União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Entrevista com Richard Simonetti ( Suicídio, doenças incuráveis, esquecimento do passado, sofrimento, transplante de órgãos)

 

 

 

W.A.Cuin    ( do Portal das Mocidades Espíritas )

 

       Estando em Votuporanga, o escritor e orador espírita Richard Simonetti, concedeu importante entrevista ao colaborador dos jornais “ A Cidade”, de Votuporanga, “ Diário de Votuporanga” e “ Folha Espírita”, respondendo perguntas sobre sofrimento, esquecimento do passado, suicídio, transplante de órgãos e outros assuntos.

       WAC – Como compreender a Justiça Divina vendo pessoas sofrerem sem merecer, pagando pelo que não devem?

       RS - Essa pergunta deve ser respondia por aqueles que não aceitam a Reencarnação. Fica complicado explicar determinadas situações impostas pela Vida – uma deficiência física congênita. Por exemplo -, se não admitirmos que fazem parte de mecanismos divinos que nos impõem, no presente, resgates e reajustes compatíveis com nossos desatinos em pretéritas existências.

       WAC – Uma vez que estamos vivendo uma nova reencarnação, tendo um passado já registrado, como não lembramos do que fizemos e o que fomos?

       RS - Há múltiplas razões para isso. Destaquemos uma apenas: A criança que recorda sua ultima existência, nos casos de reminiscência espontânea, enfrenta grandes dificuldades.
       Não consegue conciliar a personalidade presente com a passada. Como entender que está num corpo jovem, mas intimamente sente-se outra pessoa, mais velha, com um acervo de lembranças e relacionamentos familiares e afetivos que não tem nada a ver com o presente? Quem são seus pais legítimos, os de hoje ou de ontem? Imaginemos que ao invés de uma existência, entrássemos na posse de muitas delas.
       Haveria um tal embaralhamento em nossas lembranças e sentimentos, uma tal confusão envolvendo múltiplos pais, irmãos, filhos, cônjuge, afetos ou desafetos, atividade compromisso que, literalmente, endoideceríamos.

       WAC – Esse esquecimento é benéfico, então?


       RS - Sem dúvida. É um abençoado recomeço, sem perturbadoras lembranças, com o ensejo de superar paixões e fixações que nos comprometem no passado.

       WAC – Teríamos que recomeçar cada existência na Terra, pois que não recordamos onde paramos no processo evolutivo?


       RS- Recomeçamos a existência não o processo evolutivo. Este é contínuo, desdobrando-se no suceder das reencarnações e também no plano espiritual, no intervalo entre elas. Assim desenvolvemos nossas percepções aprimoramos a inteligência e o sentimento, conservando sempre o substrato de nossas experiências, a se manifestar, em cada novo mergulho na carne, na forma de tendências e aptidões.

       WAC – Com o notável avanço médico vão se tornando mais comuns os transplantes de órgãos. Qual a sua opinião a respeito?

       RS - A função da Medicina é preservar a saúde humana, sob inspiração de Deus. Os transplantes de órgão representam um avanço nesse particular, ajudando as pessoas a cumprirem a programação biológica da espécie, que prevê uma existência de perto de um século.

       WAC - O Espírito não se sente lesado ao verificar que estão sendo retirados órgãos do corpo que usava, para transplante?

       RS - Não há porque se sentir lesado, já que ele não levará uma célula de seu corpo para o Além. Mais algumas horas ele servirá de pasto aos vermes.

       WAC - Estando a pessoa em morte cerebral, do ponto de vista espiritual é correto extrair seus órgãos para doação?

       RS- A morte cerebral é irreversível. Sem comando o corpo pára de funcionar em seguida. O coração, ainda que sustentado por aparelhos, não resistirá por muito tempo. A doação simplesmente antecipa-se em algumas horas ou dias, ao banquete dos vermes. Eventuais problemas para o Espírito relacionam-se com seus comprometimentos morais e emocionais, sem se vincularem ao tratamento dado ao seu corpo nos últimos instantes de vida ou logo após a morte.

       WAC – Jesus afirmou que os que sofrem são bem-aventurados. Como se o sofrimento está visivelmente estampado neles?


       RS - Sofrimento estampado no rosto é aflição, filha da revolta. Quem sofre assim pode estar pagando algo dos débitos do passado, mas está adquirindo créditos para o futuro. Por isso Jesus proclamou que o Reino dos Céus, o estado íntimo de paz e harmonia, mesmo no sofrimento, pertence aos humildes. Estes sim, são bem-aventurados, porque aceitam a vontade de Deus e procuram fazer o melhor.

       WAC – Médicos, artistas, legisladores, gente do povo, em alguns países, defendem o direito da criatura dispor da vida, isto é, de matar-se, se desejar. Como entender essa questão?

       RS - É lamentável equívoco de que se arrependerão amargamente, quando à espiritualidade. Há uma unanimidade significativa em todas as religiões, situando o suicídio como criminoso desrespeito aos desígnios divinos.

       WAC – Em casos de doenças incuráveis, que fatalmente levariam o doente a morte, com grande sofrimento, o suicídio não seria abreviar o padecimento?

       RS - Os sofrimentos maiores, com grande sofrimento, que muitos pacientes terminais experimentam jamais são imerecidos. Algo fizeram na existência atual ou pretérita para enfrentar tal situação, que, sobretudo, é depuradora. Habilita o Espírito a uma situação melhor na Vida Espiritual. Tenho ouvido Espíritos abençoando padecimentos gerados por moléstias graves que determinaram sua desencarnação, situando-os por valioso “tratamento de beleza” em favor de suas almas maculadas por desvios passado.

       WAC – Do ponto de vista espiritual quais são as conseqüências do suicídio para quem o pratica?

       RS -Dizem os Espíritos de suicidas que os piores sofrimentos da Terra não chegam perto dos que enfrentam, em face do turbilhonamento mental e dos desajustes perispirituais provocados pelo gesto comprometedor. Depois de muito sofrerem, deverão reencarnar com graves limitações físicas, conseqüentes do suicídio. Pior: mais cedo ou mais tarde, ver-se-ão ás voltas com os problemas de que tentaram fugir, em regime de débito agravado.