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Dra. Marlene - A medicina espiritual

Dra. Marlene - A medicina espiritualDra.Marlene Nobre: "A medicina espiritual é muito abrangente e sua preocupação é o homem integral, sua prioridade é o espírito"

Marlene Nobre é médica, autora de vários livros e presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil), que promove atividades de estudo e divulgação do Espiritismo no meio médico e acadêmico. Em julho de 2002, Marlene participou em nossa cidade da 11a Semana Espírita de Londrina, ocasião em que conversou com a equipe de produção do programa “Reflexão Espírita” sobre temas ligados à medicina e à AME-Brasil.

Eis a seguir a íntegra dessa entrevista:

Luis Claudio – Existe uma medicina espírita? Existe um médico espírita, ou um médico e espírita?

Marlene – Existe um espírita médico, que, antes de ser médico, é espírita. E a medicina espiritual é muito abrangente, é uma medicina integral, do homem integral. O que se prioriza é o espírito, de modo que a medicina espiritual, ou aquela proposta pelo Espiritismo, é uma medicina muito abrangente. Ela está ainda para ser construída. Nós temos dificuldade nesta área porque tudo é muito novo. É um paradigma que leva em consideração a alma em primeiro lugar e, em seguida, os seus envoltórios, que são o corpo físico, o perispírito, o corpo mental, e assim por diante. Toda a terapia proposta pelo Espiritismo é complementar àquela que se pratica na Universidade. Então, o médico espírita não é um charlatão. Ele aprendeu nas universidades, ele faz uso do seu conhecimento, ele atualiza-se, ele especializa-se mas, também, sabe que precisa priorizar o espírito. Para isto, ele se utiliza da terapêutica complementar espírita, que é gratuita e existe em todos os centros e instituições espíritas, de modo que ele se utiliza da prece, da meditação, do passe, da sessão de desobsessão, das tarefas mediúnicas e, principalmente, daquilo que se chama o auto-encontro, que é o encontro da pessoa com ela mesma. Isto porque, na verdade, a cura é uma autocura. O médico é instrumento e o médium também. Por isso, se a pessoa não desejar, ela não se cura.

Luis Claudio – Algumas pessoas vêem, porque ganham projeção na televisão e na mídia em geral, alguns médiuns que fazem cura e que fazem cortes, e isso aparece em vários momentos. Como a AME e você, como médica e espírita, vêem isto?

Marlene – Nós temos muito cuidado na AME, porque é um campo muito sujeito a charlatões – pessoas de má-fé que se aproveitam da dor de uma família inteira. Então, tudo aquilo que diz respeito a curas espirituais para nós é sagrado. Nós acreditamos que existem curas espirituais, maravilhosas por sinal. Mas o que ocorre quando o médium utiliza-se de instrumentos cortantes é que ele está entrando numa área que não é a dele, que é a do médico. Então, nós não aceitamos! E também não quando ele utiliza-se de recursos que se prestam ao charlatanismo. De modo que o médium tem as suas mãos e, através das suas mãos, os Espíritos podem curar.

Luis Claudio – O que faz uma Associação Médico-Espírita e o que ela produz?

Marlene – Há muita curiosidade a respeito disto. Nós podemos dizer que a Associação é, sobretudo, uma associação científica que estuda todos os problemas humanos à luz do Espiritismo, na sua feição científica. Então, nós nos utilizamos de métodos científicos para fazer nossas pesquisas e, também, nós buscamos teorias que são o complemento, ou tudo aquilo que nós buscamos atualizar, utilizando os conceitos médicos e os conceitos espíritas. É uma atividade essencialmente científica. Mas, ao lado disso, existe a valorização das questões éticas e dos valores humanos. Nas questões éticas como aborto, eutanásia, transplantes e tudo mais, agora clonagem e manipulação genética, nós temos que utilizar todo o conhecimento espírita para compreender a bioética. E temos também nossa opinião, e também nossos estudos a fazer nesta área. Mas, também, nós temos que buscar sempre, nessa questão toda, a parte humana, porque a nossa finalidade é levar a alma à Medicina, no duplo sentido. A alma, priorizando o espírito-alma e a alma como calor humano, como caridade, amor, fraternidade, solidariedade. Então, um médico espírita não está só empenhado em fazer ciência, ele também está empenhado em valorizar as questões éticas e, sobretudo, as questões de solidariedade humana, porque nosso patrono, dr. Bezerra de Menezes, foi um exemplo nessa área de solidariedade e de amor ao ser humano.

