União das Sociedades Espíritas
Intermunicipal de Piracicaba

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REFREGAS DA ALMA - Catarina Ângela -

O capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo baseia-se na exortação de Jesus a todos que buscam ajustar seu livre arbítrio à expectativa divina em relação às criaturas: “Sede, pois, perfeitos como Vosso Pai celestial é perfeito” (Mateus, V : 48). E Allan Kardec, pedagogo por excelência, reconheceu a necessidade de enumerar as qualidades que ele próprio chama de essenciais ao Homem de Bem nos itens 3 e 4 do referido capítulo, fundamentando-as na vivência e nos ensinos de Jesus. E nós, reconhecendo a necessidade de conquistar essas qualidades colocadas como fundamento de toda felicidade individual e coletiva na Terra, ficamos perplexos ante o volume de alvos morais que devemos atingir para adornarmos nosso Espírito com os louros da perfeição.

Mas, o Mestre de Lyon, sabedor de que elas são inesgotáveis, arremata com as seguintes frases: “...não é a enumeração de todas as qualidades que distinguem o homem de bem. Ainda assim, quem quer que se esforce para consegui-las está no caminho que conduz a todas as outras.”

Que subida íngreme! E para trazer mais reflexão sobre esse assunto, lembramos que Jesus nos exortou a dar preferência à porta estreita, porque larga é a porta da perdição... À primeira vista dá-nos a impressão que as “aperturas” da existência seriam o preço do ingresso a esse paraíso feito apenas para alguns poucos. Interessante é que essa visão ingênua da Vida se confirma quando, em velórios, ouvimos comentários como esses: “Morreu de uma doença tão dolorosa, tenho certeza que já foi para o Céu.” “Sofreu tanto... esse tem o Céu garantido.” “Coitadinho, agora descansa no paraíso ...” E a Doutrina dos Espíritos, rasgando os véus da morte, revela-nos que não há Céu de contemplação, descanso no paraíso, nem fim de lutas: a saga do Espírito continua!... Como a vida é movimento contínuo, também o Espírito se defronta com o trabalho incessante.

O despertar da consciência amplia horizontes sem fim ante a alma inebriada diante da grandeza do Universo e da própria imortalidade; consciência essa aprisionada, até então, nos limites impostos por crenças e filosofias sobre cujos textos complicados e de difícil compreensão se debruçara e se consumira julgando encontrar explicações e soluções aos problemas humanos... Todas as teorias caem por terra e o Espírito, desejoso de progresso, descobre que a solução está no ensino de um Galileu simples, manso e humilde que resumiu toda a Lei e os Profetas assim: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo...” e mais adiante “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém irá ao Pai senão por Mim...” E com que doce autoridade Jesus pronunciou tais verdades: servindo, perdoando, curando, ensinando entre pescadores rudes que o seguiam, pobres e doentes que O buscavam e escribas e fariseus que O tentavam com a malícia própria dos maldosos perspicazes...
Perguntam muitos: Por que Deus, sendo a Perfeição, a Sabedoria e o Amor absolutos não criou os homens já perfeitos?

A questão 119 de O Livro dos Espíritos responde: “ ... não teriam o mérito para desfrutar os benefícios dessa perfeição.” E Lázaro, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, escreve-nos: “ A obrigação moral da criatura para com Deus nunca cessa. Ela deve refletir as virtudes do Eterno, que não aceita um esboço imperfeito, porque quer que a beleza de sua obra resplandeça diante d’Ele!”. André Luiz, em Missionários da Luz, distingue tendências – frutos de desacertos de milênios que nos prendem ao rol de provas e expiações – das qualidades que resultam das refregas da alma e são conquistas inalienáveis que libertam o Espírito.