União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

Pesquisa por Casas Espíritas Afiliadas

Os Samaritanos

O cantinho de André Luiz O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Samaria era uma tribo dissidente e por esse motivo os judeus tinham uma verdadeira aversão aos samaritanos, que eram considerados hereges e gente de má índole. Jesus, sabendo disso, contou a parábola do Bom Samaritano, elegendo como bom aquele que faz a caridade ao seu próximo.

Em homenagem a essa admirável passagem evangélica, uma equipe de abnegados trabalhadores de Nosso Lar, autodenominou-se Samaritanos.

André Luiz nos conta que, em seu primeiro dia de atividade útil, pouco antes da meia-noite, ele, Narcisa e André foram até o portão das Câmaras. Os Samaritanos estavam para chegar, sendo necessário observar-lhes a volta, para tomada de providências. Alcançaram o caminho cercado de árvores frondosas e acolhedoras. O ar embalsamado era leve, o vento fresco agitava as folhas. Nas Câmaras, apesar das amplas janelas, não experimentavam tal sensação de bem-estar.

Ali estiveram por longos minutos, quando, em dado momento, a bondosa amiga indicou um ponto escuro no horizonte enluarado. André identificou a caravana que avançava em sua direção. De repente, ouviu o ladrar de cães a grande distância. Narcisa explicou que os cães são auxiliares preciosos nas regiões obscuras do Umbral, onde não estacionam somente homens desencarnados, mas também verdadeiros monstros, que não lhe cabia descrever.

Aproximavam-se vagarosamente seis carros, parecidos com diligências, precedidos de matilhas de cães barulhentos. Os carros eram puxados por animais, semelhantes aos muares terrestres. Voavam também, a curta distância, os grandes bandos de aves, de corpo volumoso, produzindo pios característicos.

André quis saber por que não utilizavam o aeróbus. A prestimosa enfermeira explicou que não era possível, por causa da densidade da matéria e por espírito de compaixão aos que sofrem. Os núcleos espirituais superiores preferiam utilizar aparelhos de transição.

Em muitos casos não podiam prescindir da ajuda dos animais. Os cães facilitavam os trabalhos, os muares suportavam as cargas pacientemente e forneciam calor nas zonas frias e as aves, denominadas íbis viajores, eram excelentes auxiliares dos Samaritanos, por devorarem formas mentais perversas, enfrentando as trevas umbralinas.

Estacaram as matilhas de cães, conduzidas por trabalhadores de pulso firme. Daí a minutos, enfrentavam os enormes corredores de ingresso às Câmaras de Retificação. Naquela investida, os Samaritanos tiveram muito trabalho nos abismos de sombra. Além de deslocar grande multidão de infelizes, resgataram vinte e nove irmãos. Vinte e dois se encontravam sob desequilíbrio mental e sete em completa inanição psíquica. Era necessário que fossem providenciados leitos e outras comodidades aos assistidos Alguns doentes eram levados ao interior sob forte amparo. Alguns enfermos se portavam com humildade e resignação; outros, todavia, reclamavam em altos brados.

O cantinho de André LuizNa parábola, o homem ferido é tratado, acolhido e acompanhado pelo samaritano, até a sua completa recuperação. Em Nosso Lar, esses homens que, condoídos pelo sofrimento do seu próximo, enfrentam as adversidades do mundo umbralino, dando exemplo de verdadeira solidariedade, não poderiam ter outro nome senão Samaritanos!

Nota do Arauto: - Nossa colaboradora e escritora, Isabel Scoqui acaba de lançar mais um livro pela Editora EME - “Desistir da vida não é solução”. Isabel recolheu dos livros de André Luiz os relatos que apresentam toda a dor causada pelo suicídio, nas suas mais diversas modalidades, e o longo trajeto que cada suicida deve percorrer para recuperar a oportunidade desprezada. E reforça que não estamos abandonados por Deus em situação alguma.