União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Perda dos Entes Queridos

 

 

 

 


 

Regina de Agostini

 

Apresentação a entrevistada:

<Regina_De_Agostini>. Sou Regina de Agostini e trabalho na casa de Maria de Nazaré, Grupo Rita de Cássia de Estudos Espíritas que funciona no Leblon. (t).

Considerações iniciais do palestrante:

<Regina_De_Agostini> A perda dos entes que nos são caros é uma dor que atinge a todos pois a morte é comum a lei. A maioria das pessoas teme o falecimento de um afeto e se recusa a pensar nesta possibilidade, mesmo em relação aos familiares mais idosos. Quanto as filhos nem pensar. Reconhecemos a dor de uma separação entre pessoas que desenvolveram ao longo de uma existência laços de profundo afeto. A Doutrina Espírita nos ajuda no equilíbrio necessário ao enfrentarmos esta prova pois descortina a vida após a morte e ajuda-nos a conviver com esta realidade, aceitando-a como experiência evolutiva do mundo em que vivemos.(t)

 

Perguntas/Respostas:

<Moderadeiro> [01] <Caminheiro> Como os livros de Patrícia, Luiz Sérgio, André Luiz e outros espíritos que nos falam da vida no mundo espiritual, podem aliviar o sentimento de perda, nas famílias que acabam de perder entes queridos?

 

<Regina_De_Agostini> O conhecimento da realidade da vida após a morte, dos encontros que se realizam no outro plano com familiares e espíritos amigos, a certeza do amparo que todos recebemos, são motivos de consolo àqueles que viram partir do mundo físico seus entes queridos, e também a certeza de que em breve haverá um novo reencontro. (t)

<Moderadeiro> [02] <uai> O fato das pessoas não esclarecidas com relação ao "fenômeno" morte se atormentarem e se desesperarem ao terem perdido um ente querido, não seria mais uma forma de egoísmo: choramos por nós mesmos?

 

<Regina_De_Agostini> Acreditamos que em todas as nossas ações existe um pouco, ou muito, egoísmo. O desconhecimento das realidades espirituais, a incerteza quanto ao futuro reencontro, o fato de muitas vezes acharmos que ninguém cuida daqueles a quem amamos melhor do que nós contribuem para a dor e muitas vezes para o desespero diante da morte. O conhecimento, com certeza, alivia, ajudando no nosso equilíbrio íntimo. (t)

<Moderadeiro> [03] <Flavyo> Como nós, espíritas, devemos abordar o assunto da perda de um ente querido com pessoas que tenham passado por essa experiência recentemente, e que nem sempre aceitam a reencarnação e a vida espiritual?

 

<Regina_De_Agostini> Com a naturalidade que a Doutrina Espírita nos ensina diante da morte, com muito amor, buscando esclarecer, como nós entendemos a morte. Se a pessoa aceita, e nesses momentos buscamos motivos de consolação, ela certamente se sentirá aliviada. (t)

 

<Moderadeiro> [04] <Caminheiro> Como a mediunidade pode minimizar os sofrimentos daqueles que sofrem o desespero da perda, por exemplo, de um filho?

<Regina_De_Agostini> Pela possibilidade do recebimento de notícias daqueles que já partiram e até mesmo uma mensagem do ente querido. (t)

 

<Moderadeiro> [05] <Dilma_away> Sabemos que a morte não existe, que vamos nos encontrar. Mas isso se dá imediatamente?

<Regina_De_Agostini> Na questão 160 de "O Livro dos Espíritos", os espíritos nos informam que sim, conforme a afeição que lhes votava. Muitas vezes seus conhecidos os vem receber à entrada do mundo dos espíritos. Existe, sim, esta possibilidade do encontro ser imediato. No entanto, isto tudo vai depender da posição do espírito desencarnante até mesmo de poder perceber os espíritos amigos à sua volta. (t)

<Moderadeiro> [06] <_Mara_> Uma vez que a morte não existe, o que poderia significar o termo "perda", relativa ao desencarne dos entes queridos?

<Regina_De_Agostini> Perda do contato físico, da possibilidade de ver, olhar, tocar, sentir. (t)

 

<Moderadeiro> [07] <Dilma_away> Se um pai, não suportando a dor da perda de um filho comete o suicídio, ele encontrará o filho no mundo espiritual?

<Regina_De_Agostini> Certamente, mas não sabemos quanto tempo levará para que este encontro possa se dar. A problemática do suicídio é muito séria para ser analisada em poucas palavras. Os espíritos nos informam do estado de desequilíbrio provocado pelo ato de fuga a vida, pela inconformação de aceitar os desígnios de Deus. (t)

<Moderadeiro> [08] <_Mara_> Como podemos nos relacionar com os entes queridos que se foram sem causar-lhes perturbações?

 

<Regina_De_Agostini> Com lembranças amorosas, sem revolta, buscando lembrar daqueles a quem amamos nos momentos de alegria, de pacificação. A lembrança significa que existe amor e o amor jamais prejudicou ou desequilibrou a alguém.(t)

 

<Moderadeiro> [09] <Dilma_away> Podemos prejudicar aquele que desencarnou pela dor da perda, desequilibrando-o?

