União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Curas á distância

 

 

Milton Santiago Junior 

Prosseguindo com os estudos sobre as curas de Jesus, vamos analisar dois casos de cura à distância: o do criado do centurião romano, em Cafarnaum, e o do filho do oficial do rei, em Caná.

Pedimos ao leitor que, se possível, complemente o estudo com as referências citadas e que esteja atento aos pontos chaves de cada passagem. 

O criado do centurião
(Mt 8,5-13 e Lc 7,1 -10)

Como de hábito, uma grande multidão seguia Jesus na cidade de Cafarnaum, junto ao mar da Galiléia.

Alguns anciãos dos judeus, a pedido do centurião romano, acercaram-se Dele, rogando-Lhe auxílio para um seu criado muito estimado que jazia, paralítico, em sua casa, estando "muito doente, quase à morte".

De imediato, prontificou-se Jesus a acompanhá-los.

"Ia, pois, Jesus com eles;

mas, quando já estava perto da casa, enviou o centurião uns amigos a dizer-lhe:

-  Senhor, não te incomodes; porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado; por isso nem ainda me julguei digno de ir à tua presença; dize, porém, uma palavra, e seja o meu servo curado".

Jesus volta-se, então, para a multidão que o acompanhava, ressaltando:

"Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé!".

E diz aos enviados do centurião que retornassem, porque, pelo poder da crença daquele comandante, a cura já se consolidara.

"E voltando para casa os que haviam sido enviados, encontraram o servo com saúde".

Por que Jesus, no primeiro momento comprometera-se a ir pessoalmente e, depois, ante a absoluta e virtuosa confiança do centurião, absteve-se de entrar em sua casa, certificando aos enviados que a cura já se realizara?

Como Jesus realizou tal prodígio?

O fator que fez mudar a postura do Mestre foi o ato de profunda convicção e humildade do centurião.

Sua sinceridade comoveu a Jesus.

"Não sou digno de que entres em minha casa; dize apenas uma palavra...".

Cairbar Schutel, em memorável capítulo do livro Parábolas e Ensinos de Jesus, afirma: "Foi assim que o centurião creu, e foi assim que seu servo foi curado". 

Três fenômenos interagiram neste caso:

- o poder da fé (aqui como um efeito intercessório do centurião para o servo enfermo),

a irradiação fluídica de Jesus e

o concurso da equipe espiritual que O assessorava.

Kardec nos ensina que o perispírito tem propriedades de expansão, exteriorizando-se e projetando-se a inimagináveis distâncias, sob o impulso do pensamento.

A eficiência e o alcance das irradiações à distância depende essencialmente da capacidade de amar e da vontade de quem as emite.

Que se dirá, pois, das irradiações à distância de Jesus? Prontamente, o enfermo, mesmo à distância, foi envolvido pelos eflúvios balsamizantes do Mestre, iniciando o processo de reequilíbrio celular.

Mateus relata que, em sua argumentação, o centurião, que liderava cem soldados romanos,afirma:

-"Tenho soldados sob as minha ordens; e digo a este: vai!, e ele vai; e àquele: vem!, e ele vem; e ao meu criado: faze isto!, e ele faz".

E Jesus lhe responde que, se era assim que ele cria, assim seria feito.

Com base nisto, presume-se que o Médico Divino tenha destacado uma equipe de espíritos superiores para interceder diretamente, atuando em Seu nome na cura do paralítico.

O filho do oficial do rei
(Jo 4,46-54)

Em Jo 4, 46-54 acha-se citada uma passagem em que estando Jesus em Caná da Galiléia, mesmo local em que transformara água em vinho, um régulo oficial do rei viera pedir-lhe ajuda para um filho doente, à beira da morte.

O filho estava em Cafarnaum, na Judéia, e o oficial pedia que Jesus para lá retornasse a fim de curá-lo.

E Jesus lhe diz: ‘Se não virdes sinais e prodígios, de modo algum crereis.

Vai, o teu filho vive’. 

E o homem creu na palavra que Jesus lhe dissera e partiu. Ainda a caminho, descendo para Cafarnaum, alguns de seus servos o encontraram, assegurando-lhe que o filho estava vivo e bem.

Perguntou-lhes desde a que horas perceberam-lhe a melhora. Desde a hora sétima de ontem, responderam. Reconheceu, pois, o pai, ser aquela hora a mesma em que Jesus lhe dissera: O teu filho vive; e creu ele e toda a sua casa". 

Mais uma vez fica patente a cura à distância realizada por Jesus ao mesmo tempo em que Ele assegurava isso aos seus interlocutores. Também aqui a ação curativa parece derivar da conjunção dos fatores:

-a fé,
a poderosa irradiação à distância do Mestre e
a assistência no local dos Benfeitores Espirituais

Ensina André Luiz (Os Mensageiros, pg 74):

-"Jesus não foi somente Mestre, foi Médico também. Deixou no mundo o padrão de cura para o Reino de Deus. Ele proporcionava socorro ao corpo e ministrava fé à alma".