União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

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Cumplicidade, uma porta para obsessão

 

 

O título acima me faz lembrar um velho adágio popular como tantos outros criados através dos tempos: "quando um não quer dois não brigam".

Relendo o Livro psicografado por Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, "Painéis da Obsessão"- Edição da Livraria Espírita Alvorada/1983, verifica-se no intróito do mesmo, assinado pelo autor espiritual, uma sentença interessante que exprime exatamente o que se passa quando estamos encarnados, no dia-a-dia de cada um nesta fase evolutiva em que nos encontramos.

A frase, na página 8 da edição mencionada, diz:

"A obsessão resulta de um conúbio de afinidade de ambos os parceiros".

Mais adiante, na página 9, outra passagem:

"Em razão disso não existe obsessão apenas causada por um dos litigantes se não houver sintonia perfeita do outro".

Encerrando a primeira parte do preâmbulo Philomeno de Miranda diz:

"Só a radical mudança de comportamento do obsidiado resolve, em definitivo, o problema da obsessão".

Pois bem o assunto obsessão é largamente abordado na Codificação. Em "O Livro dos Espíritos" encontra-se no Capítulo IX - Intervenção dos Espíritos no Mundo Corpóreo

1. Penetração do Nosso Pensamento pelos Espíritos. A partir da Questão 456 até a 472 e a partir daí esmiuçando o tema sobre outros pontos.

"O Livro dos Médiuns" - Capítulo XXIII - Da Obsessão - nos dá os tipos desse mal e a maneira de como combatê-los. Na Parte Segunda, Capítulo IX - Os Lugares Assombrados - com mais esclarecimentos sobre o assunto.

Lendo a maneira como se expressa o autor nossa mente se volta ao passado quando, ainda crianças, e depois adolescentes em nossas brincadeiras com os amiguinhos, não admitíamos "ser passados para trás" como se diz hoje e partíamos para um pega-pega e nos feríamos e tínhamos as roupas rasgadas etc.

Palavrões eram proferidos aos montes. Nos campos de futebol, não admitíamos perder e partíamos para conflitos que geravam ferimentos e aborrecimentos aos pais e assim por diante.

Recordo-me, entretanto, que às vezes aparecia um garoto que não aceitava o desafio e virava as costas e se retirava do "campo de batalha".

Era chamado de covarde! Ignorávamos então, que não estávamos sós e que espíritos brincalhões e maldosos ou doentes como quiserem, nos influenciavam tendo em vista nossas atitudes violentas.

Os que "fugiam da raia" na verdade não eram covardes, mas sim corajosos por repelirem a violência.

Ao longo de nossa vida deparamos com muitas ocorrências em que bastava um dos litigantes não querer para que não houvesse uma tragédia.

Enfim, desde a existência do homem tem sido dessa forma. Apenas aqueles que aprenderam que "Se alguém vos bater na face direita, apresentai-lhe também a outra" são os que conseguem se elevar.

Este é o remédio deixado por Jesus e encontrado no Novo Testamento e em o "Evangelho Segundo o Espiritismo".

O conúbio mencionado por Manoel Philomeno de Miranda, que quer dizer sintonia, e por analogia "casamento", é ponto de semelhança entre coisas diferentes. Daí as respostas para as doenças, imprevistos desagradáveis e a violência que campeia a nosso redor e no mundo, a fome, as guerras, causadas pelo egoísmo, a ganância, o ódio, o preconceito...

Os espíritos mais doentes e totalmente perturbados num círculo vicioso assediam seus desafetos do passado e esquece-se que outrora foram, por sua vez, algozes dos que no presente julgam serem suas vítimas.

A afinidade entre obsessor e "vítima" está principalmente no comportamento desta última.

Se o obsediado mesmo com seus problemas expiatórios encontrar o caminho da REFORMA ÍNTIMA, e por ele trilhar, certamente se livrará de seu perseguidor e ainda estará contribuindo para que seu desafeto inicie uma reflexão reforçada por constantes orações (Fora da Caridade não há Salvação).

Problemas existenciais existirão para todos os Espíritos enquanto não se depurarem.

As reencarnações são exatamente para isso. A Terceira Revelação, codificada por Allan Kardec, nos trouxe o Espírito de Verdade prometido por Jesus e o "Evangelho Segundo o Espiritismo" nos dá a rota como acima foi dito, para um caminho seguro para que um dia possamos ser úteis.

Aliás é para isso que fomos criados. E um dia, depois de passar por Jesus, chegaremos ao Pai de Paz e Amor.

Finalizando este artigo vamos transcrever um trecho de uma página de autoria de Emmanuel, e psicografada por Francisco Cândido Xavier, que se encontra inserida no livro "Vinha de Luz"- edição FEB/1987.

- "Nisto conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro."- (I João, 4:6.) –

"Quando sabemos conservar a ligação com a Paz Divina, apesar de todas as perturbações humanas, perdoando quantas vezes forem necessárias ao companheiro que nos magoa; esquecendo o mal para construir o bem; amparando com sinceridade aos que nos aborrecem; cooperando espiritualmente, através da ação e da oração, a benefício dos que nos perseguem e caluniam; olvidando nossos desejos particulares para servirmos em favor de todos; guardando a fé no Supremo Poder como luz inapagável no coração...

Publicado em O CLARIM fevereiro/2008
Autor: J. Garcelan