 

<Regina_De_Agostini> O pensamento mórbido, a revolta, a inconformação, a idéia fixa são as formas que poderiam prejudicar e desequilibrar o desencarnado. Não estamos proibidos de sentir a dor da perda, que é real, que dói. Não estamos proibidos de chorar a perda de um familiar, de um pai, de uma mãe, de um filho. Na vasta literatura espírita sobre o assunto, nas mensagens recebidas mediunicamente daqueles que desencarnaram é comum estes rogarem a nós que aqui ficamos a paciência, a resignação e a conformação e que busquemos aliviar a nossa dor para que ela possa se transformar num sentimento que edifica. Não permitamos que a saudade se converta em motivo de angústia e opressão, pois estes sentimentos são os que prejudicam a aquele que desencarnou.(t)

 

<Moderadeiro> [10] <Guest25241> Esses lugares onde ainda predominam guerras (Iugoslávia) como devem conciliar as suas mentes, essas pessoas que perdem entes queridos?

 

<Regina_De_Agostini> Da mesma forma que em outras situações de perda. (t)

<Moderadeiro> [11] <_Mara_> Se o ente querido que se foi for uma pessoa muito boa, podemos endereçar-lhes pedidos nas nossas preces?

 

<Regina_De_Agostini> Podemos sempre endereçar pedidos em nossas preces pois eles nunca se perdem. Devemos evitar endereçarmos estes pedidos constantemente, criando uma dependência que não ajuda nem a nós nem a aquele que partiu.(t)

 

<Moderadeiro> [13] <Dilma_away> Pessoas em fase terminal, sempre relatam a presença de pessoas que lhe eram queridas. Isso é uma prova de que nos reencontramos no mundo espiritual, e eles vem nos ajudar sempre?

 

<Regina_De_Agostini> Na fase terminal de uma doença é comum o espírito já estar bastante desligado do corpo, o que propicia a ver, perceber os espíritos a sua volta. Acreditamos que isto seja uma prova das realidades espirituais e do carinho e respeito com que somos tratados neste momento de transição.(t)

 

<Moderadeiro> [14] <Quinto> Um ente querido, assim julgamos quando encarnado conosco, pode, por uma ligação excessiva ou egoísta, tornar-se uma espécie de obsessor em nossas vidas?

 

<Regina_De_Agostini> Sem dúvida. o desconhecimento das realidades espirituais, o amor mal direcionado ligam as pessoas vibratoriamente. Esta ligação pode prejudicar a todos. Humberto de Campos nos diz que "No mundo espiritual encontrei muita gente boa carregando o inferno rotulado de amor." É preciso aprender a amar, para que este amor não seja motivo de sofrimento.(t)

 

<Moderadeiro> [15] <Dilma_away> Quando sonhamos com aqueles entes que partiram, esse contato é real ou é fruto de nossa ansiedade em tê-los próximo de nós?

 

<Regina_De_Agostini> Pode ser, e quase sempre é real. Por que não acreditamos nesta possibilidade que tanto nos faz bem a alma. A Doutrina Espírita nos ensina sobre o desprendimento no momento do sono, nos fala que as almas que se amam se buscam para estarem juntas, para trocarem sentimentos. Por que não acreditamos nisto e estamos sempre colocando em dúvida nossas percepções? (t)

 

<Moderadeiro> [16] <Quinto> O apego na forma de pensamento sempre voltado para aquele que desencarnou e que é um espírito também em fase evolucionária, ainda se refazendo do seu desenlace, não pode atuar negativamente, desequilibrando o espírito, por emissões mentais de dor, sofrimento e etc?

 

<Regina_De_Agostini> O que desequilibra é a inconformação, a revolta, é o pensamento fixo naquele que partiu, o relembrar constantemente a circunstância do desencarne, principalmente quando este ocorreu em circunstâncias trágicas. Como já falamos, existem inúmeras mensagens em que os espíritos se referem a estes pensamentos e pedem que aceitemos os desígnios de Deus com esperança e fé.(t)

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO PALESTRANTE:

 

<Regina_De_Agostini> Ao final deste encontro gostaríamos de deixar para todos aqueles que nos acompanharam a reflexão de que, antes de sermos filhos ou termos filhos, somos filhos de Deus e que Deus cuida de cada um de nós providenciando as melhores situações para o nosso crescimento. Desenvolver em nossas almas esta confiança irrestrita em seu amor ajuda-nos a passar pelas dores necessárias ao nosso crescimento considerando o mundo em que vivemos. A morte precisa ser encarada como parte da vida. Precisamos aprender a pensar nesta realidade, sem morbidez, mas realisticamente, pois, certamente, mais cedo ou mais tarde nos defrontaremos com esta situação. Agradecemos a atenção de todos e que Jesus nos abençoe.(t)

Oração Final:

<_Cassia_> Vamos, nesse momento em que encerramos mais uma oportunidade de aprendizado, de reflexão. buscar a paz em nosso íntimo para que possamos compreender, para que possamos vivenciar, para que, com fé em Deus, lembrando sempre do exemplo de Jesus, possamos sempre buscar nosso aperfeiçoamento. Que tudo o que aprendemos aqui hoje e tudo o que aprendemos em cada momento de nossas vidas possa fazer parte de nós Agradecemos a ajuda que tivemos nesse trabalho, encarnados e desencarnados. E com muito amor, nesse momento, nos despedimos com esperança de que nosso mundo seja sempre melhor. Que o amor de Jesus nos acompanhe! Paz e muita luz. Que assim seja!