Luis Claudio – O médico Sérgio Felipe de Oliveira organizou na USP um curso. Como seu companheiro na AME, você poderia nos dizer como está estruturado o curso dele?

Marlene – Ele procura, exatamente, aliar a Medicina à parte fundamental do ser, que é o espírito. Então, a medicina da alma, a medicina espiritual, tudo aquilo que diz respeito a tratamento, a anamnese, a cura, a história do doente, tudo isto é visto à luz da Doutrina Espírita. E todos os eventos fisiológicos ou patológicos são vistos sob a ótica da reencarnação, da imortalidade da alma, da comunicação das almas entre si, enfim, de todos os conceitos espíritas. E o Sérgio procura no seu curso exatamente colocar a interferência do espírito em todas essas áreas, mostrando a rede integrada que somos. Nós estamos integrados não apenas do ponto de vista dos nossos órgãos, mas também estamos integrados com a humanidade, com todos os seres que habitam a humanidade, encarnados e desencarnados. Nós estamos integrados com todos, embora a gente não consiga ver.

Luis Claudio – O Jornal da Associação Espírita deste mês trouxe uma reportagem sobre uma pesquisa científica. Nos Centros Espíritas, os espíritas têm o costume, o hábito, da água fluidificada após a transmissão dos passes magnéticos. O que você poderia falar da pesquisa que um cientista japonês fez e como isso colabora com o entendimento espírita?

Marlene – Nós temos uma pesquisa muita bem feita pelo Dr. Massaru Emoto. Há oito anos ele realiza esta pesquisa e ela está no seu livro Messages from Water. Ele tem quase duzentas ilustrações que ele conseguiu nesta pesquisa. Como é que ele fez? Ele tomava amostras de água do mundo todo e procurava ver até que ponto os sentimentos humanos modificavam a água. Ele realizava da seguinte forma: levava a água ao congelamento e, depois de congelada, pegava os cristais e os examinava num microscópio de campo escuro. Tirava as fotos correspondentes. Ele observou que quando os sentimentos eram bons, como um “muito obrigado”, enfim, sentimentos nobres, ele tinha os clusters, que são verdadeiras jóias em cristal, todos com o formato muito bonito, todo iluminado. Mas quando ele tinha, por exemplo, naquela água, um sentimento do tipo “eu vou te matar”, “eu te detesto”, ele observava que as moléculas de água não se estruturavam, pelo contrário, elas formavam um aspecto muito feio, muito negativo. E não apenas com as palavras orais, faladas, mas também as escritas. Então, ele deixava um vaso com água e com a palavra escrita, e observava que havia interferências. Aquilo que a gente vê na vida humana, que é a água benta no Catolicismo e a água fluidificada dos espíritas, tem muita razão de ser. Quando você ora – e ele fez essa experiência com grupos orando para aquela água, emitindo bons pensamentos –, formam-se os mais belos cristais. De modo que os espíritas têm muita razão, e hoje este fato está ratificado pela Ciência.

Luis Claudio – Em função até dessas suas palavras em relação à água, de uma forma sucinta, o que você poderia deixar de mensagem para as pessoas que estão médicos hoje, aqui, na sua vida profissional?

Marlene – Eu creio que existem muitos assuntos que deveriam ser mais pesquisados e, principalmente, pesquisas muito bem feitas, protocolos muito bem realizados em pesquisa, e que os nossos colegas deveriam se interessar para a mudança desse paradigma tão materialista em que, sobretudo a Medicina, está alicerçada. Porque, enquanto não mudarmos o paradigma humano, de vida humana, para o espírito, para as realizações construtivas do bem, dificilmente a humanidade sairá desse ramerrão costumeiro em que, infelizmente, a violência é o traço fundamental.

Luis Claudio – Os Espíritos podem influenciar em nossa saúde?

Marlene – Realmente, os Espíritos, sobretudo aqueles que constituem a humanidade desencarnada, influenciam para pior ou para melhor na saúde humana. 

Luis Claudio – Quem são esses Espíritos que estão ao nosso redor?

Marlene – Somos nós mesmos, quando perdemos o corpo físico. São seres humanos que viveram na Terra por um determinado tempo e que, desencaixados do corpo físico, constituem agora a humanidade desencarnada e que está ao redor de nós.

Luis Claudio – Existe a obsessão?

Marlene – Eu creio que a obsessão é um conluio de almas que têm necessidade de reajuste. São almas que se desentenderam numa determinada fase da vida, ou numa determinada encarnação, e que se procuram, primeiramente, num movimento de vingança ou de antipatia muito grande, mas cujo resultado fundamental será sempre a harmonização, o amor, a compreensão.

