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Divaldo Franco: "Aos 84 anos, vi o mundo acabar 14 vezes"

Divaldo Franco: "Aos 84 anos, vi o mundo acabar 14 vezes"

Natural de Feira de Santana, na Bahia, Divaldo Franco se comunica com os espíritos desde a infância. É reconhecido como um dos maiores médiuns e oradores da atualidade e grande divulgador da doutrina espírita.

Ana Elizabeth Diniz
Especial para O TEMPO 

Nesses 64 anos dedicados à doutrina espírita, o que mudou?

Desde que eu aderi ao espiritismo, houve maior aceitação da doutrina graças à grande mídia e à divulgação dos postulados espíritas. As antigas barreiras do preconceito e da má vontade ruíram e hoje o espiritismo tem passagem livre em todos os arraiais culturais de todos os segmentos sociais. Mudou esse movimento, mas não a doutrina que é o conteúdo deixado por Allan Kardec para a exposição desses mesmos postulados. As pessoas estão mais acessíveis, porque antes havia muito preconceito, o que dificultava a divulgação.

Como se explica, à luz da doutrina espírita, o mundo de hoje com a banalização da violência e do sexo?Que mundo é esse?

Depois de um longo período medieval de mil anos de ignorância e intolerância, é natural que os ideais de liberdade, a partir de 1789, com a Revolução Francesa, permitissem uma visão mais otimista, mais pragmática. Com a ciência e a tecnologia, alargaram-se os horizontes do pensamento universal, mas o processo moral é muito mais lento e não acompanhou esse desenvolvimento de natureza técnica e, como é natural, as pessoas sedentas de liberdade derraparam na libertinagem. Mas é um período transitório porque o ser humano está cansado de tanta sensualidade, prazer e violência. Lentamente, a humanidade vai retomar os valores éticos.

Os espíritos têm enviado alguma mensagem sobre o futuro na humanidade?

É um futuro admirável. A criatura humana está em processo antropológico de evolução, psicológico de desenvolvimento de seus valores éticos e morais, e é natural que esse progresso estenda-se em todos os aspectos possíveis. Para nós, espíritas, a Terra é um planeta de provas e expiações e que vai mudar para um mundo de regeneração. Isso porque consideramos esse período como de transição e que vai dar lugar a uma nova era de paz e fraternidade que lentamente está se instalando na Terra.

Esse processo de transição será marcado por cataclismos? O apocalipse existe?

Esses fenômenos de natureza sísmica, terremotos, vulcões, maremotos, erupções vulcânicas e tsunamis sempre aconteceram. Na atualidade temos a impressão de que eles são muito maiores. Na verdade, não são. As comunicações é que se tornaram mais fáceis, e nós podemos acompanhar qualquer fenômeno em qualquer lugar da Terra simultaneamente. Quando o vulcão Kracatoa apresentou o pior índice de erupção, a humanidade só foi saber disso seis meses depois. Quando tivemos o grande tsunami em 26 de dezembro de 2004, no oceano Índico, no momento em que a grande onda avançava na direção das praias, o mundo inteiro acompanhava simultaneamente pela televisão. Isso dá a impressão de que o o volume de ocorrências é muito maior, quando são as informações que chegam com mais rapidez.

A intensificação desses fenômenos sinaliza o quê?

Eles são prenunciadores da Nova Era, mas a nova transição não será geográfica, mas moral. A mudança é de uma mentalidade para outra. 

Existe uma data para essa transição? O calendário maia fala em 22 de dezembro de 2012.

Isso é fantasia. O calendário maia é como outro qualquer e existem mais de dez calendários maias. Basta considerar que ele é lunar e o nosso é solar. Se até no nossso calendário convencional, as datas ainda estão em debate, imagina a transformação de um calendário lunar para um solar. A outra previsão que está sendo apresentada é que no dia 11 de dezembro às 11h, os mundos se acabariam. É uma ficção. Tenho 84 anos e já vi o mundo se acabar 14 vezes.

Por que a doutrina espírita não se posiciona de uma forma mais firme e incisiva sobre temas atuais e polêmicos como a eutanásia e o aborto, entre outros?

Nós nos colocamos veeementemente contra, a ponto de sermos contra matar. A Federação Espírita Brasileira lançou um grande calendário há mais de dez anos sobre os crimes abomináveis, o suicído, o aborto e a eutanásia, e a União das Sociedades Espíritas de São Paulo promove anualmente a grande marcha contra o aborto, atraindo milhares de pessoas. Nós não aderimos à política transitória dos interesses humanos. Essa não nos interessa.

Chico Xavier considerava o Brasil o coração do mundo e a pátria do Evangelho. Lula foi um operário que chegou à Presidência da República e agora temos uma mulher no cargo. Existe uma orquestração no mundo espiritual para que sejam eleitas pessoas que são notadamente do povo?

Isso já é um sinal muito bom, quando um operário honesto torna-se o presidente de uma das maiores entidades mundiais. Digo isso, porque hoje o Brasil está sendo apontado como a sexta economia do mundo. E quando uma ex-guerrilheira que lutava por ideais de liberdade na ditadura chega ao posto de primeira administradora do país, é muito sintomático. Primeiro, porque o Brasil não é um país de preconceitos, nem racial, nem social, nem religioso e nem político. No entanto, isso não quer dizer que eles sejam os predestinados. Eles conseguiram atingir o cume, e o povo elegeu aquele que lhes pareceu melhor. Está havendo um amadurecimento de consciência para que mais tarde se possa eleger o indivíduo ideal, que ainda vai nascer.

Quer dizer que não existe candidato ideal?

Eu ainda não o encontrei.

Como foram os anos de convivência com Chico Xavier?

Foram anos muito agradáveis e vou utilizar uma frase muito antiga: foram anos dourados. A personalidade de Chico Xavier é ímpar. Ele é um divisor de águas. Houve Allan Kardec e, depois dele, o período Chico Xavier. O antes e o depois dele, principalmente depois do programa "Pinga Fogo", da TV Tupi. Mas, apesar de todos esses valores, e graças a eles, Chico foi um missionário, um apóstolo, um homem de bem. Nós tivemos a súbita honra de o conhecer, de conviver com ele, de o respeitar e de manter a nossa gratidão pelo que ele fez para a humanidade até hoje.

Fale um pouco sobre o trabalho da mansão do caminho.

É um trabalho que comecei em 1952, na cidade de Salvador, Bahia, com Nilson de Souza Pereira. É uma instituição que acolheu e educou crianças sob o regime de Lares Substitutos. Em 20 casas, educou mais de 600 filhos, hoje emancipados, a maioria com família constituída. Hoje atendemos 3.000 crianças e jovens de famílias de baixa renda em Pau da Lima, um dos bairros periféricos mais carentes de Salvador. Mais de 35 mil crianças passaram, até hoje, pelos vários cursos e oficinas. O complexo atende a diversas atividades socioeducacionais, como enxovais, pré-Natal, creche, escolas de ensino fundamental e médio, informática, cerâmica, panificação, bordado, reciclagem de papel, centro médico, laboratório de análises clínicas, atendimento fraterno, dentre outros.

O MÉDIUM E ESCRITOR DIVALDO FRANCO JÁ PUBLICOU 250 LIVROS, COM MAIS DE 8 MILHÕES DE EXEMPLARES TRADUZIDOS PARA 16 IDIOMAS E COM 211 AUTORES ESPIRITUAIS

Publicado no Jornal OTEMPO em 16/08/2011

ANA ELIZABETH DINIZ 
Especial para O TEMPO