União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

O CANTINHO DE ANDRÉ LUIZ, pela Escritora - isabelscoqui@yahoo.com.br

FRANCA REGENERAÇÃO

                Muitos companheiros, recuperados no Plano Espiritual, incumbem-se da assistência fraterna  nos setores externos às Instituições. Melhorados, transformam-se em preciosos elementos de ligação. Através deles, a administração das Instituições conseguem  saber, com segurança, quais irmãos sofredores já estão prontos para o asilo e atendimento específico. Espalhando-se nos campos de sombra, em pequenos santuários domésticos, continuam construindo a própria regeneração, aprendendo e servindo.   

Exemplo disso é o nosso irmão Orzil, trabalhador externo da Mansão da Paz, que habitava pequena residência, sob intenso nevoeiro, na companhia de cães enormes. De aspecto rude e de alto porte, mostrava nos olhos límpidos a sinceridade e o devotamento. Sofrera muito sob  império dos antigos adversários, mas depois de longo estágio na Mansão, passou a prestar valioso concurso naquela região de desespero. E, servindo com desinteresse e devoção fraternal, não somente se reeducava, mas também suavizava a nova existência na esfera carnal, pelas simpatias que vinha atraindo em seu favor. No local,  havia algumas celas que abrigavam entidades  em tratamento, recebendo o preparo para serem admitidas na Instituição. Ali, naquela ocasião,  encontravam-se três assistidos em situação de franca inconsciência. O primeiro recebera uma grande herança, mas mal pôde usufruí-la, pois foi flagrado pela morte. Essa fortuna trouxe um grande conflito familiar e, revoltado, Veiga apelou para os gênios do mal para a execução de uma grande vingança. A criatura explodia em fúria, chorava e gargalhava, exigindo o seu dinheiro.  O segundo era um homem extremamente triste, que revia sucessivamente a horrível cena de um assassinato. Sua imagem aparecia ao volante de um carro. Perseguia um transeunte bêbado, até matá-lo sem compaixão. Era um homicida preso aos quadros mentais que o encerravam em punitivas recordações, pendendo  entre o arrependimento e o remorso.  O terceiro era um mísero companheiro que se movimentava num montão de sujeira, oriunda de suas viciosas emanações mentais. Fora um antigo e inveterado gozador que despendeu largos recursos, que não lhe pertenciam, em prazeres inúteis.  Os doentes ficariam segregados até que apresentassem sinais de renovação. Aquelas três almas deixaram, na última existência, somente quadros tristes e lamentáveis, nos quais não dispunham de atenuantes que lhes amenizassem as faltas.  Ainda não apresentavam condições para serem internadas na instituição. Só estavam assistidas graças a Orzil que, naquela região inclemente, não media esforços para comprovar o seu propósito de fazer o Bem.  Quem sabe, um dia, algumas almas ali renovadas seguissem o exemplo do primeiro benfeitor e, em pequena cabana envolta por trevas, pudessem praticar o Bem em favor de companheiros dementados por suas próprias criações. Texto baseado no livro Ação e Reação de André Luiz, psicografia de Chico Xavier.