no sentido de fazer uma leitura menos passiva do que mostra a televisão. Não hesita em apresentá-la como uma faca de dois gumes, cabendo aos pais e educadores a tarefa de extrair o que de melhor poderia oferecer às crianças e jovens que a ela se escravizam. 

O tema não é novo. Nova, ou, pelo menos, sintomática, é a preocupação evidenciada por um Espírito, mormente, como assinala, quando os comportamentos desregrados observam-se no seio de famílias espíritas, que deveriam estar conscientes dos perigos a que se expõem as pessoas que adotam tais comportamentos. 

Não é preciso repetir que o espírita não é um ser especial, mas é inevitável admitir-se que dispõe de informações fora do alcance da maioria das pessoas. 

O mecanismo das influências espirituais, ligadas ao problema da sintonia, deveria ser levado em consideração, precisamente para sugerir ao espírita e cristão um comportamento recatado, que reflita os valores do Evangelho de Jesus. 

A alma infantil é terreno auspicioso. Nela podem ser plantadas sementes de esperança, na proporção dos anseios da sociedade humana que, a despeito dos avanços tecnológicos, continua insegura e infeliz. Tudo fica a depender da qualidade da semente a ser plantada e esta é uma tarefa inadiável de pais e educadores comprometidos com a construção de um mundo melhor. Fica a advertência.

Humberto Vasconcelos