União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

A visão Espírita dos transtornos mentais

 
 
 
O transtorno mental é qualquer anormalidade, sofrimento ou comprometimento de ordem psicológica e/ou mental. 

O conceito implica um comportamento diferente, desviante, “anormal”. Na abordagem psicológica e psiquiátrica moderna, esse termo substituiu “loucura e doença mental”. 

Os transtornos mentais na visão espírita têm origem profunda na consciência, a partir dos registros interexistenciais do espírito e representam provas ou expiações decorrentes da lei de causa e efeito. 

São mecanismos de reajuste e oportunidades de reequilíbrio perante a lei de Deus, impressos pelo espírito através da mente. 

O suicídio, o uso da inteligência e do magnetismo pessoal para o mal, os abusos do poder, os crimes hediondos e crimes contra coletividades, perpetrados no pretérito tenebroso, são algumas das causas anteriores da loucura. 

O tribunal da própria consciência e/ou os mecanismos da lei alcançam o devedor e imprimem na nova instrumentação reencarnatória os fatores predisponentes para os transtornos mentais. 

Naturalmente, na dinâmica das causas atuais das aflições, é possível plasmar desequilíbrios profundos na mente, a partir do mau uso do livre arbítrio e colher ainda na mesma 
existência os transtornos mentais como sinalizadores da necessidade de mudança. 

As alterações funcionais primárias do cérebro, catalogadas em nomenclatura específica como transtornos de ansiedade, transtornos de humor, psicoses, transtornos dissociativos, ainda que interpretados pela ciência da terra como de origem hereditária ou desconhecida, representam os mecanismos da lei que alcançam o devedor, tendo como instrumento a reencarnação e a genética. 

As alterações orgânicas decorrentes de lesões neurológicas isquêmicas, degenerativas, traumáticas, infecciosas, tóxicas ou neoplásicas associadas aos transtornos mentais também representam o escoadouro das imperfeições do espírito, a didática da dor que burila a pedra bruta da ignorância humana, regida pela inexorável lei de ação e reação. 

A influência obsessiva é capaz de manipular fluidos deletérios e desarticular os centros de força coronário e cerebral. Na ausência de resistência moral e pela sintonia ancorada na consciência de culpa podem levar aos transtornos mentais (desde transtornos de ansiedade até estágios avançados de demência). Representa o reencontro com o passado, na colheita da semeadura infeliz. 

A auto-obsessão tem como matriz mórbida a consciência de culpa e é capaz de minar as resistências mentais, desarticular o pensamento, através do circuito fechado deletério que busca aplicar ao próprio espírito encarnado a corrigenda inadiável. 

Por outro lado, as enfermidades orgânicas mais graves, particularmente as neurológicas, por comprometerem o equilíbrio energético do ser integral, desarticulam a integridade vibracional dos centros de força perispirituais e podem abrir espaço ao agravamento ou à eclosão de processos obsessivos que podem culminar em loucura. 

É imperioso ressaltar que os processos obsessivos graves e prolongados podem culminar em lesões cerebrais correspondentes, algumas irreversíveis. Essa realidade, não raro, aumenta a complexidade e a gravidade do problema e implica em transferência da cura para outras oportunidades reencarnatórias. 

A preocupação com a loucura consta na codificação Kardeciana, notadamente no capítulo XVII de O livro dos Médiuns. Esse estudo prossegue com a obra do Dr. Bezerra de Menezes “A Loucura Sob Um Novo Prisma” e encontra um campo valiosíssimo de observação na obra do Dr. Inácio Ferreira, no Sanatório Espírita de Uberaba, condensada nos títulos “Psiquiatria em face da reencarnação e Novos Rumos da Medicina I e II”. 

O mesmo tema é tratado de forma muito interessante pelo espírito Manoel Philomeno em “Loucura e Obsessão” pela psicografia de Divaldo Franco, em algumas obras de André Luiz como “Libertação”, “Sexo e Destino” e “Ação e reação” através das mãos abençoadas de Chico Xavier. 

O problema grave e de amplitude crescente nos momentos de transição do planeta continua sendo estudado por incontáveis trabalhadores dos dois lados da vida. 

Não obstante as variadas abordagens históricas sobre a origem da loucura, desde o modelo mítico-religioso (influência do sobrenatural), passando pela interpretação organicista (a causa reside em um órgão do corpo doente) e alcançando a visão psicológica (desequilíbrio das emoções), a causa profunda está inserida no espírito imortal. 

Neste sentido a proposta terapêutica integral soma todos os esforços das diferentes áreas do conhecimento humano, como a psiquiatria, a neurologia, a psicologia, a terapia ocupacional, a enfermagem, o serviço social e o tratamento espiritual. 

Este último transcende as barreiras das religiões dos homens e se funde na expansão da consciência através da luz meridiana da proposta libertadora de Jesus. 

Dessa forma, todos os recursos terapêuticos, desde a medicação alopática, a psicoterapia, o trabalho (laborterapia), a leitura edificante, a prece, o esforço em domar as más inclinações e a fluidoterapia são recursos inolvidáveis da misericórdia divina no alívio do sofrimento gerado pelos transtornos mentais. 

Os casos mais graves, que envolvem várias pessoas ao redor, particularmente os familiares e pessoas que se propõe a auxiliar, sinalizam a ação da justiça divina que alcança os antigos comparsas ou verdugos, em oportunidade abençoada de ressarcimento. 

A compreensão da origem profunda do problema é a base da paciência que deve nortear toda a relação com o portador de transtorno mental. 

A ação transformadora do amor representa a força colossal que cobre a multidão dos pecados e pavimenta a estrada da caridade, rota insubstituível para aliviar o sofrimento humano. 

Por Otaviano da Silva Júnior – Médico no Sanatório Espírita de Uberaba / Trabalhador no Centro Espírita Uberabense e Casa do Jardim.