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Norma da vida 
Sinto-te o coração dorido em prece
E perguntas, em pranto, alma querida e boa:
– "Como guardar a fé, sem que a prova nos doa
Nos recessos do ser? 
Uma norma de paz haverá sobre a Terra
Que consiga sanar as chagas da alma triste?"
Sem pretensão, respondo que ela existe:
– Trabalhar e esquecer!...

A própria Natureza é um livro aberto;
Recorda o tronco antigo e a tempestade.
Desçam raios do céu, a nuvem brade,
Sob a crise da noite a estremecer,
Ei-lo, porém, ereto e firme, aguentando a tormenta...
Quebra-se-lhe quase toda a ramaria,
Ele guarda, no entanto, as instruções da vida:
– Trabalhar e esquecer!...

Vejo a terra humilhada na lavoura.
Ferida e massacrada,
Ao peso do trator e entre golpes de enxada,
Tem nos vulcões rugindo o seu bravo gemer...
Mas, mesmo assim, produz o pão do mundo.
Injuriada e revolvida,
Atende a ordenação que recebe da vida:
– Trabalhar e esquecer!...

O fio d’água que nasceu na serra,
Pouco a pouco se fez amplo regato,
Percorrendo quilômetros de mato,
A correr e a correr...
Dessedentando pombos e serpentes,
Sofre a baba do lobo que o domina
E segue para o mar, ante a norma divina:
– Trabalhar e esquecer!...

Assim também, alma querida e boa,
Se carregas contigo farpas de amargura,
Desencanto, tristeza, desventura,
Chora, mas faze o bem – nosso alto dever...
Quanto às pedras e empeços do caminho,
Desengano e aflição, mágoa e mudança,
Olvida!... E segue as vozes da esperança:
– Trabalhar e esquecer!...

Referências Bibliográficas:

Pelo Espírito Maria Dolores, extraído da obra Assembleia de Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier.