União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

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Por que o suicídio não é uma opção?

As estatísticas apontam o suicídio como a décima causa de morte no mundo, com mais de um milhão de casos registrados anualmente. E, para cada fatalidade, são apontadas em torno de dez tentativas frustradas, o que causa grande preocupação, principalmente por esta cifra ter aumentado em mais de 50% nas últimas décadas. Vários são os motivos que podem levar o indivíduo optar por renunciar ao próprio direito de existência (o suicídio consciente), desde por questões de saúde (doenças crônicas dolorosas) até reveses financeiros, desilusão
amorosa, depressão, etc. Neste ato, a pessoa imagina libertar-se da dor moral ou física, ou da vergonha frente à situação que enfrenta.

Sempre, uma tentativa de fuga, pensando apenas em si próprio, com total desdém pela família e amigos. Uma visão egoística e equivocada da vida e de seu significado maior.

O Espiritismo tem trazido várias obras, retratando em detalhes todos os efeitos do ato suicida. Não existe nenhum glamour nesta atitude insana. O primeiro impacto do suicida é descobrir que a sua tentativa de fuga fracassou, pois o espírito é imortal e a morte física apenas elimina a vida orgânica (desencarne). Ou seja, a causa primária da ação perpetrada fracassa, pois a pessoa não morre, regressando para o plano espiritual com a mesma bagagem de problemas, mas com o agravante do ato de rebeldia perante Deus.

Na verdade, o suicida por um período de tempo, geralmente os anos que teria ainda de viver na face da Terra, fica em uma situação de “semidesencarnado”, pois a energia vital que trazia em seu corpo espiritual, e que foi programada para se extinguir ao longo de seus anos de existência no plano material, necessita agora de ser drenada, ficando então o suicida “ligado” ao corpo em decomposição, acompanhando e sofrendo todo o processo biológico da degradação do mesmo. Para agravar ainda mais a sua situação, o suicida fica recordando a cena de seu desencarne abrupto, ininterruptamente, desde o momento da ingestão da dose letal de veneno, da queda de um prédio, das mutilações, do tiro, etc. Ficará neste estado até o momento de ser resgatado. Camilo Castelo Branco, em obra psicografada por Ivonne Pereira, retrata em detalhes todo o sofrimento deste famoso romancista português, que descreve a sua própria história, quando deu cabo de sua vida com um tiro de pistola no ouvido. O sofrimento narrado é impressionante, sendo um alerta para qualquer pessoa que passe por provações difíceis, a nunca desistir da vida, pois seria uma tentativa frustrada de fuga, apenas agravando ainda mais as próprias dores. Provavelmente este é um dos mais dolorosos processos de desencarne espiritual. Necessitará de muita ajuda e orações para conseguir recuperar-se.

Além das dores deste desencarne que não estava programado, o suicida deixa para trás toda uma família desagregada, filhos, cônjuge, amigos, parentes, etc. Em muitos casos, os problemas socioeconômicos e morais dos que ficam se agravam bastante e geramente com consequências lamentáveis.

Particularmente os filhos, pois órfãos em uma sociedade onde ainda predomina a maldade, ficam estes à mercê de todas as investidas menos dignas de indivíduos inescrupulosos. Tudo isto também irá pesar na consciência daquele que fez esta opção equivocada, que, ao invés de ficar e lutar com coragem suficiente para superar as dificuldades, orientar e proteger os filhos desistiu de forma irresponsável e entregou a família à própria sorte. Apenas a falta de fé em Deus, o Pai justo e bom, que jamais daria uma provação maior que a nossa capacidade em suportar, pode explicar as razões para uma decisão tão insensata. O suicídio é um assassinato frio e calculado, onde a vítima é o próprio indivíduo. Transgrediu um dos Dez Mandamentos: – O de Não Matar!

Mas o problema do suicida não finaliza no momento de seu atendimento pelos abnegados mentores, quando então após ser resgatado dos pântanos onde se encontrava em processo de drenagem dos fluidos vitais, é atendido nos hospitais do plano espiritual.

O fato de ter afetado seriamente o perispírito ao agredir mortalmente o corpo físico, cria uma necessidade de reencarnações visando resgatar a saúde novamente, cujo processo geralmente é bastante doloroso (problemas mentais, deformações físicas, etc.). Além disto, após recuperar-se física e mentalmente, terá de vivenciar novamente as mesmas experiências que culminaram com o seu fracasso pelo ato suicida, as mesmas provas e expiações, muitas vezes em situações bem mais difíceis. Esta recuperação pode levar muitos séculos, dependendo de cada caso. Um exemplo de outro tipo de suicídio (inconsciente), este bem mais comum, é citado em obra e agora filme, Nosso Lar, onde protagonista principal, André Luiz, foi médico aqui na Terra e desencarnou durante uma cirurgia do sistema digestivo.

Ele ficou oito anos no Umbral, devido suicídio inconsciente que praticou, onde as razões de sua enfermidade foram motivadas pelo seu destempero perante as situações da vida, na forma áspera de tratar as pessoas, além de doenças venéreas adquiridas na mocidade e abuso de alcoólicos. A ausência de espiritualidade lhe causou estes problemas, o que lhe foi explicado após a sua recuperação na cidade Nosso Lar.

Embora André Luiz tenha passado por uma situação bem melhor que os suicidas voluntários, ainda assim vivenciou um processo doloroso. A sua história deve servir de alerta para todos nós, na forma como nos conduzimos na presente encarnação.