União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

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Pág.5- O CANTINHO DE ANDRÉ LUIZ, pela Escritora - isabelscoqui@yahoo.com.br

SOBRE CASAR DE NOVO

Não estranhe a pergunta: quem fica viúvo, quem vai ou quem fica?
Em alguns pontos de sua obra, André Luiz registra alguns casos de segundas núpcias; vamos fazer uma reflexão a respeito, enfocando três desses casos.
No livro Entre a Terra e o Céu, encontramos Amaro que, tendo ficado viúvo com dois filhos pequenos, contraiu casamento com Zulmira. Sua segunda esposa sentia-se preterida, torturava-se pelo ciúme, uma vez que Amaro era um pai exemplar e mimava os filhos, especialmente o menorzinho.

Certa ocasião, na praia, Zulmira olhava o enteado que, inocentemente adentrava o mar. Ciente do perigo, porém ciumenta que era, deixou que o menino alcançasse zona perigosa, tendo se afogado. Foi um acontecimento infeliz. Desde a morte da criança, Amaro afastou-se da esposa, considerando-a relapsa e cruel. Zulmira, trazendo em si o sentimento de culpa pelo incidente, caiu obsidiada por Odila, a primeira esposa que, mesmo desencarnada, não aceitava ser substituída e queria eliminar a rival. Grande foi a movimentação da Espiritualidade, a fim de demover a primeira esposa de sua ação funesta, que atrapalhava o futuro daquela família.
Já no Livro Nosso Lar, vamos encontrar os dois casos restantes.


No terceiro dia que André estagiava nas Câmaras de Retificação, Tobias, um trabalhador do local, convidou-o para conhecer a sua residência. Logo de entrada, apresentou-lhe duas mulheres, uma já idosa e outra mais nova. À mesa, quando saboreavam leve refeição, o dono da casa começou a contar a sua surpreendente experiência. Fora casado duas vezes. Luciana e Hilda haviam compartilhado de suas experiências na Terra. O fato aguçou a curiosidade de André, pois há milhões de pessoas, no círculo do planeta, que contraaíram segundas núpcias.Como resolver tão alta questão afetiva?
Hilda contou que ela e Tobias casaram-se, na Terra, quando eram muito jovens. Eram felizes, porém ela desencarnou por ocasião do nascimento do segundo filho. Tobias chorava sem consolação, enquanto Hilda permanecia agarrada a ele e ao casal de filhinhos, surda à tentativa de esclarecimento por parte dos amigos espirituais.


Sozinho e com os filhinhos por criar, vivendo sérios desajustes no lar, Tobias desposou Luciana. Hilda não aceitava a nova situação. Revoltada, lutava com a rival, na tentativa de aniquilá-la. Foi quando recebeu a visita providencial de sua avó. A velhinha, com muito tato e carinho, fê-la compreender que Luciana servia de mãe aos seus filhinhos, era criada da casa, jardineira de ser jardim e, por vezes, agüentava o mau humor do seu marido. Por que a moça não poderia assumir um lugar provisório ao lado dele? Era assim que agradecia os benefícios divinos e remunerava a quem a servia? Hilda, então, entendeu a necessidade de vencer o monstro do ciúme inferior e abandonou o ambiente doméstico. Passou a considerar Luciana como sua própria filha. Mais tarde, quando Luciana e Tobias retornaram a plano espiritual, passaram a conviver na base da fraternidade legítima, graças ao espírito de amor e renúncia.
No final do livro Nosso Lar, André finalmente recebeu autorização para visitar a sua família.

Ébrio de felicidade adentrou sua antiga residência. Logo foi notando diferenças enormes. Os móveis foram trocados, o grande retrato, aonde ele posara junto à sua família, já não estava lá. Começou a sentir certa opressão. Ao abraçar a companheira, com o carinho de saudade imensa, Zélia permaneceu insensível ao seu gesto de amor. A mulher chorava a possibilidade de uma segunda viuvez.
Ao perceber que Zélia casara-se novamente e que outro homem apossara-se de seu lar. Verificou que no leito, estava um homem de idade madura, apresentado grave estado de saúde. Ao seu lado, três figuras negras agravavam-lhe os padecimentos. André teve ímpetos de odiar o intruso, mas já não era o homem de outros tempos. Após algumas horas de amargas reflexões. Se fosse ele o viúvo, na Terra, teria aguentado a prolongada solidão? E o pobre enfermo? Como e por que odiá-lo? Não era também seu irmão na Casa do Pai? Preciso era contra o egoísmo feroz.

Decidiu colocar o amor divino acima dos seus interesses pessoais.
Orou e pediu a presença de Narcisa para ajudá-lo. Vindo ao seu encontro, a mensageira deu passes de reconforto ao doente, isolando-o das entidades escuras. Manipulou certas substâncias, aplicando o remédio ao enfermo que experimentou melhoras sensíveis. Por sete dias, André acompanhou e colaborou com o restabelecimento do dr. Ernesto. Tempo em que se sentiu completamente modificado: aprendera preciosas lições de compreensão e fraternidade legítimas.