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CARNAVAL, ÁLCOOL E DIREÇÃO - Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

 

 

 

 

 

 

  Neste ano, mesmo com a crise que assola muitas prefeituras, a festa de carnaval vai ser realizada em muitas cidades do Brasil. Quem vê de fora pensa que tudo está bem, que a vida é perfeita.

Entre a euforia coletiva que assola durante quatro ou cinco dias um país imerso em corrupção e problemas de desigualdade social, o povo que passa por tantas tragédias parece se esquecer delas durante o carnaval.

Que cara chato! Deixa o povo ser feliz pelo menos no carnaval. É um direito dele. Sim, a sociedade tem o seu livre-arbítrio, assim como os indivíduos.

Quem tem um pouco de espiritualidade não pode fazer apologia dessas festas carnavalescas que anestesia as consciências. Nessas ocasiões podem ocorrer muitos incidentes de percalço que cobrarão duras penas aos envolvidos. E quem ama deseja sempre o melhor para o seu próximo.

Nesses dias de carnaval são cometidos excessos de todos os graus, com abusos e desregramentos no âmbito do álcool, do sexo, das drogas e da violência física e moral. Consumidos fartamente os excitantes (maconha, álcool, ecstasy, cocaína) abrem uma porta enorme de insanidades na vida de muitos.

Na vida depois da morte, o contista Humberto de Campos, que voltou através da psicografia de Chico Xavier, em o livro Cartas e Crônicas, diz: “Os excitantes largamente ingeridos constituem outra perigosa obsessão. Tenho visto muitas almas de origem aparentemente primorosa, dispostas a trocar o próprio Céu pelo uísque aristocrático ou pela nossa cachaça brasileira.     

No ano passado (2017), no carnaval, as mortes nas estradas federais aumentaram em 30%. A imprudência e a bebida ao volante estão entre as causas das tragédias registradas. A nova legislação vai ser mais dura com quem dirige e produz acidentes sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência.

Um registro interessante feito pela polícia é que muitos dos acidentes acontecem quando as pessoas estão próximas de seu destino. Causa: cansaço, sono, ansiedade, pressa de chegar e imprudência ao fazer ultrapassagem em lugares proibidos.

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP-SP-GREA