Luis Claudio – E esse processo de influência negativa é permitido por Deus?

Marlene – Creio que a lei divina é a lei do amor. Tenho certeza disto, aliás. Então, Deus criou os seres humanos para que eles se entendessem, se amassem, porque esta é a finalidade fundamental da vida, principalmente, a de seguirmos a lei do amor. Quem foge do cumprimento dessa lei não é Deus. Quem foge do cumprimento da lei é o filho, é a criatura que ele criou. A lei de Deus permanece imutável. E nós teremos que nos acertarmos com ela, porque é fundamental que essa lei permaneça vívida dentro de nós. Como nós não o fazemos, obviamente, nós somos encarcerados por nós mesmos. Nós ficamos presos à não realização de uma lei, porque estamos contrários a ela. Então, não é Deus que se envolve diretamente nesta questão. Nós é que, ao longo de encarnações sucessivas, de tanto errar, de realizar coisas que não condizem em absoluto com a lei Divina, somos obrigados a refazer caminhos. E é isso que a encarnação oferece e, dentro dessa proposta, existe a obsessão, que é a aproximação do Espírito com vistas à harmonização e ao perdão recíproco.

Luis Claudio – Mas, Marlene, aonde é que estão escritas essas leis?

Marlene – Isto vem desde a criação do Universo. Deus criou o mundo, a vida, por amor. E o amor Divino está esparso no Universo inteiro. E tem um nome, o pensamento de Deus que banha o Universo inteiro, é a matéria elementar primitiva, é o fluido cósmico. De modo que isto está disseminado no Universo inteiro. E esta substância, se poderíamos chamar assim, ela está impregnada de amor, e todas as vezes que você foge ao cumprimento do amor, automaticamente, você está deturpando a matéria elementar básica. Você está construindo algo negativo com o pensamento de Deus. Você está, enfim, provocando uma espécie de estagnação da corrente divina no Universo. E é automático na vida que você desfaça este aspecto negativo, porque ele não é condizente com o Universo, com as leis que foram criadas. 

Luis Claudio – Parece tudo muito simples, mas algumas pessoas têm medo. Elas acham que se estudarem sobre a espiritualidade, sobre esses espíritos que nos rodeiam, elas vão abrir mais campo para que essa atuação ocorra. Como você vê isto?

Marlene – Eu tenho a impressão de que essa dificuldade de entender a ação dos Espíritos vem porque nós não temos o hábito, na Terra, de estudar esses assuntos. Nós nos distanciamos do espírito. Nós não temos, por exemplo, um trânsito fácil com a mediunidade. Entretanto, a mediunidade é uma faculdade inerente à criatura humana. Mas, se você for falar em mediunidade, as pessoas se apavoram. E quando elas ouvem falar em obsessão, ficam mais apavoradas ainda. Quando, na verdade, esta deveria ser uma visão normal da criatura sobre si mesma, porque a mediunidade faz parte da vida humana. 

{Trecho da palestra de Marlene Nobre na 11a Semana Espírita de Londrina: Nós temos também importantes pesquisas de um ilustre físico da Sociedade de Física. Ele pesquisou as visões no leito de morte. Ele distribuiu questionários e pediu para que enfermeiras e médicos descrevessem aquilo que se passou no leito do paciente em estado terminal. Ele descobriu coisas interessantíssimas a respeito de parentes que vinham para levar aqueles que estavam em estado terminal.} 

Luis Claudio – A oração tem influência no processo de cura, ou é o remédio mesmo que resolve?

Marlene – Hoje já existe um movimento muito forte da medicina espiritual, especialmente nos Estados Unidos. Se hoje, por exemplo, você buscar o posicionamento dos trabalhos científicos, você vai ver que já existem 23.500 trabalhos científicos sobre a oração e sua influência na vida humana, principalmente nos casos de doença. E você vai ver quanto ela é benéfica para o ser humano. Então, a proposta da terapia complementar espírita está sendo comprovada dia a dia pelos próprios colegas que não são espíritas. Hoje, a meditação e a oração são, para alguns médicos, atitudes ou aspectos normais que o médico deve adotar na terapêutica. E isso o Espiritismo já está preconizando desde 1857, quando surgiu o Livro dos Espíritos. Por isso é muito bom para nós, dentro da AME, ver quais são os trabalhos que estão sendo feitos no mundo todo sobre o assunto e verificar a coincidência, entre aspas, dos resultados obtidos com os que o Espiritismo preconiza.

JENAI OLIVEIRA CAZETTA 
De Londrina (colaboração do jornal O Imortal)